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17/10/2018

Seja por omissão ou por ação




Sobre a atualidade do Brasil, em situações que todos estamos incluídos, seja por omissão ou por ação, pensemos juntos:

a) A moral é a regra para se conduzir bem, quer dizer, a distinção entre o bem e o mal (...) O homem se conduz bem quando faz tudo em vista e para o bem de todos, porque, então, ele observa a Lei de Deus.
b) O bem é tudo aquilo que está conforme a lei de Deus e o mal tudo aquilo que dela se afasta (...)
c) (...) O mal depende da vontade. Pois bem! O homem é mais culpável, à medida que sabe melhor o que faz.
d) O mal recai sobre aquele que lhe é causa. Assim, o homem que é conduzido ao mal pela posição que lhe é dada pelos seus semelhantes, é menos culpável que aqueles que lhe são a causa, porque cada um carregará a pena, não somente do mal que haja feito, mas do que haja provocado.
e) Aquele que não faz o mal, mas que aproveita do mal feito por outro, é culpável no mesmo grau? É como se o cometesse; aproveitar é participar. Talvez tenha recuado diante da ação. Mas se encontrando-a pronta ela a usa, é que aprova e que o faria ele mesmo se pudesse, ou se ousasse.
f) (...) há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se deseja, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo, porém, se o que falta é apenas ocasião, então é culpável.
g) (...) É preciso fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um responderá por todo mal que resulte do bem que não haja feito.
h) Não há ninguém que não possa fazer o bem. Só o egoísta não encontra jamais a oportunidade. Bastará entrar em relação com outros homens para encontrar ocasião de fazer o bem, e cada dia da vida dá oportunidade a qualquer que não esteja cego pelo egoísmo, porque fazer o bem não é só ser caridoso, mas ser útil na medida de vosso poder, todas as vezes que vosso concurso pode ser necessário.
i) O mérito do bem está na dificuldade. Não há mérito em fazer o bem, sem trabalho, e quando nada custa (...)


Que clareza e atualidade para nossos dias! É a grandeza do pensamento espírita! Tais transcrições foram feitas parcialmente de O Livro dos Espíritos, questões 629 a 646, que desejamos indicar ao leitor para leitura e estudo integrais do conteúdo. Veja que nos enquadramos perfeitamente na situação complexa do país, como eleitores, eleitos ou meros cidadãos e diante do uso que estamos fazendo de nossas possibilidades frente às opções e escolhas que possamos fazer nas mais diferentes situações. Embora o texto não seja específico para política note o enquadramento perfeito da situação atual vivida pelo país.

10/10/2018

Russell Crowe


O excelente ator cujo nome intitula o presente artigo é também produtor de cinema neozelandês. Depois do sucesso inicial na Austrália, onde sua família mora desde sua infância, tornou-se um ator de Hollywood no meio da década de 1990; ele ganhou o Oscar de Melhor Ator em 2001 por Gladiador, talvez um de seus mais famosos filmes. Mas são ótimos os filmes onde seu nome aparece como Uma mente brilhante e Os miseráveis, entre outros.

Pois pude ver também o belíssimo filme Pais e filhas, lançado no Brasil em 2016.  Uma produção sensível, envolvendo sentimentos e conflitos familiares. Na sinopse da produção vamos encontrar que um novelista mentalmente instável tenta criar sozinho a filha de cinco anos. Vinte anos depois, a garota cuida de crianças com problemas psicológicos e ainda tenta entender sua complicada infância. Mas o filme traz muito mais que isso e faz pensar nos dramas humanos, nas instabilidades emocionais a que nos sujeitamos e os desdobramentos na vida adulta, especialmente quando os dramas são vivenciados na infância, como é o caso da personagem que viveu a morte da mãe e algum tempo depois também a do pai, que igualmente enfrentava suas próprias dificuldades.

