18/10/2017

Quando foi que esquecemos?

Orson Peter Carrara
Em entrevista, uma jovem contou que tinha uns sete anos quando foi com sua mãe ao mercadinho perto de casa. Enquanto a mãe fazia as compras, ela, menina, escondeu um doce de leite no bolso.
Na saída, sentindo-se a garota mais esperta do mundo, mostrou o doce e disse: Olha, peguei sem pagar.
O que ela recebeu de retorno foi um olhar severo. E, logo, a mãe a tomou pela mão, retornou ao mercado, fê-la devolver o que pegara e pedir desculpas.
A garota chorou demais. Sentiu-se morrer de vergonha. Entretanto, arrematou, concluindo: Isso me ensinou o valor da honestidade.
É possível que vários de nós tenhamos tido experiência semelhante. Por isso, indagamos: Quando foi que deletamos a mensagem materna? O que nos fez esquecer o ensino da infância?
A infância é o período em que o Espírito, reencarnado em nova roupagem corpórea, se apresenta maleável à reconstrução do seu eu.
É o período em que as falas dos pais têm peso porque, afinal, eles sabem tudo.
Mirar-se no exemplo dos pais é comum, considerando que, no processo de educação, os exemplos falam muito mais alto do que as palavras.
Por que, então, deixamos para trás as lições nobres? Quantos de nós, ainda, tivemos professores que iam muito além do dever e que insistiam para que fôssemos responsáveis, corretos?
Criaturas que se devotavam, ensinando com o próprio exemplo, as lições da gentileza no trato, a hombridade, o valor da palavra empenhada.
Se todos nós viemos de um lar, o que nos fez desprezar a honra, a honestidade e tantos de nós nos transformarmos em políticos corruptos, em maus profissionais, em seres que somente pensam em si mesmos?
Hora de evocar lembranças, de retornar aos anos do lar paterno e permitir-nos a reprise das lições.
Não pegue nada que não lhe pertença.
Se achar um objeto, procure o dono porque ele deve estar sentindo falta dele.
Respeite o seu semelhante, o seu espaço, a sua propriedade.
Os bens públicos são do povo e todos devem ser com eles beneficiados. A ninguém cabe tomar para si o que deve ser bem geral.
Digno é o trabalhador do seu salário.
Respeite a servidora doméstica, o carteiro, o lixeiro. São valorosos contribuintes das nossas vidas.
Lembre de agradecer com palavras e delicados mimos extemporâneos o trabalho diligente dessas mãos.
Cumprimente as pessoas. Sorria. Ceda seu lugar, no coletivo, ao idoso, ao portador de necessidades especiais, à grávida, a quem carrega pequenos nos braços.
Ceda a vez no trânsito, aguarde um segundo a mais o pedestre concluir a travessia, antes de arrancar com velocidade, somente porque o sinal abriu.

* * *

As leis são criadas para que, obedecendo-as, vivamos melhor em sociedade.
Mas gentileza não está normatizada.
Honestidade é virtude de quem respeita a si mesmo, ao outro, ao mundo.
Pensemos nisso. Façamos um retorno à infância, pelos dias dos bancos escolares, lembremos dos nossos pais, dos mestres, das suas exortações.
E refaçamos o passo. O mundo do amanhã aguarda nossa correta ação, agora, ainda hoje.

Transcrição integral do www.momento.com.br , com citação de narrativa do artigo Como nossos pais, de Jaqueline Li, Jéssica Martineli, Rafaela Carvalho e Rita Loiola, da revista Sorria, de outubro/novembro/2012, ed. MOL.

11/10/2017

Disciplina é dever

– Orson Peter Carrara


A disciplina (em todos os sentidos: dieta, caminhadas, responsabilidades, compromissos, vigilância sobre o próprio comportamento, etc.), normalmente é encarada como algo difícil e desagradável. Afinal é difícil resistir a um sorvete ou a uma torta, à tentação de permanecer mais na cama, a faltar num compromisso numa noite de chuva e mesmo atender à necessidade dos cuidados com a saúde. Isso sem falar nos que não resistem às oportunidades da desonestidade, da esperteza que prejudica outras pessoas, ao “jeitinho” brasileiro, aos deslizes morais de toda espécie.

