Outra coragem

Quanto mais leio, estudo e pesquiso o rico e incomparável conteúdo oferecido pela Doutrina Espírita, mais me alarga o horizonte de entendimento da outra coragem e disposição que precisamos desenvolver em nós mesmos para a harmonia interior que buscamos, com vistas às finalidades de viver e seus altos objetivos fixados pela grandeza de Deus e suas soberanas leis.
Em todos os tempos, mártires e lideranças dos vários desafios que a vida apresenta no complexo relacionamento humano, entre os seres de uma mesma família ou nos intercâmbios entre as diversificadas culturas dos países, tiveram iniciativa, disposição e coragem no enfrentamento dos preconceitos, abusos de toda ordem (considere-se aqui de toda ordem mesmo, desde os de poder, da escravidão, da prepotência ou da ganância, da vaidade e tantos outros), da corrupção, enfermidades, das invenções, guerras, e nas diversas situações construídas pelo egoísmo que ainda nos domina o comportamento.

Por força dessa situação, há que surgir aqueles que colocam “cara para bater” nesses enfrentamentos advindos da coragem honesta, sincera, que muda os paradigmas da dominação ainda presentes no planeta.
Todavia, os grandes clássicos da literatura espírita nos fazem pensar na outra coragem, sempre esquecida e tão necessária para alterar completamente os doloridos quadros vividos no planeta.
Trata-se do enfrentamento de nós mesmos, nas imperfeições que todos carregamos. Isso significa, no entender da notável Amália Domingo Soler – que foi orientada em toda sua obra pela grandeza e nobreza do Espírito Germano –, melhorar nossos hábitos e costumes (depois de prévio e consciente exame de nossos próprios atos, bons e maus), estabelecendo um regime progressivo em harmonia com as aspirações do Espírito humano, opondo-se à propagação do mal e propugnando pela desinteressada prática do bem, segundo suas próprias palavras, aqui adaptadas em transcrição parcial e constantes do capítulo VIII – Conhecer-te a ti mesmo, do livro A luz do caminho.
Ela afirma no início do capítulo: “Cada um é o redentor de si mesmo (...) e para chegar a ser um verdadeiro apóstolo do progresso é preciso antes de tudo redimir-se (...)”. E acrescenta com sabedoria: “(...) Tão importante é ao homem aprender a conhecer-se a si mesmo como saber porque está na Terra, de onde vem, para onde vai (...)”.
O que mais me chamou atenção, todavia, está na seguinte afirmação, razão da presente abordagem: “(...) Se para progredir intelectualmente foi preciso lutar com a coragem dos heróis e dos mártires, há de ser menos para progredir moralmente? (...)”.
Na reflexão dessas duas linhas estão incluídas todas as lutas para vencer preconceitos e dominações de todo tipo, gerando mártires em todos os tempos e fazendo a humanidade avançar no entendimento de nossa igualdade e no respeito que se deve ter com a liberdade.
Pois a coragem é a mesma. É a coragem da iniciativa, da decisão, do planejamento, da perseverança, só que para enfrentamento de nossas próprias imperfeições. É a luta pela conquista das virtudes, é a dominação do orgulho, é a dispensa do egoísmo, é a renúncia aos pontos de vistas próprios em favor da paz coletiva, é o reconhecimento do valor alheio, em detrimento da vaidade e arrogância que ainda nos caracteriza. É, enfim, silenciar a agressividade, raivas, rancores, e atender à consciência, amar o dever.
Por isso a clássica pondera: “(...) Ao homem do mundo falta descobrir um simples, mas profundo segredo. (...) É aprender a conhecer-se a si mesmo. (...)”
A abordagem é notável e não cabe num único artigo. Há muito mais no precioso capítulo, mas deixamos um dos trechos para concluir: “(...) Todos nós, sem exceção, estamos doentes do espírito (...) Perguntemo-nos sempre: Que falta cometi hoje? (...)”.
E pondera que quanto mais afundados estamos nos vícios dos maus comportamentos (aí incluídos também o melindre, o orgulho próprio ferido e a teimosia rebelde), menos enxergamos o ridículo de nossos próprios comportamentos perante a finalidade maior de progresso oferecido pela vida.
Portanto, essa é a outra coragem: do enfrentamento de nós mesmos, virtude que atrairá o amparo e presença dos benfeitores espirituais, pois é exatamente a nova postura que nos aproxima deles para nossa harmonia interior.