A produção bem reflete o cotidiano humano e suas lutas. Contenho-me aqui. Desejo despertar a curiosidade do leitor para que também veja o filme, disponível no Netflix.
Gosto de oferecer essas dicas. Indicar bons filmes é também uma forma de despertar sentimentos e desfocar nossas preocupações e neuroses do dia a dia para que nos lembremos da fragilidade humana, inclusive as nossas, para que aprendamos a compreender, a não julgar, e especialmente a desenvolvermos a solidariedade uns com os outros.

Nesses tempos difíceis da humanidade, o sentimento é a grande chave para superação das adversidades que se apresentam sem cessar, desafiando-nos ao aprendizado e à maturidade, que ainda precisamos conquistar.

A maturidade, que vem com a vivência das experiências, nos fará mais fortes, nos fará agir com mais fraternidade, nos ensinará a amar. Amar, aliás, é o objetivo a que todos nos destinamos. Não é por outra razão os enfrentamentos vários que todos nos vemos, continuamente. Eles têm um fim didático. Estejamos abertos à sensibilidade, não nos deixemos petrificar pelos interesses menores da vaidade ou da ganância... esses nada oferecem e só fazem sofrer. A vaidade, a ganância, a prepotência e mesmo as tolas pretensões, todas filhas do orgulho e do egoísmo, são ilusões que só trarão lágrimas e arrependimentos, que nos aguardam no futuro, como desdobramentos desses comportamentos infelizes.

Ao contrário, a busca constante das virtudes trará lutas sim, mas especialmente alegrias que um dia saberemos reconhecer e validar como esforços autênticos que nunca podem ser desprezados.
Por isso, amigo ou amiga, veja o filme....

02/10/2018

O momento do país e as eleições


A propósito do momento grave do país e as eleições, permito trazer ao leitor algumas considerações:
a) Vivemos um processo de guerra. Não de armas, mas de ideias, de justas discordâncias e questionamentos oportunos. Objetivo final é a liberdade e o progresso, não há dúvidas, em toda expansão que as duas palavras permitem e alcançam;
b) Se pensarmos bem, cada um de nós traz consigo uma tarefa comum: instruirmo-nos mutuamente, ajudar no progresso coletivo e melhorar nossas variadas instituições;
c)    A liberdade é o direito de proceder conforme nos pareça adequado com a ressalva de que esse direito não vá contra o direito alheio; também é a condição humana necessária para cada um construir seu destino, individual ou coletivamente;
d)    O progresso, por sua vez, é o desenvolvimento, o movimento progressivo da civilização ou a marcha e movimento para diante, ou ainda a caminhada para um estado de coisas cada vez mais de acordo com a justiça e a razão. Ele também pode ser classificado como a aplicação das leis que realizem a maior soma de ordem, bem-estar, liberdade e fraternidade; podemos até definí-lo ainda como a extensão da liberdade.
e) Para sermos verdadeiramente coerentes, no uso do inevitável progresso, é preciso nos libertarmos da escravidão da ignorância e das baixas paixões ou apetites vulgares, educando-nos moralmente com a aquisição de virtudes ou aprimorando-as.

Essas considerações nos fazem pensar no momento histórico do país, face à corrupção a abusos morais de toda ordem num país de extensão continental, com um povo aberto e fraterno, solidário. O nível de amadurecimento da mentalidade humana já não aceita mais – e nem combina – a corrupção, a desonestidade, a omissão ou os desvios morais de toda ordem. Vivemos um novo tempo, de progresso e liberdade.

Afinal, desde que haja duas pessoas juntas, ambos têm direitos a respeitar e já não possuem liberdade absoluta. Por outro lado, sempre temos, individual ou coletivamente, o poder da escolha e somos sempre senhores da capacidade de ceder ou resistir às tentações de toda ordem e às paixões que desequilibram a individualidade ou a própria sociedade.

