17/08/2017

Decisão que vamos optar

por Orson Peter Carrara

A clareza e objetividade de Kardec impressionam, seja pela sua atualidade, seja pela lucidez com que apresenta o pensamento espírita e seus desdobramentos, nas variadas situações do cotidiano ou nas conquistas intelecto-morais que vamos alcançando pelo amadurecimento natural da própria evolução.

Frases curtas, expressões compactas, parágrafos altamente esclarecedores, raciocínios lógicos, todos embasados numa construção perfeita que une o texto, o raciocínio, o alto senso de justiça e bondade, aspectos históricos sempre envolvidos e, claro, direcionados para aspectos que construam a mentalidade humanitária e cristã, à luz da Revelação Espírita.

Isso está em toda a obra da Codificação, nas obras complementares e na Revista Espírita. Interessante
porque, cada pensamento, texto, frase ou raciocínio do Codificador tornam-se facilmente fonte inesgotável para abordagens verbais ou escritas, temas para estudo ou pesquisa. É realmente o fruto de um espírito genial, comprometido com as causas de progresso da Humanidade. Não é ao acaso que organizou a Revelação dos Espíritos. Uso um exemplo simples, para indicar essa grandeza de conteúdo.

No capítulo XXVIII – Coletânea de Preces Espíritas, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 20 – Para pedir força de resistir a uma tentação, informa Kardec*: “(...) Devemos, ao mesmo tempo, imaginar o nosso anjo da guarda, ou Espírito protetor, que, de sua parte, combate em nós a má influência, e espera com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em fazer o mal é a voz do bom Espírito que se
faz ouvir pela consciência. (...)”.

O destaque na frase foi dado pelo próprio Kardec. O tema aborda a questão dos maus pensamentos, da influência malévola de alguns espíritos perturbados ou perturbadores e mesmo de nossas próprias más tendências, mas também da presença do anjo guardião que nos ampara e a quem podemos recorrer. Como se sabe, no capítulo em referência, Kardec apresenta comentários compactos e extraordinários a diversas situações em que a prece pode ser usada, complementando com pequenos modelos de prece para auxiliar o raciocínio na questão. Mas seus comentários pessoais são de beleza inquestionável. Inclusive, o referido item encontra-se no subtítulo Preces por si mesmo, iniciando-se com a citação dos anjos guardiães e espíritos protetores, daí a indicação aqui constante.

Convido, portanto, o leitor, a refletir sobre o exemplo simples da transcrição constante da já citada obra básica: a da espera pelo espírito protetor, com ansiedade, da decisão que vamos tomar.

Sim, isso é abrangente, notável. Afinal, apesar da assistência que todos recebemos, continuamente, os benfeitores respeitam nossas decisões e esperam que escolhamos os caminhos do equilíbrio e do acerto. Mas respeitam, se optarmos por caminhos desastrosos, daí a ansiedade citada pelo Codificador, porque sabem que é por meio desses equívocos das decisões e opções, durante a vida, que amadurecemos e aprendemos a viver, nos relacionamentos e nas decisões próprias do cotidiano. Apesar de nos assistirem, eles aguardam os caminhos que optamos seguir. Percebemos, com clareza, a abrangência que o assunto propicia. Convido o leitor a buscar o item em referência e estudá-lo na íntegra.

É assim a Doutrina Espírita: inesgotável nas possibilidades de aprendizado.

*308ª. edição IDE - Instituto de Difusão Espírita, Araras (SP), de fevereiro de 2005, tradução de Salvador Gentille.