Resistir, todavia, é grande virtude. Não é fácil disciplinar-se. A primeira providência é não mentirmos para nós mesmos. De que adianta dizer que esse ou aquele compromisso é bom, agradável, quando não sentimos prazer. Então, o oposto é dizer a verdade: não é bom, mas é necessário. Ou, em outras palavras: preciso fazer isso. Preciso estudar, preciso caminhar, preciso resistir, preciso disciplinar-me, mesmo adiando o prazer. Sim, porque segurar-se em várias questões provoca adiamento do prazer que buscamos.

Adiar o prazer momentâneo, ao invés de trazer sofrimento, o potencializa.
O prazer momentâneo da indisciplina alimentar criará problemas para a saúde. Adiar esse prazer significa mais qualidade de vida, mais saúde. Da mesma forma um estudante que adia o prazer de passear, namorar, etc., potencializa o prazer futuro de se ver aprovado no vestibular. O prazer efêmero da aventura sexual muitas vezes trará muitas “dores de cabeça” no futuro.

Por isso pensando na disciplina que precisamos aplicar a nós mesmos, busco a inspiração do poeta Cornélio Pires no poema Assuntos de disciplina, que transcrevemos parcialmente:

Tema difícil — meu caro —
Pois disciplina é dever,
Mas isso, enquanto entre os homens,
Não é fácil de saber.
Se vivermos descuidados,
Deixando as horas em vão,
Surgem testes retardados
E lutas de revisão.

A prova que se recusa
É caminho a desamparo,
Ensinamento esquecido,
Mais à frente custa caro.

Todo aquele que se esquece
Do que lhe cabe fazer,
Descamba no prejuízo,
Tem sempre muito a perder.

Lembre, nos quadros da Terra
Que recordamos a dois:
Onde surge a indisciplina,
Tribulação vem depois…

Discipline, caro amigo,
Seu tempo, corpo e função…
Quanto mais ordem na vida,


Mais vida de elevação.



03/10/2017

Doutores em amor

Orson Peter Carrara

Nós, iniciantes aprendizes na arte e na ciência de amar, faladores teóricos da sabedoria do Evangelho e tímidos ou receosos praticantes do amor trazido ao planeta pelo Mestre da Humanidade, temos mesmo muito que aprender até que nos capacitemos devidamente aos caminhos da iluminação interior. Pelo menos, todavia, já estamos a caminho. Estamos aprendendo e de tanto falar, comentar, escrever, vamos gradativamente assimilando as questões. 

A expressão “doutores em amor” foi usada por Lúcius, na psicografia de André Luiz Ruiz, no livro Herdeiros do Novo Mundo, mais um clássico da lavra do competente autor espiritual e boa sintonia do médium, na edição do IDE. A citação está no capítulo 12 – Dúvidas e Orientações, e consta da página 129 da 1ª edição. No citado capítulo o autor relata o caso de dois trabalhadores de uma instituição religiosa que resolveram unir as próprias vidas nos caminhos do afeto após o homem enviuvar, sendo a moça bem mais jovem e economicamente mais necessitada. Pronto! Foi o suficiente para o desabrochar dos estiletes metais de inveja, de crítica e condenação, especialmente dos numerosos “doutores em amor” que usavam da tribuna para falar de amor ao próximo ou de senhoras ditas pulcras, conforme citado no próprio texto, detentores todos apenas do conteúdo intelectual e ainda distantes da prática autêntica do amor. 

Convenhamos, ainda somos assim. Mesmo em nossas instituições. O exemplo citado no capítulo ocorreu numa instituição espírita! A moça, no caso citado, teve que se afastar das reuniões públicas face à hostilidade silenciosa e maldosa da condenação que julga com crueldade.

E isto, como se sabe, afeta diretamente o ambiente de trabalho, tão carinhosamente preparado pelos espíritos benfeitores de toda instituição que se dedica ao bem, com prejuízos evidentes e gradativos que abrem caminho às inteligências ainda voltadas ao combate da luz.

É... Temos todos muito que aprender. Ainda somos muito teóricos, fazemos citações de capítulos, páginas, autor, etc. Mas nos corroemos por dentro com egoísmo feroz nas tentativas de impor e condenar. 