E há que se considerar que o dever – definido pelo dicionário como aquilo que precisa ser feito – convida-nos ao bem e ao progresso e esta atitude de agir e não permanecer na indiferença ou na omissão pode evitar o mal decorrente do não comprometimento com as boas causas – único objetivo da vida –, sobretudo aquele que poderia contribuir para um mal maior em prejuízos mais abrangentes para a coletividade.

O excesso do mal em andamento – em todos os sentidos, desde a corrupção, à violência ou omissão de governos e governados – faz compreender a necessidade do bem e das reformas nas leis, nos hábitos, nos costumes.

Vamos percebendo com clareza que os maiores obstáculos ao progresso e, por consequência, da liberdade humana, são o orgulho e o egoísmo. Note-se a definição de ambos para constatar essa afirmação: a) orgulho: manifestação de alto apreço ou conceito que alguém se tem; b) amor exclusivo a si mesmo e aos interesses próprios, em detrimento aos interesses alheios.

Já é tempo de despertar. O voto deve ser no interesse da coletividade, não no interesse pessoal. Quando vamos efetivamente aprender isso? Se votamos por interesse, estamos agindo contra a harmonia que deve reger a vida.  Como nos dividir por partidos ou pessoas, quando o interesse maior é coletivo? As tragédias atuais do Brasil são frutos de nossa omissão, de nossa indiferença, de nossa falta de patriotismo, de civismo, da ausência de noção da cidadania, e total desrespeito pela solidariedade. Os interesses egoísticos ainda nos orientam, daí o sofrido quadro do país.

Será de muita oportunidade ler novamente a letra do Hino Nacional, e cantá-lo, claro. A letra é inspiradíssima nesse ideal de paz e fraternidade que desejamos construir para o país. Inclusive destacando o respeito que devemo-nos uns aos outros. Estejamos nós como governados ou governantes. Não importa. Somos os mesmos seres humanos, necessitados todos da consciência de agir com bondade e justiça.

Tais considerações, de precisão cirúrgica para o atual momento do Brasil, estão baseadas em O Livro dos Espíritos, especialmente nos capítulos Lei de Liberdade e Lei do Progresso e também em Léon Denis. Impressionante a precisão, clareza e atualidade das questões desses dois importantes capítulos da obra básica. Fizemos pequena adaptação das respostas dos espíritos para compor a presente abordagem, mas a fonte das ideias lá está, clara e disponível para todos.

A escolha e voto de nosso candidato deve ser consciente, no interesse da Pátria, nunca por paixão ou no interesse pessoal.

29/09/2018

Feito histórico e inédito

No fim de semana de 22 e 23 de setembro de 2018, vivemos em Matão-SP o evento comemorativo dos 150 anos de nascimento de Cairbar Schutel. O evento, que é anual e leva o nome do benfeitor, viveu sua 8ª. edição e no presente ano coincidiu com a efeméride do sesquicentenário.

A edição de 2018 bateu todos os recordes em participação no número de pessoas (em torno de 930 pessoas, de 6 estados, de 88 cidades), e alcançou alto nível de entrosamento da equipe trabalhadora distribuída pelos vários setores de ação, fluindo com leveza e harmonia, e praticamente sem falhas, o que felicita toda a equipe, gerando imensa gratidão.

Mas o registro aqui é outro, pós considerações iniciais para situar o leitor.

O feito histórico na data marcante, com decênios fechados e exatamente na data do nascimento (22 de setembro 1868 – 2018) foi o fato de dois lançamentos específicos sobre o legado do grande Schutel.

Ambos os autores estrearam no lançamento de seu primeiro livro, ambos são jornalistas – e se formaram em épocas diferentes – e os livros se completam. Um abordou os antecedentes de Schutel e outro falou da era pós Schutel, na continuidade da editora por ele fundada.