10/08/2017

Uma prova de amor

– Orson Peter Carrara
Vi já há algum tempo o filme Uma prova de amor, com Cameron Diaz, que agora revi. Belo filme, que merece nossa atenção. Trata-se de comovente drama familiar envolvendo um caso de leucemia num dos filhos. Realmente, o título justifica o conteúdo. É mesmo uma prova de amor que comove pela sinceridade e reflexões pertinentes. Não deixe de assistir. Vai lhe fazer enorme bem ao coração. Não vou aprofundar detalhes, deixando ao leitor descobrir as próprias emoções durante a exibição.
A enfermidade faz pensar no sentido de viver. Ela nos leva a repensar o comportamento, os rumos que damos às decisões e igualmente revela a fragilidade que todos portamos, especialmente diante de doenças terminais.
Foi interessante ter visto o filme numa época em que abordava com frequência o tema Por que adoecemos? em minhas palestras. Motivado pelos livros Por que as pessoas ficam doentes? (de Darian Leader e David Corfield –edição Best Seller) e A doença como caminho (Thorwald Dethlefsen e Rudiger Dahlke – edição Cultrix), a temática continua despertando grande interesse e surpreendeu-me pelo vasto campo que propicia de pesquisa e abordagem.
O foco da abordagem tem sido sobre os prejuízos causados à saúde pelos sentimentos e pensamentos, mais que por oscilações de temperatura, vírus e bactérias. Já não é novidade que mágoas e ressentimentos, inveja e ciúme, arrogância e vaidade são causa de muitas enfermidades. Se algumas doenças trazemos conosco na bagagem, fruto de equívocos e experiências negativas do passado, outras se desenvolvem pelos maus hábitos alimentares ou negligência com as necessidades corporais, mas a grande maioria deles são oriundas, dos pensamentos e sentimentos. Medos, mágoas, condicionamentos, neuroses, inveja e ciúme causam mais danos à saúde que vírus, bactérias e o próprio envelhecimento natural.
No caso do filme, trata-se de uma bagagem trazida e não dos prejuízos por sentimentos, pelo menos não no presente, mas possivelmente no passado, mas a realidade é que o tema saúde está no ar. Revistas e livros, filmes, programas e séries de TV tem abordado o assunto com constância.
Em essência tudo isso é um amadurecimento da mentalidade humana que já percebe, em termos gerais, que precisamos melhorar os sentimentos. Rancor e vingança causam mais prejuízos do que vírus e bactérias. Melhor que aprimoremos os sentimentos desde já, estendendo compreensão e tolerância uns aos outros para que construamos um futuro de equilíbrio, serenidade e, claro, saúde! Muito melhor optar pela coragem, pela esperança e pela fraternidade, ao invés da opção equivocada da inveja, do ciúme e do rancor.
Isso tudo pode começar por uma atitude simples: suprimirmos de nossa vida a conhecida fofoca e usarmos mais o sorriso sincero, a gratidão pela vida, e a preciosidade de uma virtude muito esquecida, a amizade – que pode ser enriquecida pelo bom humor, pelo bom ânimo e pela vontade. Veremos prodígios na própria vida...

02/08/2017

É só querer!

Orson Peter Carrara 

O exercício da vontade é o agente impulsionador na alteração das circunstâncias e fatos. É preciso ter vontade, querer, modificar estados emocionais depressivos para que todo o panorama interior e exterior comece apresentar os efeitos desse esforço. É comum que nos fechemos em pontos de vista sombrios, fixados no desânimo, na tristeza, no desprezo ou indiferença, na desconfiança ou no descrédito da própria capacidade em vencer obstáculos.

O simples fato de acreditar-se incapaz já é fator determinante de fracasso. A primeira postura é, pois, de confiança em si mesmo. Acreditar, confiar, pensar de maneira positiva, por sua vez, igualmente é fator determinante para que se alterem as circunstâncias.


O fato de confiar e querer altera nossa maneira de pensar, de ver e analisar os fatos. E isso facilita o andamento melhor dos acontecimentos e a superação dos obstáculos.

Portanto, é só querer. Com um detalhe: é preciso saber querer. Afinal, esse querer tem que ser compatível com o tempo, o bom senso e a lógica. É comum que exageremos nas opiniões; é comum que nos deixemos vencer pela ansiedade, pelo medo ou pela precipitação... Até que uma certa dose de ansiedade e medo são salutares, defendendo-nos. Mas, existem comportamentos ansiosos que são extremamente danosos à serenidade que se busca.

Timidez, medo, complexo de inferioridade ou superioridade, insegurança chegam até a ser comportamentos normais, face à nossa condição humana. Tudo que é novo ou traz mudanças causa isso. O segredo está, porém, na administração da situação para superação desses desafios.

Aceitar-se a si mesmo, amar – principalmente a si mesmo igualmente –, ponderar com critério as situações, analisar com calma, saber esperar, refletir, são as atitudes recomendáveis. Todos somos capazes e detemos potencialidades imensas, interiormente. Mas é preciso querer. Sim, querer desenvolver-se, querer aprender, querer libertar-se do medo, das dependências... 