Não encontro Deus! – Orson Peter Carrara


Essa afirmação é comum entre os que se decepcionam, se desesperam, os que não encontram respostas para os difíceis quadros do planeta e da vida individual e coletiva, também os que severamente se frustram com os quadros da hipocrisia e do egoísmo ou vaidade, ganância ou prepotência, que geram dores, angústias e sofrimentos sem conta. Não é preciso recordar a história humana em seus quadrantes mais sofridos, desde os primórdios da humanidade aos contínuos quadros das guerras, inclusive religiosas, até os pavorosos eventos de corrupção, mentira ou manipulações, não restritos às esferas do poder e suas ilusões.
Afinal, mata-se em nome de Deus; escondemo-nos em aparências para agir na obscuridade, mutilamos, corrompemos, traímos, roubamos – inclusive a paz alheia – e ainda nos maltratamos ou nos desprezamos, usando máscaras de hipocrisia, inclusive em nome da fé.
Visão pessimista? Não, infelizmente ainda nossa realidade humana. As lutas e a falsa compreensão do que é a vida e seus objetivos, colocam-nos em situações que exigem decisões nem sempre sábias ou generosas, que deveriam ser o norte do comportamento individual. Convenhamos, todavia, que faltam-nos ainda a sabedoria e a bondade, em sua feição real.
Daí as reações de desespero, dúvida, angústias, decepções e seus lamentáveis desdobramentos. Entre eles, a incredulidade, ou a ausência da fé.
Diante de enfermidades cruéis, fome, abandonos, solidão ou da desolação e as consideradas injustiças, com tantos extremos em todos os sentidos, a pergunta é inevitável: “Onde está Deus? Que permite tudo isso! Procuro-o, mas não O encontro!”
O que ocorre é que nossa visão é tão limitada, tão escassa, tão pequena e medíocre nossa maturidade que não conseguimos ver além das aparências.
Todavia, Deus está em toda sua magnífica obra. A começar por nós mesmos, seres simultaneamente iguais e desiguais num gigantesco processo de aprendizado. O desequilíbrio que se verifica nas situações é obra humana, hoje ou anteriormente como causa. A obra de Deus está na perfeição, ordem e equilíbrio do próprio universo, nas flores, na água, no sol, nas crianças, no ar que respiramos e na luz da consciência. E está principalmente na justiça misericordiosa. Há causas anteriores que nos escapam, que geraram os imensos desconfortos que infelicitam a vida humana hoje. E, por força de igualdade e justiça, mas principalmente bondade, com que Deus trata todos os filhos, vemos e vivemos os reflexos que afetam nossas vidas e a sociedade como um todo.
Mas a grandeza, a bondade, presença do Criador está em tudo. Basta contemplar os céus durante o dia ou as estrelas à noite. É preciso ir além das aparências sofríveis para entender uma ordem que rege a vida. Basta observar as flores ou os animais, a variedade de tudo que nos cerca e envolve, ou a gestação humana, o nascimento e mesmo a morte, para entender que há um poder sábio que tudo preside, com bondade, imenso amor e justiça.
A grandeza do mar e seus conteúdos, ou o infinito do Universo, a diversidade em tudo ou a incrível capacidade e criatividade humanas, o sentimento inato que guardamos de um Ser Supremo, a lógica na voz, no sentimento e na ação de benfeitores variados que aportaram no planeta em diferentes épocas – o maior Deles, o Cristo – conspiram convidando-nos a pensar mais a respeito e especialmente buscar Deus dentro de nós, na maravilha em construção que constitui cada ser. A própria preciosidade da vida e seus desdobramentos já indicam a presença e providência de uma inteligência acima de nossas mediocridades.
Deus está conosco, não distante! Aprendamos a agradecer pela vida e a Deus pelo que somos, com quem vivemos, pelas oportunidades, desafios e aprendizados e mesmo pelas adversidades, pois são elas que nos aproximam de Deus. A gratidão despertará a alegria de viver e libertará desses estados de ânimo, de desconsolo e decepção, para elevar-nos à esperança e ao trabalho útil do próprio crescimento, que redunda em favor de muitos. Avante, pois! Destemidos, prossigamos! Por que a dúvida? A vida conspira a nosso favor! E não se resume ao que vemos e vivemos aqui. Deus está em tudo, inclusive dentro de nós!