A grande coincidência, porém, ficou por conta do lançamento das obras no ano do sesquicentenário, em Matão (na terra onde laborou o seareiro), por duas editoras distintas (que juntaram esforços e deram as mãos na divulgação, o que não é comum), sem qualquer planejamento anterior – embora, claro, quando  exibição de ambas as capas, com os dois autores sendo entrevistados em noite de percebido o fato, seguiu-se um planejamento –, e lançando no evento, com pré-abertura e também no próprio evento onde puderam falar de suas obras. E lado a lado, já que as obras tiveram promoção exclusiva no próprio evento, e tudo isso num evento promovido por instituição distinta das duas editoras. Foi mesmo um fato marcante, histórico, inédito. E ambos autografaram seus livros, estavam juntas apresentadas por uma fita comum que os embalavam e identificava junto ao lançamento no evento.

Para informação do leitor os livros são O SOM DA NOVA ERA (de Cássio Carrara, pelo Clarim) e O IMORTAL CAIRBAR SCHUTEL (de David Liesenberg, pelo IDE).

Não é realmente um fato belíssimo? De união! De esforços comuns, que tanto desejamos.

Parabéns às editoras pelo espírito de união marcante! E, claro, aos autores também pelo belo trabalho num ano tão marcante da histórica. 

Veja as fotos do evento AQUI


06/09/2018

Brasil, Brasil, Brasil!



O planejamento de nossa atual encarnação, cuidadosamente elaborado pelos benfeitores espirituais, permitiu-nos renascer no Brasil, a querida Pátria que nos acolhe. A história do país, na colonização, nos embates para a construção da democracia e mesmo nos gigantescos desafios da atualidade – onde se incluem a violência e o tráfico, o contraste entre os interesses de variadas ordens e a corrupção, entre outros itens dispensáveis de serem citados –, também apresenta os benefícios de um povo aberto, feliz, descontraído, ardente na fé e na disposição. É nosso querido Brasil, gigantesco em proporções geográficas e na diversidade que se apresenta em todos os aspectos! Bendita pátria!
Por outro lado, o país acolheu a Doutrina Espírita como nenhum o fez. Das sementes germinadas em solo francês, foi aqui que a grande árvore do conhecimento se fez gigante como o próprio país continental. E nós temos a felicidade de conhecer essa Doutrina maravilhosa que inspira ações de caridade – em toda a extensão da palavra –, convivência fraterna e amiga por toda parte. Apesar das dificuldades e limitações humanas que são nossas, individuais e coletivas, ele, o Espiritismo, espalhou e espalha seus frutos pelas mentes e corações que o buscam ou são beneficiados por sua imensa luz.
Estamos no mesmo país que recebeu o cognome de Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, justa e coerente adjetivação para um povo ameno, solidário, apesar das lutas próprias de nossa condição humana. É aqui que as variadas expressões religiosas se manifestam para conduzir mentes e corações; é também nessa terra querida que nasceram ou renasceram almas que conhecemos sob os abençoados nomes de Irmã Dulce, Zilda Arns, Chico Xavier, Divaldo Franco, Dr. March, Dr. Bezerra de Menezes, entre tantos outros ilustres filhos que lhe dignificam o nome, sendo impossível citar todos e mesmo especificá-los por área, tamanha a variedade e quantidade de benfeitores que aqui vieram e ainda aqui vivem.
Setembro lembramos a Pátria, desde os tempos escolares. Setembro também normalmente estamos às vésperas das eleições, como ocorre agora em 2018. Isso lembra responsabilidade, comprometimento, ética. Afinal, temos um compromisso com o país, com a coletividade brasileira. Qualquer cidadão está comprometido com a segurança, com os valores do país, com a obrigação moral da retidão e da gratidão, que se estendem por ações em favor do bem comum. É o dever! Não apenas um dever cívico, mas o dever moral para conosco mesmo e para com o próximo, como indica o Espírito Lázaro em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Aliás, lembrando a Codificação Espírita, há que se ater às Leis Divinas, didaticamente apresentadas pelo Codificador em O Livro dos Espíritos. Leis que baseiam-se no amor, diga-se de passagem, mas igualmente são justas e misericordiosas.
Por tudo isso, a reflexão sobre nosso papel de brasileiros perante a Pátria Brasileira inclui-se igualmente no dever, ainda que apenas por gratidão pelo país que nos acolhe, garantindo-nos a paz desse foco irradiador de trabalho e fé que é o Brasil. Tamanho compromisso dispensa corrupção, egoísmo e tolas vaidades. Pede-nos, isso sim, trabalho e dignidade, exatamente pelo alto compromisso que todos temos com a vida e seu significado. O que significa, em termos de eleições para outubro próximo, o compromisso com a decência e a escolha consciente sem outros interesses que não os da coletividade.
Mas, para a família espírita nacional e internacional, setembro tem ainda outro grande significado em todo esse contexto. Comemora-se o nascimento de Cairbar Schutel, que nasceu no dia 22, no ano de 1868, no Rio de Janeiro, instalando-se em Matão, no interior paulista, para ficar conhecido mais tarde como o Bandeirante do Espiritismo, justamente por essa consciência clara de compromisso com o bem. Matão, inclusive, realiza em setembro, o Encontro Cairbar Schutel, justamente para homenagear seu mais ilustre cidadão, em todos os tempos. Neste ano, com o diferencial marcante dos 150 anos de nascimento.
Esses exemplos todos, dentro e fora do movimento espírita, de grandeza moral, de trabalho em prol do bem coletivo, aliados ao compromisso coletivo do país com o fornecimento de bases espirituais sólidas para a humanidade, como já vem ocorrendo, motiva-nos a trabalhar mais e mais. Repare o leitor atento que, quando ouvimos o Hino Nacional, a emoção nos envolve completamente. É o sentimento de compromisso com a missão da Pátria que integramos. O renascimento no país não é obra do acaso. Indica comprometimento e programação sabiamente elaborada. Saibamos respeitar e cumprir o que antes prometemos.
O Brasil tem grande papel a exercer junto à Humanidade. Filhos dignos, espíritos preparados e nobres estão sempre presentes como autênticos faróis a conduzir a coletividade. Sejamos daqueles que honram nossa condição humana e brasileira! Exemplos não faltam.
Por gratidão, ao menos, ao querido e grandioso Brasil! Lembremo-nos: o planeta construído por Jesus teve na mente e planejamento do Mestre da Humanidade a inclusão desse país incomparável, onde germinam as doces brisas do Evangelho.

