12/07/2017

Uma carta recebida

Orson Peter Carrara



Pelas valiosas e oportunas considerações de carta recebida por e-mail, considero muito útil divulgar seu conteúdo, ainda que parcial. Diz o amigo que escreveu:
“Caro amigo Orson! Foste muito feliz ao colocar a questão do "dever" como  um dos temas de suas palestras. Antes. Foste corajoso, pois nos tempos atuais não teria assunto mais antipático. Como alguém ousa falar dos deveres, quando o que se busca são as comodidades, as facilidades, as conveniências? O dever é tudo o que não quer o homem moderno. Já lhe bastam as tarefas do dia-a-dia, no trabalho e nas escolas... De resto o que se quer é esquecer todo e qualquer compromisso, pois dever já não se é nem mais um termo usual. Pais querem ser liberais, filhos querem ser livres, famílias querem ser modernas, cidadãos querem descansar e curtir a vida. Sabendo disto o mundo – este grande mercado --  limitou-se a produzir o que é vendável, em prol da comodidade. E o que é vendável senão os produtos que vão ao encontro a estes anseios das pessoas?  É a cultura dos shoppings centers, dos fast foods, dos trânsitos nas ruas de nossas cidades, da relação com o meio ambiente, das relações interpessoais; e por que não dizer de muitas práticas religiosas. O que e como são as telenovelas, os telejornais, os programas de auditórios e os novos “reality shows” que invadem nossos lares 24 horas por dia? Como vai a produção artístico-cultural? Pensa-se no dever para com os necessitados, ao se fazer uma compra desnecessária? Pensa-se no dever para com a sua saúde, ao fazer as ditas refeições rápidas? Pensa-se no dever de civilidade, ao dirigir por nossas ruas e estradas? Pensa-se no dever de sustentação ambiental do planeta, no futuro, ao adotar o consumismo, ao se descartar o lixo, ao utilizar meios poluidores do ar, da água, do solo? Pensa-se no dever, particularmente no dever da Adoração ao Criador, quando se aventura em tudo que é prática religiosa mistificadora e salvacionista? Pensa-se no dever de prover um ambiente saudável em nossos lares, ligando indiscriminadamente nossos aparelhos de TVs para distrair-nos ou distrair nossos filhos? Pensa-se no dever de aprimoramento cultural e no dever de prover nossa alma do deleite cultural, quando saímos para as baladas? A difusão de um mundo de facilidades já dificulta por demais o cumprimento dos compromissos político-sociais e culturais do homem, o que dizer então dos deveres morais? Se a sociedade já não cobra os compromissos, as consciências individuais ignoram e desprezam veementemente os deveres morais, que estão no fórum íntimo de cada pessoa. Mas, justamente por estar na consciência individual, os deveres não têm como ser apagados. Inscritos na alma de cada ser humano, este pode até renegá-los, mas nunca extirpá-los. Ainda mais, sabendo que cada existência individual humana neste planeta foi precedida de sabe-se quantas outras existências, que cada reencarnação é uma concessão divina para pagar débitos e buscar o progresso espiritual.  Assim, cedo ou tarde, os deveres se aflorarão, cobrando-nos seu cumprimento. Convivendo com certas pessoas ou lendo certos livros conhecemos espíritos que marcam ou marcaram sua passagem nesta Terra e destacam-se da maioria contemporânea. Não por possuírem poderes espetaculares ou extraordinários, mas apenas por serem espíritos rigorosamente cumpridores de seus deveres. Assim, o que fazem encantam, pois tudo é feito com tal zelo e amor que supera às vãs expectativas dos seus co-existentes. (...)”

Por igualmente oportuno, destaco frase constante do livro Memórias do Padre Germano – página 131, também citado pelo amigo, editado no Brasil por 3 editoras, de comoventes casos relatados pelo sábio sacerdote, em obra repleta de ensinos:
“A satisfação que minha alma sente, a tranquilidade do espírito que cumpriu seu dever é o justo preço que Deus concede àquele que pratica Sua Le. Ao pensar que por obra minha há uma vítima a menos, como sou feliz, Senhor! Quanto te devo, porque me deste tempo para progredir, para reconhecer tua grandeza e prestar culto, com minha razão, a tua verdade suprema!”
Penso que o material transcrito é suficiente para profundas reflexões.