E, ao mesmo tempo, procurar tirar de cada acontecimento, de cada obstáculo, de cada adversidade ou contrariedade, uma lição. Pois sempre há lições. 

Por outro lado, renunciar à inveja, esquecer o ciúme. Eles são verdadeiros bloqueadores psicológicos de nossa intensa capacidade.

Fácil? Não, não é fácil. É, todavia, um exercício. Que vai exigir perseverança, determinação, mas cujos resultados trarão equilíbrio e paz interior.

Portanto, se você está triste, cansado, deprimido, analise a situação, busque as razões. Entreviste-se com perguntas claras e respostas honestas. Se está achando que tudo na vida lhe dá errado, reflita com mais atenção e descobrirá muitas vezes as causas na ansiedade, na precipitação, ou até mesmo em sentimentos que são simplesmente dispensáveis e muitas vezes inúteis. Já será meio caminho para recuperar-se.

Se você está bem, espalhe sua alegria, contagie o ambiente com o otimismo e estenda suas mãos para aqueles estão vivendo momentos de dificuldades. Com isso estaremos melhorando o ambiente do planeta...
Espalhar alegria e esperança e melhorar nosso ambiente familiar ou profissional também é só querer...

28/07/2017

Impossível não chorar

Orson Peter Carrara
Surpreendeu-me vivamente o filme Little Boy – Além do Impossível. Entreguei-me às lágrimas, sem conseguir segurar. E faz chorar duas vezes, com intensidade. É muito comovente. Veja no NETFLIX.

Reproduzo a sinopse que extraí da net: “O'Hare, Califórnia. O pequeno Pepper (Jakob Salvati) tem uma forte ligação com o pai, James Busbee (Michael Rapaport), com quem vive aventuras fantasiosas. Quando seu irmão London (David Henrie) é convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial, James se oferece para ir no lugar dele. A situação deixa Pepper desolado, sendo que ele ainda precisa lidar com as constantes provocações dos demais garotos por ser pequeno demais - daí o apelido jocoso Little Boy. Disposto a trazer o pai de volta da guerra, Pepper resolve seguir uma lista de boas ações entregue pelo padre Oliver (Tom Wilkinson).”
A fé do menino, estimulada pelo conhecido “grão de mostarda” que ele ouviu do padre, inclusive com uma metáfora fantástica numa cena marcante do filme, em que somos levados a pensar sobre a fé e seus desdobramentos, tem um final comovente.
O pequeno garoto – de estatura menor mesmo –, transforma-se num gigante pela esperança e fé alimentadas para que o pai voltasse da guerra. A ligação entre ambos é muito forte e a família sobre as agruras da idiotice de uma guerra que separou seus membros. O menino pequeno, todavia, traz à família, à população do vilarejo onde vive e especialmente para o telespectador, as lições vivas do “transporte da montanha”, como indica o ensinamento maior.
O filme começa e parece despretensioso, sem atrativos, mas vai envolvendo de tal maneira, que não se imagina o final surpreendente. Que emociona. As lágrimas do menino são transferidas de maneira intensa para quem assiste e sofre com ele. Os personagens da trama igualmente se envolvem com seu drama, ele se torna muito conhecido pela sua história de fé e esperança, espalhando no ar algo diferenciado que comove mesmo.
Muito bom filme. Não deixe de ver. Veja, inclusive, com a família toda.
Não consigo transformar em palavras as emoções intensas que me envolveram, refletindo sobre o valor da fé e o drama do pequeno de 8 anos de idade. Como pai e avô, as situações familiares ali se desenham diante do inevitável da separação, em tão variadas circunstâncias que a vida se apresenta. Felizmente somos todos imortais, mas a lição viva da fé, trazida pelo filme, produz expressiva reflexão aliada a lindas emoções.

Se eu me aventurar mais aqui, acabo contando o final, e não quero estragar a expectativa do telespectador. Veja o filme, meu amigo, minha amiga.... É um verdadeiro auto teste da fé que alimentamos diante das situações adversas.