01/09/2018

Os amores, os afetos, nunca se perdem

Novamente trago ao leitor a indicação de um bom filme. É o filme O orfanato. Misturando drama e suspense, mas com uma mensagem embutida muito emocionante. A sinopse do filme indica: Laura (Belén Rueda) passou os anos mais felizes de sua vida em um orfanato, onde recebeu os cuidados de uma equipe e de outros companheiros órfãos, a quem considerava como se fossem seus irmãos e irmãs verdadeiros. Agora, 30 anos depois, ela retornou ao local com seu marido Carlos (Fernando Cayo) e seu filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. Ela deseja restaurar e reabrir o orfanato, que está abandonado há vários anos. O local logo desperta a imaginação de Simón, que passa a criar contos fantásticos. Entretanto à medida que os contos ficam mais estranhos Laura começa a desconfiar que há algo à espreita na casa.

Com uma hora e quarenta minutos, a produção exalta a imortalidade da alma e a permanência do amor entre os seres. Apesar dos exageros próprios, é interessante pensar na mensagem final do filme, que em alguns pontos assemelha-se a outra produção no mesmo gênero: Os Outros. 

E o bom mesmo é pensar no filme aplicando o raciocínio da imortalidade, dos relacionamentos, da determinação e da fé. É mesmo uma busca intensa o que faz a mãe em relação ao filho. Mas isso vou deixar ao leitor descobrir.  

O filme está inclusive disponível na Internet. Não deixe de ver. 