Nas lamentáveis lutas internas das instituições – religiosas ou não –, ainda travadas com disputas de cargos ou pontos de vista, fica evidente na indicação do autor espiritual no mesmo capítulo que “(...) a luta do presente é a do indivíduo mudar-se a si mesmo para auxiliar na mudança do todo (..)”. E continua no capítulo seguinte: “(...) A Misericórdia nos convoca a modificar nossos sentimentos (...)”.

Eis a solução para inúmeros desafios defrontados diariamente em nossa realidade cotidiana, seja na vida familiar ou coletiva, na profissão ou nos trabalhos e ideais a que nos entregamos. Algo para pensar seriamente.
Aliás, fica a dica do livro, uma obra notável!


28/09/2017

Não se justifica

Orson Peter Carrara

Valores como a honestidade, a decência, a compostura e naturalmente que a plena identificação deles com as crenças que dizemos defender, revelam a coerência no comportamento social. Como conciliar atitudes indecorosas, violentas ou de atentado aos bons costumes em homens e mulheres que se dizem cristãos?

Sim, imagine o leitor um cidadão – seja qual for a religião a que se filie – que age em discordância com os ensinos que diz seguir. Existe aí uma grande incoerência entre o que "prega" e o que vive. Por sua vez, as religiões não podem responder pelo comportamento de seus seguidores. Todo comportamento contrário aos ensinos da religião, da moral, deve ser creditado à insânia humana que insiste em burlar a própria consciência.


Vários exemplos podem ser citados: a) Bêbados que fazem arruaças e responsabilizam o governo ou justificam-se reclamando da sorte; b) Violências de toda ordem, espancamentos em casa, traições conjugais ou gritos incontroláveis, levados a conta de gênio ruim; c) Desordens sociais, roubos e vandalismos considerados como meros divertimentos; d) Corrupção espalhada, permanecendo-se a noção do correto e do respeito às pessoas e às instituições.


Na verdade, nada é falta de sorte, culpa do governo ou de quem quer que seja. Age-se dessa ou daquela forma porque se permite a si mesmo adotar este ou aquele comportamento. Nada justifica um gesto de violência, de desrespeito ou de imoralidade senão a própria decisão individual marcada de desequilíbrio.

É comum, por exemplo, alguém justificar um comportamento agressivo e incontrolável por conta de suposta influência de espíritos, responsabilizando-os por atos desrespeitosos e antissociais. Ora, assim é fácil justificar! Pode acontecer momentaneamente, mas o domínio do próprio comportamento pertence a cada um. Os espíritos são os homens – antes de virem e durante a vida no mundo ou depois de partirem dele – e conservam, portanto, suas qualidades ou defeitos morais. Podem ser sábios ou ignorantes, bons ou mal intencionados, mas todos são senhores da própria vontade. Quem se deixa levar a atitudes agressivas, a atos desrespeitosos, imorais, prova por si só que é ele mesmo agressivo, imoral, desrespeitoso. Justificar o próprio comportamento à conta da presença de espíritos é atitude de fuga que não condiz à própria realidade individual.

Não se pode creditar responsabilidade à Doutrina Espírita, por exemplo, diante de atitudes de supostos médiuns ou pseudoespíritas desconhecedores da proposta essencial do Espiritismo: a renovação moral do ser humano. O espírita sincero é aquele que preocupa-se em melhorar a si mesmo. É alguém em luta consigo mesmo para aperfeiçoar-se, melhorar o comportamento e agir coerentemente com o Evangelho de Jesus, base da Doutrina Espírita. O espírita, como qualquer outro cidadão, é homem comum, que reconhece os próprios limites e sabe que tem o dever de progredir moralmente e trabalhar para um ambiente melhor no planeta.

O dever, portanto, continua sendo nosso. Não se justificam apelações, desculpas ou tentativas de transferir responsabilidades, em todos os ângulos da vida individual, social, familiar ou profissional.