Ilumina-se a humanidade

Orson Peter Carrara
O próprio ar se torna diferente, leve, alegre, suave. Que alegria! É dezembro, que traz de volta o Natal, com os desdobramentos próprios, reunindo famílias e despertando novamente a solidariedade, o desejo de ser bom, a gratidão pela própria vida.
Apesar do convencionalismo da data, do apelo comercial envolvendo o Papai Noel que encanta os sonhos infantis, isso não impede que nos aproximemos mais do aniversariante, que nunca esteve distante. Sempre esteve conosco, recebendo da humanidade uma certa indiferença aos seus apelos de amor.
Mas como sua grandeza e bondade estão além de nossa real compreensão – pois que ainda não conseguimos vivê-la integralmente –, Ele dividiu a história, valoriza os pequenos gestos de gentileza que possamos ter uns com os outros e permanentemente nos convida à renovação moral, respeitando nosso estágio e decisão, sem exigir nada, aguardando que despertemos da letargia do egoísmo, do orgulho e vaidade que ainda nos situamos, equivocados com reais valores da vida.
Mas esse respeito e amor para conosco, tolerância sem limites, advém da compreensão de nossa pequenez moral, da formação ainda em andamento, mas como conhece nossa potencialidade a despertar – pois que originários todos da Bondade de Deus –, investe continuamente nessa formação e despertar, com o envio permanente de outros mais amadurecidos no amor para que nos ensinem a compreender o legado de amor depositado na psique humana e que vai gradativamente amadurecendo com as experiências, algumas doloridas, outras recheadas de emoção, e todas elas visando o aprendizado dessa grandiosa lei que rege o Universo: o amor.
Sim, ilumina-se a Humanidade. É Jesus, presença amorosa, incomparável, a quem tudo devemos. A suavidade de seu verbo, de seu olhar, a compaixão para com nossas fraquezas e debilidades morais, deveria antes nos sensibilizar nessa mudança que precisamos fazer em nós mesmos. Felizmente, porém, a vida tem seus sábios mecanismos para nos fazer ver o que é óbvio e que teimamos não aceitar.
Mas seu profundo amor respeita nossa debilidade, envolve-nos carinhosamente, providencia para que estejamos bem e protegidos.
Ele é o modelo e guia para a humanidade, é o Celeste Amigo, é a Luz do Mundo, o Sol de nossas Almas, o Enviado para nos ensinar viver. Deixemo-nos sensibilizar por sua grandeza.
Jesus, Mestre e amigo da humanidade. Por sua grandeza, por sua bondade, por sua presença, aceite nossa gratidão. Ajuda-nos vencer tanta imperfeição que ainda carregamos para que consigamos nos aproximar mais desses ensinos que nos libertam da ferocidade que ainda carregamos.
Muito obrigado Senhor! Um Feliz Natal aos amigos e leitores em toda parte. Meu coração vibra, emotivo e agradecido, pelas bênçãos do que a amizade é capaz de fazer!
Mais que as luzes externas do Natal que iluminam casas e o comércio, acendamos dentro de nós as luzes do amor que abraça, socorre, alegra-se, confia e permanece trabalhando...

Na porta

Orson Peter Carrara

O amigo Valdinei, de Santa Catarina, publicou em seu facebook um texto encontrado na porta de um consultório médico. Pela lógica apresentada, é muito oportuno trazer aos leitores. Valdinei é autor do notável livro Segredos do Tempo, empolgante romance publicado pelo IDE de Araras-SP. Agora que a humanidade ilumina-se pelo Natal, o texto é bem um belo convite de renovação dos sentimentos. Vejam:

Texto na porta de um consultório médico:
A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos.
Existem semáforos chamados Amigos.
Luzes de precaução chamadas Família.
Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão.
Um potente motor chamado Amor.
Um bom seguro chamado FÉ.
Abundante combustível chamado Paciência.
Mas há um maravilhoso Condutor e solucionador chamado DEUS!!!