 O leitor vai se deparar com o sempre empolgante tema da vida depois da morte. A produção desperta a reflexão sobre as sempre presentes questões: para onde vamos, quem vai nos receber, onde estaremos, com quem? Como a boa lógica e o raciocínio indicam a continuidade natural da vida após o decesso do corpo, é bom ver um filme assim, pois faz pensar. Estimula, inclusive, a busca por leitura específica. 
 A cena mais emocionante do filme está, como de se esperar, no final, demonstrando a naturalidade do que realmente somos: criaturas imortais, o que permite que os afetos, os amores, nunca se percam, nem sejam destruídos os laços que ligam as criaturas humanas. E a naturalidade disso é demonstrada com muita competência. Claro que, na produção de um filme, como citei acima, os exageros estão inclusos, mas o que fica mesmo em destaque são os sentimentos que despertam. 

Veja o filme, leitor. Vai lhe fazer bem.

22/08/2018

Amanhã eu faço!

Ele mesmo declarou que sua maior imperfeição moral era a preguiça. Ao final da existência, lamentou-se do péssimo hábito de tudo deixar para amanhã. Não levava adiante as providências em andamento, preferia adiar compromissos, sempre se atrasava em tudo e não percebia que seus atrasos prejudicavam terceiros, traziam aflições a quem dele dependia e que o maior lesionado de suas atitudes negligentes era ele mesmo.
Chamava-se João e o “amanhã” foi acrescentado como apelido. Ficou conhecido, pois, com o nome de João Amanhã. Todos conheciam aquele homem que sempre apresentava desculpas, muitas delas bem esfarrapadas, para justificar atrasos ou não cumprimento dos mais elementares deveres, o que trouxe muito sofrimento para seus pais, durante toda a vida. Na verdade, porém, os pais foram os maiores responsáveis pelo adulto negligente, pois não o corrigiram na infância, concordando com sua costumeira indolência.
A mãe tentou corrigi-lo na adolescência, entregando-o aos cuidados de um tio muito trabalhador e disciplinado que viajava muito. O rapaz o acompanhou, mas alguns meses depois recebeu comunicado da mãe para que voltasse, face à enfermidade que acometera o pai. O rapaz deixou para viajar no dia seguinte, como de hábito em tudo que fazia. Por força do adiamento, no dia seguinte, o veículo coletivo sofreu avaria causando considerável atraso na viagem. Indiferente com o reparo, resolveu adiar novamente a viagem, para o próximo dia. Quando conseguiu chegar o pai já havia morrido.
Mas não foi só. Um outro tio, solteiro, solicitou sua presença para cuidar de seus negócios – face a impedimento inesperado – e ele novamente viajou. Deixou a namorada e prometeu voltar assim que possível. Seis meses depois, em virtude de adiamentos sucessivos, quando tentou voltar, novamente perdeu o veículo coletivo que o traria de volta. No dia seguinte, quando viajaria, amanheceu enfermo e impossibilitado de viajar. Com isso, até se recuperar foram mais de três meses. Numa época em que ainda não havia telefones, ficou de escrever para a mãe e para a namorada, mas sempre deixava para o dia seguinte. A mãe a namorada acharam que ele tinha morrido, em face da ausência de notícias. A mãe enfermou e a namorada decidiu ir para o convento.
Quando chegou, um ano depois, a mãe havia morrido. A noiva, surpreendida pela volta do namorado, e agora já com votos religiosos, suicidou-se.  Ele, por sua vez, por negligência contumaz, após a morte da mãe, foi sucessivamente perdendo os próprios bens e os recursos básicos de sobrevivência. Transformou-se num mendigo, passou fome e vivia da caridade alheia, sem movimentar-se para nada. Quando solicitava esmolas para comer, diziam-lhe: você não comeu hoje, comerá amanhã. Morreu de fome, abandonado. E até seu corpo ficou insepulto naquela noite, pois os coveiros – numa tarde de chuva torrencial – disseram uns para os outros: deixemos para amanhã, como ele sempre fazia…
A vida é dinâmica e pede iniciativa, providências contínuas que nos preservem de enfermidades e nos garantam o sustento e o equilíbrio da própria existência. Entregar-se a atitudes irresponsáveis como a preguiça é um grande mal.
Observemos se nossos comportamentos não geram aflição para os outros, se nossos adiamentos e atrasos não prejudicam outras iniciativas e decisões. Nossas costumeiras pendências, alimentadas e mantidas, não se enquadram no triste exemplo acima, guardadas as devidas proporções?