04/07/2017

O maior tratado

– Orson Peter Carrara

Sim, ele é o maior tratado sobre mediunidade, já publicado. É o segundo livro da Codificação Espírita e surgiu em 1861, quatro anos depois de O Livro dos Espíritos.

Falamos sobre O Livro dos Médiuns, a notável obra da Codificação, que contém os fundamentos doutrinários do Espiritismo sobre essa faculdade humana que nada mais é do que a do intercâmbio entre o plano daqueles que estão encarnados, e portanto utilizando corpos carnais, e os espíritos, aqueles que já deixaram o mundo físico.

A mediunidade não é exclusividade nem invenção do Espiritismo. Trata-se de uma capacidade humana, estudada e orientada pela Doutrina Espírita, pois que lhe constitui um dos pilares de seus fundamentos. A comunicabilidade dos espíritos liga-se à nossa condição de imortalidade e, sendo que todos somos espíritos, o fato de habitarmos outra dimensão não nos separa dos laços de afeto ou desafeto, daí o permanente intercâmbio entre os planos dos encarnados e dos espíritos.
        
Imagina-se, equivocadamente, que os espíritos são seres envoltos em fumaça ou que aparecem revestindo lençóis esvoaçantes com dois furos no lugar dos olhos. Não! Os Espíritos somos todos nós, filhos de Deus, seres capazes de amar e pensar. Ocorre que utiliza-se a expressão espírito para designar a condição daqueles que virão ao planeta, aliás retornando a ele, ou que dele partiram, mas vivendo intensamente a natural continuidade da vida humana.

Por questão didática, Allan Kardec denominou espíritos os seres desprovidos do corpo carnal e alma para aqueles ligados à existência material. Mas são palavras sinônimas, significando apenas nossa condição de seres individuais e pensantes.
           
Na página de rosto da obra, encontramos Espiritismo Experimental e o subtítulo de Guia dos Médiuns e dos Evocadores, além do acréscimo indicativo do conteúdo da obra: o ensinamento especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, em continuação de O Livro dos Espíritos.
           

Composto de duas partes, sendo a primeira com quatro e a segunda com 32 capítulos, além da esclarecedora introdução, a obra é um desdobramento natural do livro II (composto de 11 capítulos e 538 perguntas e que recebeu o título Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos de O Livro dos Espíritos), justamente ampliando o importante tema da mediunidade, essa capacidade humana que se apresenta em graus distintos, que não é doença, nem privilégio, mas compromisso de trabalho com o próprio aprimoramento e com o progresso da humanidade.
          
É obra para orientar e disciplinar o uso e prática dessa sensibilidade variável e presente em todo ser humano. Por isso deve ser consultada e estudada continuamente, para evitar-se os excessos do fanatismo, da crença cega e mesmo do misticismo que tantas vezes está presente nas referências aos chamados médiuns.
           
Foi através dela que surgiu a Codificação Espírita. É através dela que vieram e continuam a vir as instruções, o consolo e o conforto moral que ilumina a vida, através de textos e verbos lúcidos que nos ajudam a compreender a vida, provindos de inteligências lúcidas e moralizadas que trabalham igualmente pelo bem e pelo progresso.
           
Para entendê-la, todavia, é preciso estudar. Pois que também é usada, quando praticada sem conhecimento, sem discernimento, por mentes invigilantes e descompromissadas com a verdade e com o bem. É quando surge a fraude, o embuste, a exploração. Daí a necessidade de conhecer em profundidade.

           
É nossa indicação da semana. 