No dia 11 de dezembro

Orson Peter Carrara
Uma das curiosidades práticas facilitadas pela Internet é buscar eventos históricos ou comemorativos em cada dia do ano, ampliando-se com informações de nascimentos, falecimentos de personalidades conhecidas, fatos da história e mesmo alguns eventos relacionados com a data em pesquisa. Sugiro ao leitor colocar uma data escolhida nos portais de pesquisa para deparar-se com vasta informação.
O dia 11 dezembro, por exemplo, é o dia de nascimento da conhecida atriz Elisângela e também de falecimento do ator Carlos Zara; também é o Dia do Tango, na Argentina. No mesmo dia, em 1792, é iniciado o julgamento do rei deposto da França, Luis XVI, que é condenado por alta traição e guilhotinado; mas também é o dia da assinatura do Protocolo de Quioto (1997) e do Plebiscito sobre a divisão do estado do Pará (2011), que não foi aprovada. Mas não é só, pois são muitos os fatos que podem ser pesquisados pelo leitor, como em qualquer outra data. Mas a motivação principal da abordagem está mesmo num fato muito significativo também comemorado no dia 11 de dezembro, entre outros. Trata-se do Dia Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs).
Pela máxima importância desse órgão, de expressão nacional e reconhecidamente uma instituição com bases não só na área da saúde, mas com alta feição social e cristã – pelo dever moral que cabe à sociedade junto às dificuldades humanas – destaca-se pelo pioneirismo. Historicamente, é órgão nascido no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1954, por ocasião da chegada ao Brasil de Beatrice Bemis, procedente dos Estados Unidos, membro do corpo diplomático norte-americano e mãe de uma portadora de Síndrome de Down. Motivados por aquela cidadã, um grupo, congregando pais, amigos, professores e médicos de excepcionais, fundou a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Brasil.
A primeira reunião do Conselho Deliberativo ocorreu em março de 1955 na sede da Sociedade Pestalozzi do Brasil. Esta colocou a disposição, parte de um prédio, para que instalassem uma escola para crianças excepcionais, conforme desejo do professor La Fayette Cortes. De 1954 a 1962, surgiram outras APAEs. Pela primeira vez no Brasil discutia-se a questão da pessoa portadora de deficiência com um grupo de famílias que trazia para o movimento suas experiências como pais de deficientes e, em alguns casos, também como técnicos na área.
Para uma melhor articulação de suas ideias, sentiram a necessidade de criar um organismo nacional. Criou-se então a Federação Nacional das APAEs. Em 1964 o Presidente Castelo Branco apoiou a iniciativa para a aquisição de um prédio. Com a aquisição da sede própria a Federação foi transferida para Brasília. Adotou-se como símbolo a figura de uma flor ladeada por duas mãos em perfil, uma em posição de amparo e a outra de proteção. A Federação, a exemplo de uma APAE, se caracteriza por ser uma sociedade civil, filantrópica, de caráter cultural, assistencial e educacional com duração indeterminada, congregando como filiadas as APAEs e outras entidades congêneres, tendo sede e fórum em Brasília.
Com a presente síntese histórica, extraída por conhecido portal wikipédia.org homenageamos a importante instituição que se distribui por todo Brasil, com sua excelência de serviços, experiências e desdobramentos que se acumulam ao longo do tempo. O próprio progresso da mentalidade humana alterou a expressão excepcional para especial, o que denota o respeito às diferenças, sem discriminar.
Sua feição cristã, de amor ao semelhante – sem se importar com sua condição – e de alto cunho sócio-educativo, mas também cultural e assistencial, é digna do maior respeito, consideração e gratidão pela sociedade brasileira. Fica nosso registro e cumprimentos aos profissionais que atuam nos serviços prestados e às abnegadas diretorias que se destacam pela dedicação e desprendimento em tais ações.

Mas o dia 11 de dezembro também tem um significado especial ao meu coração. Casei-me com Neuza, há 34 anos, em 1982. E com um detalhe: ela também nasceu no dia 11 de dezembro! Da convivência sempre amiga e harmoniosa vieram os três filhos e depois os dois netos: Amanda (em 2013) e Leonardo (em 2015). O casamento é uma experiência enriquecedora, de intensos aprendizados, especialmente quando se convive com alguém cujas virtudes estou distante de possuir. Um dia muito especial, pois! Afinal, 34 anos são 34 anos!