Quando nos atrasamos com compromissos, quando não respondemos a alguém que nos aguarda, quando não damos notícia ou quando mesmo não cumprimos nossos compromisso e deveres, estamos lesando alguém. Quando não respeitamos horários e permanecemos

Amanhã eu faço!


16/08/2018

Diminuta semente


Em visita em indústria alimentícia, deparei-me com o grão de mostarda. Pequenino grão, diminuta semente, no entanto comparada por Jesus para falar sobre a força da fé.
Ao ter o diminuto grão na palma da mão, lembrei-me dos ensinos do Mestre da Humanidade e emocionei-me com as lições profundas e sábias daquele que é a Luz do Mundo! Somente sua imensa sabedoria poderia mesmo fazer referida comparação.
Ele afirmou que se tivermos fé do tamanho do grão de mostarda somos capazes de remover os obstáculos da vida nas montanhas do orgulho, da vaidade, do ciúme e de tantas imperfeições que todos trazemos. Mas também o mesmo pequenino grão se existente daquele tamanho no coração como inspiração para a iniciativa e a perseverança, comparado para dizer da força da fé, é capaz de superar as lutas, as enfermidades e manter serenidade e confiança no amparo que nunca falta para estarmos com a cabeça erguida e prosseguindo nossos projetos de aperfeiçoamento.
O mesmo grão, utilizado por Jesus para falar da força moral de levantar-se diante da adversidade, vale igualmente para os projetos de realização e iniciativa pessoal ou coletiva. A fé é aquele elemento vital para as realizações em todas as áreas, não apenas moral. Sim, porque quem tem fé movimenta forças à sua volta e faz acontecer os projetos que alimenta antes no ideal e na mente.
Afinal, seria interessante perguntar: o que é fé?
Fé é confiança nas próprias forças, é sabedoria para escolher o melhor caminho, é igualmente a certeza de atingir determinado objetivo. Acompanhemos o comentário de Allan Kardec: “É certo que, no bom sentido, a confiança nas próprias forças torna-nos capazes de realizar coisas materiais que não podemos fazer quando duvidamos de nós mesmos. (…) As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, em uma palavra, que encontramos entre os homens, mesmo quando se trata das melhores coisas. Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas, são outras tantas montanhas que atravancam o caminho dos que trabalham para o progresso da humanidade. A fé robusta confere a perseverança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas. A fé vacilante produz a incerteza, a hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater; ela nem sequer procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade de vitória. Noutra acepção, considera-se fé a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, a certeza de atingir um objetivo. Nesse caso, ela confere uma espécie de lucidez, que faz antever pelo pensamento os fins que se têm em vista e os meios de atingi-los, de maneira que aquele que a possui avança, por assim dizer, infalivelmente. Num e outro caso, ela pode fazer que se realizem grandes coisas. A fé verdadeira é sempre calma. Confere a paciência que sabe esperar, porque estando apoiada na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao fim. A fé insegura sente a sua própria fraqueza, e quando estimulada pelo interesse torna-se furiosa e acredita poder suprir a força com a violência. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança, enquanto a violência, pelo contrário, é prova de fraqueza e de falta de confiança em si mesmo (…)”.
E Jesus compara a força da fé, capaz de remover gigantescos obstáculos, com o diminuto grão de mostarda. Quanta sabedoria! Pensemos mais nesta notável comparação e movimentemos nossas forças para realizarmos o melhor a nosso alcance. Somos capazes!