28/06/2017

Surpresas que se sucedem – Desejo oculto de Lívia


Orson Peter Carrara
Um novo amigo, de Brasília-DF, abriu-me os olhos para um detalhe aparentemente insignificante e que facilmente passa desapercebido. Depois de ler meu livro Tarefa dos Enxovais – que reproduz e comenta o último capítulo do livro Diversidade dos Carismas, de Hermínio Miranda –, que se reporta aos benefícios advindos das peças dos enxovais para recém-nascidos de mães carentes (não pelas peças mas pelas vibrações de carinho de quem as preparou, com amor, para atender a crianças de pais e mães muitas vezes sem quaisquer recursos de proteção e conforto), escreveu-me sensibilizado e agradecido, contando sua própria história de envolvimento com esse trabalho de atender gestantes em dificuldades materiais.
É que ele ficou muito tocado pela experiência vivida por Wallace Leal V. Rodrigues e narrada no livro Amor e Sabedoria de Emmanuel, de Clóvis Tavares, que ficou tocado por trecho do livro Há 2.000 anos, que revela um desejo oculto de Lívia durante diálogo na prisão com sua servidora Ana, na manhã em que seria sacrificada após ser presa por estar junto aos cristãos, nos primitivos tempos do Cristianismo. Por causa desse trecho, Wallace iniciou trabalho em Matão também para amparar gestantes, como fornecimento de enxovais.  Nosso amigo de Brasília, por sua vez, tocado pela experiência de Wallace, igualmente está envolvido com essa tarefa há alguns anos.
Mas o que é realmente tocante é o trecho do livro de Emmanuel sobre Lívia. Esse trecho está no capítulo V da segunda parte: Nas catacumbas da fé e no circo do martírio. Confidencia Lívia para Ana: “(...) Nos meus anseios, minha boa Ana, desejava adotar todos aqueles petizes maltrapilhos e famintos, que surgiam nas assembleias populares de Cafarnaum; mas meu propósito materno de amparar aquelas mulheres desprezadas e aquelas crianças andrajosas, que viviam ao desamparo, não podia realizar-se neste mundo...Todavia, suponho que hei de realizar os ideais de minha alma, se Jesus me acolher nas claridades do seu Reino (...)”.
Note o leitor que as expressões “petizes maltrapilhos e famintos”, “propósito materno” e “mulheres desprezadas e aquelas crianças andrajosas, que viviam ao desamparo”, bem comportam a semente desse amor e amparo em favor de mães e crianças em situação de penúria material, que Lívia não conseguiria realizar neste mundo (seria sacrificada naquele dia), mas que era seu anseio que pudesse um dia realizar esse sonho, ou desejo oculto de alma, ali revelado para Ana, que tanto a estimava. E que os séculos fariam tornar viável a iniciativa por meio de tantas mãos carinhosas e consciências despertas tocadas pela fraternidade, e, não há dúvidas, inspiradas pelo amor de Lívia.
Foi o que aconteceu com a personagem Regina, do livro de Hermínio, cujas histórias com enxovais muito me sensibilizou; do texto de Emmanuel em Há 2.000 anos que tocou o coração de Wallace, que por sua vez mexeu com a sensibilidade do amigo Maurício Melo, de Brasília, que me escreveu. Inclusive Maurício deu nome Lívia à sua filha.
Não tinha conhecimento da experiência de Wallace, ou não me lembrava. Igualmente não havia me dado conta da confidência de Lívia. E agora o novo amigo de Brasília abre imensa perspectiva de análise e reflexão sobre o importante tema.
Lendo o trecho do livro, bem se pode ter nele a inspiração nobre dessas abençoadas tarefas de auxílio e fraternidade. Aliás, recomendo o livro todo, de imensa beleza para a sensibilidade do leitor. O fato é que vamos nos surpreendendo com os fatos que se ligam e se fecham entre si.