20/09/2017

Seja também porta-voz da Esperança


Orson Peter Carrara
Todos fomos e continuamos sendo beneficiados pelo conhecimento espírita. De alguma forma ele chegou até nós, conduzindo-nos a ver a vida com olhos de compreensão sobre as realidades das lutas humanas.
Alguns nasceram espíritas, outros chegaram depois. Nem todos souberam avaliar a oportunidade desse contato, mas a lógica e grandeza do pensamento espírita conquista pela sua coerência e lucidez. Fundamentado na lógica e no discernimento que nos convida continuamente, abre o raciocínio para os propósitos da vida, com solidez e segurança.
Para perceber esse alcance, não podemos, todavia, ficar na superfície. O Espiritismo é muito mais que palestras, passes, atendimentos, contatos com espíritos ou atividades variadas que inspiram em seus adeptos. Seus fundamentos é que precisam ser conhecidos e refletidos para alcançarmos a dimensão de sua proposta que, aliás, está totalmente fundamentada no convite celeste trazido pelo Mestre da Humanidade. Isso pede estudo, pesquisa, debate, intercâmbio de ideias, participação e comprometimento com a causa.
O notável escritor Roque Jacintho em sua obra Vida Futura (editada em parceria IDE/Luz no lar), no capítulo 31 da 1ª. edição da citada parceria, com o título Posições, leva-nos a caminhar por esse terreno do conhecimento que chegou e nosso comportamento daí advindo.

Após os parágrafos iniciais, referindo-se ao momento tumultuado do planeta, afirma aquele autor: “(...) negar-se à disseminação da luz será fazer-se omisso no espraiar desse Sol dadivoso, contribuindo, então, para que se alongue a noite da mente humana, atravancando as engrenagens irreversíveis do progresso espiritual. (..)”.
E acentua para nosso sentimento: “(...) Recorde-se de que foram palavras, mensagens avulsas, livros preciosos, conversações edificantes, indicações singelas e exemplos vivos que, um dia, o conduziram às portas do Espiritismo consolador, miniaturizando as suas agruras, colocando no diminutivo seus sofrimentos. (...)”.
O conhecimento espírita nos dá plenas condições – incluindo o entusiasmo – de promover com perseverança a expansão da ideia espírita que distribui orientação e conforto às comuns e complexas aflições humanas.  Todos podemos protagonizar ações em favor da sofrida coletividade que se debate em dúvidas e aflições.
Comecemos, fazendo-nos portadores da esperança, utilizando-nos sim da divulgação espírita, com critério e respeito pela crença e opções alheias, mas espalhando essa luz que tanto ajuda.
Como pondera o autor em referência: “(...) Se você foi assim beneficiado, através de incontáveis benfeitores encarnados, por que não ser o intermediário da Esperança aos que o buscam afogados pela angústia? (...)”.

O precioso capítulo – que se junta aos demais da notável obra – prossegue com as ponderações do autor. Nosso desejo é convidar o leitor para juntar-se a essa iniciativa de distribuir conhecimento e conforto, especialmente pelo esforço da vivência pessoal. E também de conhecer a incomparável obra que em seu todo, é um verdadeiro estimulador para a conquista de virtudes.

13/09/2017

Benfeitores encaminharão

Orson Peter Carrara
 O que se vai ler abaixo escrevi em 2010. Pela atualidade do texto, todavia, e, considerando o difícil momento da Humanidade, parece-nos oportuno sugerir outra vez.

No belo romance O abridor de latas, do conhecido autor Wilson Frungilo Jr., editado pelo IDE de Araras, há uma sugestão que merece nossa máxima atenção. Ela está na página 146 da 1ª. edição, de fevereiro de 2009, no capítulo XII – Na Feira.
            
Permito-me transcrever o parágrafo, que começa na página 145, para apreciação do leitor, claro por si só na proposta que ora espalhamos na presente abordagem:
“(...)  – Meu irmão, fazemos parte de uma porcentagem muito pequena de criaturas que, pelo conhecimento que temos da Doutrina Espírita, da continuidade da vida, das leis de justiça, das oportunidades que Deus, nosso criador, nos oferece, da oportunidade  de nos reencontramos com os que mais amamos, após a desencarnação, da possibilidade do contato mediúnico com aqueles com quem mais temos afinidade, somos mais felizes que aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade de conhecer a Religião dos Espíritos. Por isso, meu irmão, devemos retribuir tudo isso, divulgando essa Religião, levando todos esses conhecimentos a eles. E o que podemos fazer? Como começar? (...)”
               