Dor e fé no país

Orson Peter Carrara
O doloroso acidente aéreo com o time de futebol de Chapecó (SC), traz à tona novamente a velha questão das mortes coletivas, que vez por outra atinge a sociedade humana, em quadros de profunda dor, especialmente face ao impacto das ocorrências.

Lembro-me, quando adolescente ainda, do pavoroso acidente que vitimou igualmente muitas pessoas em Mineiros do Tietê (SP), chocando a cidade. Não é para menos. É muito doloroso, pois a dor é intensa para as famílias envolvidas e mesmo para todos nós que, embora não envolvidos diretamente, sofremos igualmente pelo impacto.

São fatos que, depois de ocorridos, não há o que se fazer, exceto buscarmos a Deus na aceitação do fato já consolidado, e usarmos a fé como principal instrumento de resignação frente à expressiva adversidade que esfacela famílias inteiras.

Essas forças para nos mantermos de pé e para continuar vivendo, busquemos na patente realidade de que somos imortais. Embora a dor inevitável, a vida não é o corpo. Estamos no corpo, mas não somos o corpo. Somos, antes, seres imortais utilizando temporariamente uma veste que utilizamos em nosso processo de aprendizado. Uma veste que envelhece, sofre acidentes, desgasta-se com o tempo e morre depois de um certo tempo, sendo devolvida porque não nos pertence.

Alguns, todavia, retornam mais cedo.  Por razões que nos escapam por enquanto, mas que saberemos mais tarde. Enfermidades, acidentes, bala perdida, velhice, quedas fatais, derrames ou infartos, tumores malignos ou outras causas, são apenas nomes que designam uma forma de voltar à origem comum, à realidade do que somos. O fato patente, todavia, é que não somos daqui, estamos aqui.

As causas estão na nossa necessidade de aprendizado que remontam no tempo e que no momento não temos condições de alcançar ou avaliar.
Para o enfrentamento, todavia, de situações tão dolorosas e mesmo traumáticas, é guardamos no coração o conforto da presença de Deus que nunca desampara seus filhos e que, se permite tais fatos, há razões de sua sabedoria que ainda não temos condições de compreender, mas que compreenderemos com grande extensão num tempo que virá.

Seja qual for a crença que adotamos, guardemos confiança em Deus. Os chamados mortos vivem. São seres imortais. Precisam de nossa resignação e aceitação no momento que também é difícil para eles, no impacto da separação. Nossa dor os atinge de maneira igualmente muito dolorida. Nossa aceitação, apesar da dor, suaviza-lhes os processos de readaptação à nova realidade.

Sim, eles vivem! A vida continua, é imortal. As causas de tais ocorrências estão perfeitamente enquadradas em nossas necessidades de aprendizado, que incluem as famílias. A dor é superlativa, bem o sabemos, e nosso dever de cristãos é vibrarmos em favor dessas famílias envolvidas pela dor da separação impactante de um acidente, como é o caso. A prece suaviza, acalma, fortalece. 

Os corpos são vestes emprestadas por algum tempo para nossa permanência nessa autêntica escola que é o planeta. Desfazem-se com o tempo.
É como o exemplo da roseira. As pétalas que caem pelo vento não são a rosa ou a planta que lhe faz surgir. A vida está na semente da planta, que sempre ressurge e refloresce. Somos a vida e não os corpos!
Ressurgimos continuamente, continuando nosso aprendizado e fazendo-nos cada vez mais felizes e unidos pelos laços do amor. Bendita Imortalidade, verdadeiro e imorredouro presente de Deus aos filhos!

Choremos, sim. De saudade, não de revolta. O amor nunca se separa! E a bondade de Deus nunca nos abandona. Por meios que desconhecemos, Deus permanece agindo... em nosso bem.
Por outro lado, é comovente ver tanta solidariedade e comoção surgidas com a dura e triste notícia que abalou o país. Deus tem suas razões. Aceitemo-las e peçamos força e coragem no enfrentamento da difícil batalha com a dor.