22/06/2017

Providência Divina

Orson Peter Carrara
A palavra providência é muito bem entendida no cotidiano da vida humana, afinal são muitas as providências diárias para alcançar-se determinados objetivos, prevenção contra incidentes ou doenças e mesmo na organização de uma casa, de uma empresa, na vida individual, familiar, coletiva, social. Vários exemplos podem ser citados e são bem conhecidos no sentido da palavra providência.
Acrescente-se, todavia, o adjetivo Divina, como usado na expressão que intitula o texto, e logo se compreende que se trata da Providência de Deus para com suas criaturas, entre elas os seres humanos, uma vez que as criaturas de Deus não são apenas os seres racionais. Isso inclui desde a criação, os cuidados com tudo que criou e a sequência natural da própria vida, onde é clara a atuação permanente e bondosa em favor do equilíbrio, da felicidade e do progresso.
A providência divina é a solicitude (ou os cuidados) de Deus para com sua criação. Considerando que Deus é eterno, imutável, onisciente, onipresente, único, imaterial, soberanamente justo e bom, deduz-se com facilidade que Deus tudo sabe, tudo vê, tudo preside, mesmo às questões mais insignificantes.
Aos nossos olhos limitados, muitas ocorrências podem parecer coincidências ou sorte, mas na verdade os fatos demonstram a ação da Vontade Divina, sempre soberana e justa.
Alguns perguntariam, todavia, como é que Deus permite tragédias ou lamentáveis ocorrências que trazem sofrimento – incluídas as mortes prematuras, acidentes, etc –, mas na verdade o auxílio do Todo-Misericordioso pode estar também na esperança frustrada, na doença prolongada, na carência material, no sonho adiado, na adversidade sem solução imediata, na supressão de possibilidades, entre outras questões que para nossa limitada compreensão significam sofrimentos. Todavia, considere-se que esses fatos enquadram-se na necessidade de aprendizado ou amadurecimento do envolvida com as difíceis questões.
Afinal porque para uns tudo dá certo? E para outros tudo é contrariedade e dificuldade?
Deus seria parcial e caprichoso? Não, isso é coerente com sua grandeza, bondade e sabedoria.
A origem dessas aparentes injustiças está em causas que só Deus conhece realmente.
O fato patente, todavia, é a presença amorosa, cuidadosa do Criador em tudo. As adversidades que enfrentamos são degraus de aprendizados e amadurecimentos.
Nada, pois, de desânimos ou tristezas. Sigamos adiante, sempre confiantes, pois todos somos filhos do Amor de Deus, que tudo providencia para nosso crescimento e felicidade.  E diante dos desafios, considere-se também que muitas aflições poderiam ser evitadas se vivêssemos as leis de amor estabelecidas pelo mesmo Pai de todos nós.
Busque-se conhecer, ampliar o conhecimento. O que sempre me encantou é pensar na grandeza de Deus! Quanto mais se aprende, se amadurece, maior o respeito e a gratidão que brotam espontâneas em direção a Deus. Pela sua grandeza, presença, bondade!



16/06/2017

Aflições, dúvidas, conforto e orientação

 Orson Peter Carrara

As aflições e dúvidas, vindas de várias fontes, constituem desafios contínuos que nos solicitam coragem, serenidade e fé, postura e decisão para tais enfrentamentos. Desde os dramas íntimos, às dificuldades de relacionamentos, aos embates profissionais, as enfermidades e lutas do cotidiano, inclusive os dramas familiares, e mesmo os questionamentos que surgem por motivos variados, trazem preocupações que chegam a afetar a saúde e a harmonia na convivência.
Para todos os casos, porém, existem o conforto e a orientação que podem ser encontradas, desde que queiramos melhorar. Afinal, quando a pessoa não quer melhorar, nós não conseguimos adquirir e saúde e harmonia para ela.

O grande segredo é viajar para dentro, numa auto-análise para identificar a causa daquilo que nos atormenta. Afinal, porque estamos irritados, desequilibrados?
Qual a motivação para tal estado de espírito?
Uma entrevista honesta conosco mesmo nos levará às seguintes indagações, entre outras:
1 – Estamos constantemente irritados e invadidos por sentimentos de desânimo?
2 – Experimentamos algum conflito interior?
3 – Estamos nos sentindo culpados por algo?
4 – Experimentamos sensações desagradáveis, episódios de insônia, interrupção do sono, cansaço ao despertar?

Nesse conjunto de sintomas, podem estar: a) um distúrbio fisiológico, a requerer uma visita ao médico; b) Um distúrbio psicológico, que igualmente solicita procurar ajuda para um aconselhamento com amigos ou ajuda profissional com um psicólogo; c) Uma influência espiritual, a pedir naturalmente uma mudança de comportamento.

Já não ignoramos que nossos pensamentos abrem comportas espirituais que facilitam o acesso de espíritos em desequilíbrio ou perturbados e mesmo desafetos por razões variadas.
Então para beneficiar-se da orientação disponíveis para sentir-se mais confortável e recuperar o conforto da convivência saudável e harmonia interior, algumas dicas:
1 – Orar mais; 2 – Desenvolver o hábito de ler uma página edificante logo de manhã; 3 – Não se deixar perturbar pelos atritos das relações humanas, pois que normais, dada nossas diferenças individuais; 4 – Frequentar o templo de nossa crença; 5 – Beneficiar-se dos recursos da água após orar e pedir auxílio com humildade.