É aí que surge a sugestão do livro, como resposta à indagação dentro do próprio texto e agora já na página 146:
“(...) É muito simples: quando tiver uma oportunidade, compre um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo e presenteie alguém que sabe em dificuldades, alguém que sabe estar sofrendo ou, então, se não tiver alguém para oferecer esse presente, simplesmente esqueça-o  em algum lugar. Pode ser num banco de jardim, num ônibus, numa sala de espera de um consultório médico ou na poltrona de um cinema e deixe que a Espiritualidade Maior faça o resto. Com toda certeza, ela saberá direcionar um infeliz até essa dádiva que são os ensinos de Jesus sob a óptica da Doutrina Espírita. São benditas ferramentas que devemos espalhar para quem possam ser utilizadas por esses trabalhadores de Jesus. Essa, também, é uma maneira de fazer o bem. (...)”.
               
A sugestão abriu um leque de possibilidades. A riqueza dessa incomparável obra, especialmente com o conteúdo exponencial de seu capítulo V – Bem-aventurados os aflitos – o mais longo da obra – e um referencial para atender às aflições humanas, faz-nos pensar na riqueza da sugestão, que pode ser ampliada para as demais obras da Codificação. Já imaginou o leitor se cada adepto espírita “esquecer” uma das obras básicas em algum banca ou padaria, farmácia, metrô, ônibus, cinema ou supermercados? Quanta gente se beneficiará??!! Estaremos distribuindo luzes no coração de muita gente.
               
Aí pensei ainda que palestrantes e dirigentes, coordenadores das casas igualmente pode espalhar essa idéia, motivando outras pessoas. O mesmo raciocínio cabe na divulgação que podemos fazer dos clássicos romances de Emmanuel, fonte inesgotável de ensinamentos para acalmar, consolar e orientar o sofrido coração humano.  Sempre citá-las, incentivar sua leitura, comentar nas reuniões e palestras. Ah! Deus! Quantas benções daí serão extraídas!!!
               
Quando fico a pensar no quanto nos cabe fazer, essa sugestão é maravilhosa, porque é algo que todos podemos fazer. O último capítulo de A Gênese, por exemplo, esquecido... O conteúdo de O Livro dos Médiuns e a preciosidade de O Livro dos Espíritos ou o tesouro que está em O Céu e o Inferno, ou nos belos textos de Emmanuel em Há 2.000 anos, 50 anos depois, Renúncia, Ave Cristo! e Paulo e Estêvão. Quantos tesouros de orientação!
               
E tudo pode ser iniciado, “esquecendo-se” algum desses livros para que os Benfeitores encaminhem seu conteúdo a alguém que deles se utilizará para saciar sua sede de conhecimento, confortando seu coração e orientando seu caminho. É algo que podemos fazer, convenhamos...

31/08/2017

Tempo de crise

Orson Peter Carrara


Quando surgem as crises – sejam de qualquer origem – o impositivo é de serenidade. Afinal, são nas crises que nos opomos uns aos outros.
A renovação que necessitamos não é obra de um dia ou de décadas, pois a conquista da sublimação exige variadas matérias de domínio pessoal. Um dos significados da palavra sublimação é engrandecer.  Sim, podemos entender dessa forma, engrandecer a vida humana, valorizar, exaltar as vivências. Por outro lado, se pensarmos bem na expressão matérias de domínio pessoal veremos a abrangência do quanto precisamos fazer para domarmos nossos ímpetos agressivos ou egoístas, nossas tendências de arrogância e vaidade, de prepotência ou de imposição e veremos o quanto precisamos na área do domínio pessoal. O mais grave é que agimos ao contrário: queremos dominar os outros...

Muitas vezes somos competentes na profissão, mas apegados. Em outras situações, somos abnegados, mas nos complicamos na afeição possessiva. Em determinados momentos, somos generosos, mas nos deixamos envaidecer ou nos perdemos na arrogância, na prepotência e mesmo na imposição...

Quanto ainda por fazer!!! O progresso é mesmo muito lento até que surjam as épocas de exame ou avaliação que comprovem as aquisições. Isso tudo faz refletir.