Guardemos vigilância e fidelidade

Orson Peter Carrara
O Espírito André Luiz, pelo médium Antonio Baduy Filho, no livro Vivendo o Evangelho, volume I faz importante advertência. A obra foi editada pelo IDE-Araras e consta de dois volumes, ambos comentando os capítulos e trechos de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Baduy, o médium, é muito conhecido, é médico e trabalho muito tempo ao lado de Chico Xavier, recebendo a primeira mensagem do referido espírito em 1969. Os Espíritos Valérium e Hilário Silva também psicografaram por Baduy.
E no volume I, comentando a Introdução (os dois volumes comentam todo o citado livro da Codificação), às páginas 32 e 33 da 1ª. edição, encontramos com o título Adversário Íntimo, diversas frases relacionando as dificuldades enfrentadas por Jesus e por Kardec na tarefa a que se propuseram, cada um a seu tempo e com objetivos específicos e em situações e tempo diferentes, mas para ambos marcados pela incompreensão.
A advertência está no último parágrafo. Todavia, transcrevemos os dois últimos parágrafos da importância lição, para nossa melhor fixação:
“(...) O Mestre da Boa Nova e o Professor da Nova Revelação colheram adversários declarados, durante a missão sublime de anunciar e restabelecer as verdades divinas.
De nossa parte, guardemos vigilância e fidelidade aos ideais, para que não nos transformemos, por negligência ou arrogância, em adversários íntimos da causa que abraçamos, recordando que Jesus foi traído pelo discípulo do Evangelho e Kardec tem sido negado por aqueles que mais dizem honrar a Codificação Espírita.”
É muito grave a advertência do autor espiritual e precisamos mesmo estar muito atentos para não sermos protagonistas autores ou alimentadores dessa negação do contido na Codificação que nos conclama ao bom senso e ao uso do discernimento nas questões doutrinárias e mesmo na condução das instituições a que nos vinculemos, pois que a ausência de vigilância ou nossa negligência e mesmo a arrogância (termos utilizados pelo espírito) não sejam causa de divisões e prejuízos aos objetivos da presença do Espiritismo no planeta.
Precisamos ou não de atenta observação de nós mesmos ao invés da observação sobre o comportamento alheio?
Sim, porque como raciocina o autor, podemos nos transformar em adversários íntimos da causa que abraçamos.

Consultas aos espíritos

Orson Peter Carrara
Allan Kardec dedicou todo o capítulo XXVI – segunda parte – de O Livro dos Médiuns para abordar o tema Perguntas que se podem dirigir aos Espíritos. O capítulo é muito rico em informações, ocupando dezenas de páginas e relacionando aspectos como Perguntas sobre o futuro, o passado, interesses morais e materiais, saúde, situação de conhecidos no mundo espiritual, invenções e descobertas e inclusive sobre outros planetas. Além disso, as observações preliminares são valiosas e mesmo sobre perguntas simpáticas ou
antipáticas a eles, os consultados.
Os itens 286 e 287 do citado capítulo são de uma lucidez e atualidade que não podem ser esquecidas, razão pela qual iniciamos nossa abordagem com essas indicações.
Todavia, apesar do embasamento doutrinário do assunto, objetivo é destacar valiosa orientação transmitida pelo Espírito André Luiz, pelo médium Antonio Baduy Filho, e constante do livro Vivendo o Evangelho, volume I. A obra foi editada pelo IDE-Araras e consta de dois volumes, ambos comentando os capítulos e trechos de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Baduy, o médium, é muito conhecido, é médico e trabalho muito tempo ao lado de Chico Xavier, recebendo a primeira mensagem do referido espírito em 1969. Os Espíritos Valérium e Hilário Silva também psicografaram por Baduy.
E no volume I, comentando a Introdução (os dois volumes comentam todo o citado livro da Codificação), às páginas 31 e 32 da 1ª. edição, encontramos com o título Consultas Espirituais, com uma única palavra efetuando determinada indagação que poderia nos levar a perguntar aos espíritos sobre nossa condição, situação ou expectativas, e respostas com apenas duas palavras em dez situações, há uma conclusão preciosa que culmina com o seguinte raciocínio: “(...) consultas inconvenientes aos Espíritos quase sempre acabam em respostas de Espíritos inconvenientes.”
Um enorme bom senso na resposta! Um discernimento incomparável, afinal os interesses que movem as perguntas podem ser absolutamente inconvenientes, especialmente depois de termos estudado o citado capítulo de O Livro dos Médiuns, uma vez que o teor das perguntas atrai Espíritos inconvenientes que se misturam nos ambientes e relacionamentos humanos, de vez que o conhecimento da Escala Espírita, em O Livro dos Espíritos, é bem claro (questões 100 a 113) ao demonstrar que o fato do espírito estar habitando o mundo espiritual e se comunicando não significa, em absoluto, que seja esclarecido ou bondoso. Podemos estar sendo visitados por espíritos ignorantes ou mal intencionados, que poderão responder aos interesses de nossos questionamentos.
Então, novamente a prudência é recomendada no velho quesito das consultas espirituais, pois que perguntas inconvenientes podem ser respondidas por espíritos inconvenientes.
Vamos estudar? Assim compreendemos e não corremos riscos desnecessários que levam a precipitações, fanatismo ou incompreensões sobre os espíritos a quem buscamos auxílio.