20/07/2017

Suave e doce presença

por Orson Peter Carrara


Quero sugerir ao leitor ouvir novamente a conhecidíssima música O Homem, de Roberto Carlos. Não só ouvir, mas também acessar pelo youtube o igualmente conhecido clip com trechos selecionados de filme sobre a doce e suave presença de Jesus junto à Humanidade.
Ouvir a música, ver as cenas, meditar sobre a letra provocam emoções que nos fazem refletir sobre a nobreza, grandeza, bondade e especialmente constante bondosa presença do Mestre frente aos desafios enfrentados pela humanidade.
Bendito Cristo! Diante de tantas ilusões e mediocridades a que ainda nos deixamos seduzir, nos momentos bicudos do presente, o convite celeste vibra forte, expressivo, para todos nós: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas”, nas anotações de Mateus.
Da inspirada letra da citada música, em transcrição parcial, acompanhe comigo, leitor:
“(...)
Tinha o olhar mais belo que já existiu
Tinha no cantar uma oração.
E no falar a mais linda canção que já se ouviu.
Sua voz falava só de amor
Todo gesto seu era de amor
E paz, Ele trazia no coração.
(...)
Fez a luz brilhar na escuridão
O sol nascer em cada coração que compreendeu
(...)”
O aprendizado para a mansidão e a conquista da humildade, indicativos para o efetivo descanso interior, da paz de alma, é convite incomparável, solucionador das asperezas humanas, único caminho para a paz e felicidade que buscamos.
Inútil que nos prendamos ainda a tantos equívocos, geradores de sofrimentos e aflições.
Ele é o Amigo Incomparável, que devemos buscar continuamente. É a única alternativa de harmonia na vida íntima, nos relacionamentos, na solução dos graves desafios. Por isso, emocione-se com a letra e música O Homem.

12/07/2017

Uma carta recebida

Orson Peter Carrara



Pelas valiosas e oportunas considerações de carta recebida por e-mail, considero muito útil divulgar seu conteúdo, ainda que parcial. Diz o amigo que escreveu:
“Caro amigo Orson! Foste muito feliz ao colocar a questão do "dever" como  um dos temas de suas palestras. Antes. Foste corajoso, pois nos tempos atuais não teria assunto mais antipático. Como alguém ousa falar dos deveres, quando o que se busca são as comodidades, as facilidades, as conveniências? O dever é tudo o que não quer o homem moderno. Já lhe bastam as tarefas do dia-a-dia, no trabalho e nas escolas... De resto o que se quer é esquecer todo e qualquer compromisso, pois dever já não se é nem mais um termo usual. Pais querem ser liberais, filhos querem ser livres, famílias querem ser modernas, cidadãos querem descansar e curtir a vida. Sabendo disto o mundo – este grande mercado --  limitou-se a produzir o que é vendável, em prol da comodidade. E o que é vendável senão os produtos que vão ao encontro a estes anseios das pessoas?  É a cultura dos shoppings centers, dos fast foods, dos trânsitos nas ruas de nossas cidades, da relação com o meio ambiente, das relações interpessoais; e por que não dizer de muitas práticas religiosas. O que e como são as telenovelas, os telejornais, os programas de auditórios e os novos “reality shows” que invadem nossos lares 24 horas por dia? Como vai a produção artístico-cultural? Pensa-se no dever para com os necessitados, ao se fazer uma compra desnecessária? Pensa-se no dever para com a sua saúde, ao fazer as ditas refeições rápidas? Pensa-se no dever de civilidade, ao dirigir por nossas ruas e estradas? Pensa-se no dever de sustentação ambiental do planeta, no futuro, ao adotar o consumismo, ao se descartar o lixo, ao utilizar meios poluidores do ar, da água, do solo? Pensa-se no dever, particularmente no dever da Adoração ao Criador, quando se aventura em tudo que é prática religiosa mistificadora e salvacionista? Pensa-se no dever de prover um ambiente saudável em nossos lares, ligando indiscriminadamente nossos aparelhos de TVs para distrair-nos ou distrair nossos filhos? Pensa-se no dever de aprimoramento cultural e no dever de prover nossa alma do deleite cultural, quando saímos para as baladas? A difusão de um mundo de facilidades já dificulta por demais o cumprimento dos compromissos político-sociais e culturais do homem, o que dizer então dos deveres morais? Se a sociedade já não cobra os compromissos, as consciências individuais ignoram e desprezam veementemente os deveres morais, que estão no fórum íntimo de cada pessoa. Mas, justamente por estar na consciência individual, os deveres não têm como ser apagados. Inscritos na alma de cada ser humano, este pode até renegá-los, mas nunca extirpá-los. Ainda mais, sabendo que cada existência individual humana neste planeta foi precedida de sabe-se quantas outras existências, que cada reencarnação é uma concessão divina para pagar débitos e buscar o progresso espiritual.  Assim, cedo ou tarde, os deveres se aflorarão, cobrando-nos seu cumprimento. Convivendo com certas pessoas ou lendo certos livros conhecemos espíritos que marcam ou marcaram sua passagem nesta Terra e destacam-se da maioria contemporânea. Não por possuírem poderes espetaculares ou extraordinários, mas apenas por serem espíritos rigorosamente cumpridores de seus deveres. Assim, o que fazem encantam, pois tudo é feito com tal zelo e amor que supera às vãs expectativas dos seus co-existentes. (...)”