Se nos propomos a vencer, nas lições que a vida apresenta, é preciso usar a compreensão que se apóie no raciocínio e exercitar o amor uns aos outros.  Esta atitude de amor e compreensão vai encontrar as variadas expressões de opção da vida humana. Uns preferem o poder econômico e parecem agredir; outros querem a independência sem dever e enveredam em caminhos que resultarão em aprendizados amargos. Outro ilude-se e distancia-se da dignidade; outros ainda aceitam as sugestões dos tóxicos. É preciso mesmo muita paciência diante de opções e decisões nem sempre equilibradas e muitas vezes marcadas pelo orgulho e pelo egoísmo. E essas opções ou decisões partem de pais, filhos, cônjuges, irmãos, amigos, parentes...

Por  isso, quem já possua equilíbrio, que ajude ao desorientado. Quem raciocine com segurança, ampare o que se afastou do bom-senso. Quem disponha de qualquer luz, que clareie o caminho os que jazem na escuridão dos vícios ou dos condicionamentos perniciosos. E, claro, se estamos de pé, socorramos os caídos, porque tempo de crise é tempo de teste e somente se honra com a distinção desejada, quem procura esquecer-se para compreender e auxiliar os demais. Afinal, somos todos irmãos uns dos outros e as sábias leis de Deus nunca se modificam.


Nota: Texto adaptado pelo autor, a partir da mensagem Tempo de Crise, capítulo 19 do livro Companheiro, de Emmanuel, edição IDE.



25/08/2017

Um sonho possível

– Orson Peter Carrara

Todo mundo precisa de estímulo. Sempre que somos estimulados, incentivados, temos a grande possibilidade de vencermos nossas dificuldades, de galgarmos degraus de progresso e de construção da dignidade. Quando abandonados, exceto se tivermos em nós uma grande bagagem que nos permita ressurgir das cinzas do abandono e da indiferença, é muito provável que nos embrenhemos pelos caminhos do crime e da delinquência.

Quantos casos tristes de criminalidade da realidade brasileira não se enquadram em relatos de infância com famílias desestruturadas, de convivência com vícios e tráfico de drogas, de pais desequilibrados e abandonos dolorosos que resultam em adultos igualmente desequilibrados e normalmente envolvidos em quadros de crimes e dificuldades enormes de convivência social?

Pois um filme notável lançado em 2010 traz um quadro que modifica uma situação que poderia resultar num adulto envolvido com a criminalidade. Uma atitude corajosa tira um jovem das ruas e altera sua vida para o bem e para a dignidade. Com 120 minutos e distribuído pela Warner Bros, o filme Um sonho possível é emocionante e faz pensar em nosso papel de cidadãos e o dever da solidariedade.


Trago aos leitores a sinopse do filme: o adolescente Michael Oher (QUINTON AARON) sobrevive sozinho, vivendo como um sem-teto, quando é encontrado na rua por Leigh Anne Tuohy (SANDRA BULLOCK). Tomando conhecimento de que o garoto é colega de turma de sua filha, Leigh Anne insiste que Michael — que veste apenas bermuda e camiseta em pleno inverno — deixe-a resgatá-lo do frio. Sem hesitar por um momento sequer, ela o convida a passar a noite em sua casa. O que começa com um gesto de bondade evolui para algo maior, pois Michael passa a fazer parte da família Tuohy, apesar de terem origens bem diferentes. Vivendo no novo ambiente, o adolescente tem de encarar outros desafios. E à medida que a família ajuda Michael a desenvolver todo o seu potencial, tanto no campo de futebol americano quanto fora dele, a presença de Michael na vida da família Tuohy conduz todos por uma jornada de autodescoberta.

Belíssimo filme. Não deixe de ver. Inspirado numa história real, é bem o exemplo forte e marcante do que um simples gesto de bondade pode fazer. Pode-se dizer, sem medo de errar, que é um caso extraordinário de autêntica caridade. Não a que dá das sobras, mas aquela que estende as mãos verdadeiramente e recupera a dignidade através do estímulo e do apoio que entende e estimula.
Procure o trailer na Internet e veja o filme. É realmente marcante.


Agora, concluindo, quando pensamos em tudo o que já conhecemos do conteúdo oferecido pela Doutrina Espírita e pelo Evangelho, percebemos o quanto ainda somos teóricos diante da mensagem de caridade autêntica que o filme oferece. É exemplar o comportamento corajoso e estimulador da mãe do garoto, na trama que vamos assistir. Aí percebemos o alcance da caridade em toda sua extensão.