Finanças e aflições – os boletos vencem...

Orson Peter Carrara
O site Clube dos Poupadores publicou interessante matéria sobre a dúvida de um leitor desesperado (não por doença, morte ou desemprego), que indagava – pois não conseguia encontrar uma resposta – se deveria viajar para a praia ou juntar dinheiro. A matéria tem o sugestivo título: “Viajar ou juntar dinheiro? E o desespero de uma escolha”.
O texto é muito valioso e sugiro ao leitor ler na íntegra. Não será difícil encontrá-lo com as facilidades atuais da internet, utilizando-se daquele título na pesquisa ou mesmo procurando no site indicado. Afinal os boletos vencem...
Na resposta, sem identificação da pessoa perguntou e com texto parcial da dúvida apresentada, representa bem a realidade do país e mesmo das circunstâncias individuais ou familiares diante da velha questão das finanças, os compromissos e os anseios e desejos.

Como traduz o texto, a pessoa que pergunta “(...) sofre um clássico conflito entre o QUERER, PODER e DEVER. (...)” a resposta sugere “(...) um teste sempre que estivermos diante de uma decisão, especialmente uma decisão envolvendo dinheiro e tempo. Esse teste consiste em fazer a seguinte pergunta diante da dúvida: Será que eu realmente quero? Será que eu realmente posso? Será que eu realmente devo? Será que precisa ser agora? (...)”. E na sequencia traz a íntegra do e-mail enviado ao site, seguido da resposta para o teste: “(...) Você quer ir para a praia? Claro que sim, quem não quer? Você pode ir para a praia? Sim, você tem dinheiro na sua reserva de emergência. Você deve ir para a praia? Não, sua reserva não serve para isso, mas no futuro é ela que vai garantir muitas viagens para a praia. Será que você precisa ir para a praia agora? Claro que não, tudo tem seu tempo e o tempo agora é de plantar e construir as bases.... (...)”.
A conclusão deve estar em nossas cogitações, pela realidade e utilidade que apresenta para pessoas e famílias: “(...) Estamos próximos dos meses de férias, festas de final de ano, black friday e outras motivações para gastar dinheiro. É ótimo ter dinheiro para gastar nesses eventos, mas primeiro você deve fazer o seu dever de casa. Precisamos nos habituar com a ideia de que compras e viagens devem ser eventos planejados, para que você não dependa do uso das suas reservas de emergência ou mesmo dos seus investimentos para o futuro como fonte de recursos. Lembre-se que nem tudo que eu quero eu posso... (...)”.
A expressão e consciência de eventos planejados é perfeita. Somente com planejamento podemos concretizar desejos com tranquilidade.
Afinal, as aflições são de duas origens: causas atuais (provenientes de causas variadas, entre as quais, do caráter, da conduta, da negligência, da indiferença ou acomodação, despreparo, ausência de planejamento, interesses calculados, imprevidência, orgulho, ambição, vaidade, excessos, vícios, entre tantas outras que podemos relacionar) e causas anteriores (que são aquelas que nos escapam ao entendimento da origem e ocorrência geradora nas experiências anteriores à atual que vivenciamos, sempre apresentadas com consequências de desvios morais ou descuidos da negligência, em desatenção à Lei de Amor que rege a vida).
Então, também as finanças podem se tornar motivo de aflição se não nos organizarmos. Um planejamento cuidadoso evita dissabores, nos faz enxergar com critério aquilo que queremos, podemos ou devemos... Isso porque a resignação, a paciência e o confiar no tempo – com trabalho nos objetivos que se deseja alcançar – são requisitos valiosos para encontrarmos serenidade. E claro, também, a felicidade!