Por igualmente oportuno, destaco frase constante do livro Memórias do Padre Germano – página 131, também citado pelo amigo, editado no Brasil por 3 editoras, de comoventes casos relatados pelo sábio sacerdote, em obra repleta de ensinos:
“A satisfação que minha alma sente, a tranquilidade do espírito que cumpriu seu dever é o justo preço que Deus concede àquele que pratica Sua Le. Ao pensar que por obra minha há uma vítima a menos, como sou feliz, Senhor! Quanto te devo, porque me deste tempo para progredir, para reconhecer tua grandeza e prestar culto, com minha razão, a tua verdade suprema!”
Penso que o material transcrito é suficiente para profundas reflexões.

04/07/2017

O maior tratado

– Orson Peter Carrara

Sim, ele é o maior tratado sobre mediunidade, já publicado. É o segundo livro da Codificação Espírita e surgiu em 1861, quatro anos depois de O Livro dos Espíritos.

Falamos sobre O Livro dos Médiuns, a notável obra da Codificação, que contém os fundamentos doutrinários do Espiritismo sobre essa faculdade humana que nada mais é do que a do intercâmbio entre o plano daqueles que estão encarnados, e portanto utilizando corpos carnais, e os espíritos, aqueles que já deixaram o mundo físico.

A mediunidade não é exclusividade nem invenção do Espiritismo. Trata-se de uma capacidade humana, estudada e orientada pela Doutrina Espírita, pois que lhe constitui um dos pilares de seus fundamentos. A comunicabilidade dos espíritos liga-se à nossa condição de imortalidade e, sendo que todos somos espíritos, o fato de habitarmos outra dimensão não nos separa dos laços de afeto ou desafeto, daí o permanente intercâmbio entre os planos dos encarnados e dos espíritos.
        
Imagina-se, equivocadamente, que os espíritos são seres envoltos em fumaça ou que aparecem revestindo lençóis esvoaçantes com dois furos no lugar dos olhos. Não! Os Espíritos somos todos nós, filhos de Deus, seres capazes de amar e pensar. Ocorre que utiliza-se a expressão espírito para designar a condição daqueles que virão ao planeta, aliás retornando a ele, ou que dele partiram, mas vivendo intensamente a natural continuidade da vida humana.

Por questão didática, Allan Kardec denominou espíritos os seres desprovidos do corpo carnal e alma para aqueles ligados à existência material. Mas são palavras sinônimas, significando apenas nossa condição de seres individuais e pensantes.
           
Na página de rosto da obra, encontramos Espiritismo Experimental e o subtítulo de Guia dos Médiuns e dos Evocadores, além do acréscimo indicativo do conteúdo da obra: o ensinamento especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, em continuação de O Livro dos Espíritos.
           

Composto de duas partes, sendo a primeira com quatro e a segunda com 32 capítulos, além da esclarecedora introdução, a obra é um desdobramento natural do livro II (composto de 11 capítulos e 538 perguntas e que recebeu o título Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos de O Livro dos Espíritos), justamente ampliando o importante tema da mediunidade, essa capacidade humana que se apresenta em graus distintos, que não é doença, nem privilégio, mas compromisso de trabalho com o próprio aprimoramento e com o progresso da humanidade.
          
É obra para orientar e disciplinar o uso e prática dessa sensibilidade variável e presente em todo ser humano. Por isso deve ser consultada e estudada continuamente, para evitar-se os excessos do fanatismo, da crença cega e mesmo do misticismo que tantas vezes está presente nas referências aos chamados médiuns.
           
Foi através dela que surgiu a Codificação Espírita. É através dela que vieram e continuam a vir as instruções, o consolo e o conforto moral que ilumina a vida, através de textos e verbos lúcidos que nos ajudam a compreender a vida, provindos de inteligências lúcidas e moralizadas que trabalham igualmente pelo bem e pelo progresso.
           