E, ao perceber melhora, manter esse padrão vibratório de elevação, pois afinal não adianta receber aqueles recursos se mantivermos os vícios e comportamentos inadequados. Por outro lado, manter o propósito de melhorar.

O grande segredo é mesmo uma mudança de conduta. Esforço para superar imperfeições e igual esforço para aquisição de virtudes, ler, estudar, pesquisar, interessar-se e comprometer-se com as boas causas humanitárias.

Os recursos espirituais, reais e à disposição de quem os procurar, solicitam que a pessoa busque informações, se interesse pela questão e especialmente modifique o comportamento para diretamente se beneficiar deles. Independente das crenças e dos templos, eles exercem saudável influência sobre a saúde física e sobre o equilíbrio emocional, inclusive afastando indesejáveis presenças espirituais. Mas é preciso a participação daquele que quer ser ajudado. A ajuda sempre existe, mas quem busca deve participar desse processo e o segredo é a adoção de nova postura mental, mais amor no coração, dispensa de rancores e mágoas, demissão da tristeza e disposição para o bem. Tais considerações foram inspiradas no livro Vivências do Amor em Família, organizado por Luiz Fernando Lopes.

08/06/2017

Atribulações

Orson Peter Carrara
A palavra bem define os dias atuais. Todos corremos contra o tempo, atribulados com o acúmulo de afazeres e numa análise geral, não conseguimos dar conta dos compromissos, que se adiam, ficam comprometidos ou até esquecidos.
Isso ocorre na esfera individual e coletiva, haja visto o volume de providências diárias com enorme gama de assuntos e, seja por negligência, incapacidade ou limitações de todo gênero, acabam desdobrando-se em consequências outras que exigirão novas providências e reparos de alto custo, não só financeiros como morais e mesmo psicológicos e emocionais, sem falar dos prejuízos decorrentes. Observe-se, por exemplo, os acúmulos de lixo ou sucata, sem quaisquer providências, abandonados, gerando doenças e ambientes de prostituição ou de vandalismo. E isso é apenas um exemplo material. Transfira-se a questão para o aspecto moral. O fato real, entretanto, é que as atribulações desviam os focos essenciais.
O mais interessante, porém, é que muitas delas poderiam ser evitadas. Ocorrem por força de nossos comportamentos ainda egoístas, gananciosos ou negligentes.
A definição da palavra já indica a questão: aflição, sofrimento moral, acontecimento desagradável, agrura, adversidade.
Naquelas que não podem ser evitadas, todavia, e resultantes dos testes de aprendizados e amadurecimento, vale recordar que nesse programa de aperfeiçoamento moral que devemos abraçar continuamente, o pensamento de Emmanuel no livro Abrigo, é marcante. Reproduzo alguns trechos parciais do extraordinário capítulo com o mesmo título Atribulações:
  1. Se há crentes aguardando vida fácil, privilégios e favores na Terra, em nome do Evangelho, semelhante atitude deve correr à conta de si mesmos. Jesus não prometeu prerrogativas aos seus continuadores;
  2. Asseverou que os discípulos e seguidores teriam aflições e que o mundo lhes ofereceria ocasiões de luta, sem esquecer a recomendação de bom ânimo;
  3. Se o Mestre aludiu tanta vez à necessidade de ânimo sadio, é que não ignorava a expressão gigantesca dos serviços que esperavam os colaboradores;
  4. A experiência humana ainda é um conjunto de fortes atribulações, que costumam multiplicar-se à medida que se nos eleve a compreensão;
  5. Responsabilidades e compromissos envolvem sofrimentos e preocupações;
Peço ao leitor refletir sobre os itens acima, especialmente no item “d” acima. Elas tem grande utilidade para nosso amadurecimento, no enfrentamento das adversidades que nos conferirão imensos aprendizados e experiência. Por isso concluir aquele autor: “(...) porém tenhamos fé e bom ânimo. Jesus venceu o mundo.”

E, claro, agora podemos dizer de nós mesmos: tratemos de nos organizar para evitar as atribulações que podem ser evitadas e aprendamos administrar aquelas que não podem ser evitadas.