Uma consulta ao capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo ampliará a visão sobre a questão. Lá estão os belos subtítulos Bem e Mal Sofrer, Tormentos Voluntários e O Mal e o Remédio, entre outros, inclusive o precioso A infelicidade real.

Valiosas respostas de Divaldo

Orson Peter Carrara orsonpeter92@gmail.com
Relaciono ao leitor respostas de Divaldo, em transcrição parcial, de correspondência enviada ao Presidente da FEB em agosto de 1982, respondendo ao questionário que lhe foi proposto. O texto completo pode ser pesquisado no google com o título: Importância da Evangelização Infantil – Seara Espírita Infantil.
Face à importância das oportunas declarações, torna-se dever de todos nós, palestrantes, dirigentes e trabalhadores espíritas, ampla divulgação e reflexão em torno das valiosas orientações (lembro ao leitor que transcrevo parcialmente):
05. Existem condições mínimas para que alguém possa desempenhar a tarefa de evangelização? Quais seriam?

Não pretendemos estabelecer regras de comportamento doutrinário, que já se encontram muito bem apresentadas no corpo da Doutrina Espírita, e, em particular, na excelente página “o homem de bem” e a seguir “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec.

Não obstante, a pessoa que deseje desempenhar a tarefa de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil deve possuir conhecimento da Doutrina Espírita e boa moral como embasamento para a tarefa que pretende. Como necessidade igualmente primordial, deve ter conhecimentos de Pedagogia, Psicologia Infantil, Metodologia, sem deixar à margem o alimento do amor, indispensável em todo cometimento de valorização do homem. Aliás, a programação para a preparação de evangelizadores infanto-juvenis tem tido preocupação em oferecer esses elementos básicos nos encontros e Cursos que são ministrados periodicamente em diversas regiões do país sob a orientação da FEB.
06. Que papel cabe aos espíritas de um modo geral, isto é, àqueles que não atuam diretamente na Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, para o crescimento e maior êxito dessa tarefa?

O de divulgar este trabalho importante, estimulando os pais para que encaminhem, quanto antes, os seus filhos à preparação e orientação evangélico-espírita, de modo a contribuírem significativamente para os resultados que todos esperamos. Da mesma forma, exemplificarem, levando os filhos às aulas hebdomadárias e mantendo, no lar, a vivência espírita, que ainda é a melhor metodologia para influenciar mentes e conduzir sentimentos.
07. Que orientação os Amigos Espirituais dariam aos pais espíritas em relação ao encaminhamento dos filhos à Escola de Evangelização dos Centros Espíritas?

Informa-me Joanna de Ângelis que, na condição de pais e orientadores, temos a preocupação de oferecer a melhor alimentação aos filhos e aos nossos educandos; favorecê-los com o melhor círculo de amigos; vesti-los de forma decente e agradável; encaminhá-los aos melhores professores, dentro da nossa renda; proporcionar-lhes o mais eficiente médico e os mais eficazes medicamentos quando estejam enfermos; conceder-lhes meios para a manutenção da vida; encaminhá-los na profissão que escolham... É natural que, também, tenhamos a preocupação maior de atendê-los com a melhor diretriz para uma vida digna e um porvir espiritual seguro, e esta rota é a Doutrina Espírita. Portanto, encaminhemo-los às Escolas de Evangelização dos Centros Espíritas, ou, do contrário, não estaremos cumprindo com as nossas obrigações.
 08. Que recursos poderiam ser, ainda, acionados para expandir a tarefa de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil?


Maior e mais constante contato entre evangelizadores e pais, a fim de os conscientizar da alta responsabilidade que a estes últimos diz respeito, pedindo ajuda e num intercâmbio frequente, já que ambos são interessados na formação moral e espiritual da criança e do jovem. Seria, também, muito válido, que os resultados da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil fossem mais divulgados nos Centros Espíritas e se insistisse mais na colocação de que todo bem feito à infância se transforma em bênção no adulto.