Para entendê-la, todavia, é preciso estudar. Pois que também é usada, quando praticada sem conhecimento, sem discernimento, por mentes invigilantes e descompromissadas com a verdade e com o bem. É quando surge a fraude, o embuste, a exploração. Daí a necessidade de conhecer em profundidade.

           
É nossa indicação da semana. 

28/06/2017

Surpresas que se sucedem – Desejo oculto de Lívia


Orson Peter Carrara
Um novo amigo, de Brasília-DF, abriu-me os olhos para um detalhe aparentemente insignificante e que facilmente passa desapercebido. Depois de ler meu livro Tarefa dos Enxovais – que reproduz e comenta o último capítulo do livro Diversidade dos Carismas, de Hermínio Miranda –, que se reporta aos benefícios advindos das peças dos enxovais para recém-nascidos de mães carentes (não pelas peças mas pelas vibrações de carinho de quem as preparou, com amor, para atender a crianças de pais e mães muitas vezes sem quaisquer recursos de proteção e conforto), escreveu-me sensibilizado e agradecido, contando sua própria história de envolvimento com esse trabalho de atender gestantes em dificuldades materiais.
É que ele ficou muito tocado pela experiência vivida por Wallace Leal V. Rodrigues e narrada no livro Amor e Sabedoria de Emmanuel, de Clóvis Tavares, que ficou tocado por trecho do livro Há 2.000 anos, que revela um desejo oculto de Lívia durante diálogo na prisão com sua servidora Ana, na manhã em que seria sacrificada após ser presa por estar junto aos cristãos, nos primitivos tempos do Cristianismo. Por causa desse trecho, Wallace iniciou trabalho em Matão também para amparar gestantes, como fornecimento de enxovais.  Nosso amigo de Brasília, por sua vez, tocado pela experiência de Wallace, igualmente está envolvido com essa tarefa há alguns anos.
Mas o que é realmente tocante é o trecho do livro de Emmanuel sobre Lívia. Esse trecho está no capítulo V da segunda parte: Nas catacumbas da fé e no circo do martírio. Confidencia Lívia para Ana: “(...) Nos meus anseios, minha boa Ana, desejava adotar todos aqueles petizes maltrapilhos e famintos, que surgiam nas assembleias populares de Cafarnaum; mas meu propósito materno de amparar aquelas mulheres desprezadas e aquelas crianças andrajosas, que viviam ao desamparo, não podia realizar-se neste mundo...Todavia, suponho que hei de realizar os ideais de minha alma, se Jesus me acolher nas claridades do seu Reino (...)”.
Note o leitor que as expressões “petizes maltrapilhos e famintos”, “propósito materno” e “mulheres desprezadas e aquelas crianças andrajosas, que viviam ao desamparo”, bem comportam a semente desse amor e amparo em favor de mães e crianças em situação de penúria material, que Lívia não conseguiria realizar neste mundo (seria sacrificada naquele dia), mas que era seu anseio que pudesse um dia realizar esse sonho, ou desejo oculto de alma, ali revelado para Ana, que tanto a estimava. E que os séculos fariam tornar viável a iniciativa por meio de tantas mãos carinhosas e consciências despertas tocadas pela fraternidade, e, não há dúvidas, inspiradas pelo amor de Lívia.
Foi o que aconteceu com a personagem Regina, do livro de Hermínio, cujas histórias com enxovais muito me sensibilizou; do texto de Emmanuel em Há 2.000 anos que tocou o coração de Wallace, que por sua vez mexeu com a sensibilidade do amigo Maurício Melo, de Brasília, que me escreveu. Inclusive Maurício deu nome Lívia à sua filha.
Não tinha conhecimento da experiência de Wallace, ou não me lembrava. Igualmente não havia me dado conta da confidência de Lívia. E agora o novo amigo de Brasília abre imensa perspectiva de análise e reflexão sobre o importante tema.
Lendo o trecho do livro, bem se pode ter nele a inspiração nobre dessas abençoadas tarefas de auxílio e fraternidade. Aliás, recomendo o livro todo, de imensa beleza para a sensibilidade do leitor. O fato é que vamos nos surpreendendo com os fatos que se ligam e se fecham entre si.