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24/05/2018

Momento brasileiro


 – Orson Peter Carrara
Diante de crimes hediondos, suicídios, tragédias provocadas (como atentados e sequestros dramáticos), e mesmo a insensibilidade reinante no governo diante da realidade brasileira, a perplexidade domina os círculos da sociedade humana.
É importante, de início, já informar: ninguém nasceu predestinado a matar (não se mata apenas com armas) ou a matar-se. Matar ou matar-se são resultantes da liberdade de agir. Estamos todos destinados ao progresso e o desajuste das emoções, do equilíbrio, é o grande responsável por tais tragédias. Estamos absolutamente convidados à harmonia na convivência, à solidariedade nas iniciativas. Da mesma forma, o dever dos que estão investidos de poder é usar a política em sua devida finalidade: gerir o tesouro nacional em favor da coletividade do país. A corrupção, em todos os níveis igualmente é um atentato à vida.
Referida liberdade de decisão – seja no caso dos crimes em geral ou mesmo numa gestão de poder –, no entanto, nos sujeita a reparações que virão a seu tempo. Isso por uma razão muito simples: somos responsáveis pelo que fazemos. A vida e suas leis determinam essa responsabilidade intransferível, deixando bem claro que toda lesão que causamos a nós mesmos ou a terceiros teremos que reparar. Não é castigo, mas apenas conseqüência. Isso vale nesses dramas que envolvem famílias ou na administração de valores que envolvem toda a sociedade.
E as vítimas? Como ficam essas pessoas? Por que sofrem atentados e se tornam vítimas de crimes passionais, etc? E mesmo uma nação enfrentando mal uso do poder com a corrupção reinante? Podemos acrescentar outras questões: Por que Deus permite? Por que uns se livram inesperadamente de determinados perigos, enquanto outros deles são vítimas? Por que ocorrem com uns e com outros não? Qual o critério para todas essas situações? E também, claro, por que os abusos do poder ou a insensibilidade gerada pelo egoísmo e pelo império do materialismo?
Apesar da dor e sofrimentos decorrentes, e da não justificativa – sob qualquer pretexto – de gestos que violentem a vida, as chamadas vítimas enquadram-se em quadros de aprendizados necessários ou de reparações conscienciais perante si mesmos, envolvendo, é claro, os próprios familiares. Racioncínio também cabível nos aprendizados de uma nação, como é o nosso caso, onde ainda negociamos os votos ou somos seduzidos por interesses que violentam os reais objetivos da pátria.
Por outro lado, os autores – apesar de equivocados e cruéis – são dignos de piedade, uma vez que enfermos. Quem agride está doente, desequilibrado na emoção e necessitado de auxílio, compreensão, tolerância e, mais ainda, de perdão. Inclusive na indiferença ou omissão do cargo investido, acrescente-se.
Cristãos que nos consideramos, sem importar a denominação religiosa que adotamos, a postura solicitada em momentos difíceis como o agora enfrentando pela mentalidade brasileira, é de compaixão com agressores e vítimas. Todos são dignos da misericórdia que norteia o amor ao próximo. A situação de quem agride é muito pior do que quem é agredido. O agredido (não se restrinja aqui a nomenclatura à agressão física) já se liberta de pendências que aguardavam o momento difícil ou faz importantes aprendizados; o agressor, por sua vez, abre períodos longos, no futuro, de arrependimentos e reparações que lhe custarão dores e sofrimentos. Nada justifica a crueldade, mesmo que seja por indiferença ou omissão. Sua ocorrência coloca à mostra nossas carências e enfermidades morais expostas, demonstrando a necessidade do quanto ainda precisamos fazer uns pelos outros.Não podemos julgar. Não temos competência para isso. O histórico divulgado pela mídia já demonstra por si só as carências expostas, entre tantos outros fatos lamentáveis. Mas há a bagagem que não vemos…O momento é de vibrações e preces para que todos tenhamos equilíbrio. Todos somos filhos de Deus…

17/05/2018

Crueldade contra animais


 – Orson Peter Carrara

A crueldade contra animais está também entre as situações que muito me constrangem. Embora igualmente me alimente ainda de carne animal, desde muito me dói o coração em ver as humilhações e sofrimentos que nós, humanos, ainda somos capazes de submeter os animais.

É triste verificar que muitas cidades estão contaminadas por este mal e ainda submeta os animais ao horrível espetáculo das conhecidas festas populares que os submetem a sofrimentos. Nada contra peões, nada contra manifestações populares de alegria e festa. Mas é cruel pensar nos sofrimentos impostos aos pobres animais, submetidos aos caprichos humanos.
Ainda que a alimentação de carne ainda seja uma necessidade física e até cultural, algumas pessoas já conseguiram dispensar o consumo desse produto alimentício e se declaram vegetarianos. Eu ainda não consegui, mas é lamentável o espetáculo desses eventos que maltratam animais.
O assunto é antigo, já gerou disputas judiciais, encontra gente pró e contra em todo lugar e legislação específica já foi concentrada para evitar tais ocorrências. Inclusive, por outro lado, tais festas são geradoras de recursos para muitas instituições. E muitos esforçados peões se entregam com afinco a tais realizações, gerando vibração e alegria em todo o público.
Mas, convenhamos, não é melhor rever isso. Nem digo proibir, pois que é uma festa popular, mas agirmos com mais coerência em tais eventos, dispensando e aí, proibindo sim, com fiscalização, qualquer método que sujeite os animais ao sofrimento e às crueldades por capricho humano.
Não sou especialista no assunto, não tenho experiência com animais e não sou crítico de quem a eles se dedica, mas quando vejo publicidade de tais eventos o coração entristece. Com tudo que já se sabe sobre o assunto, as imagens já mostradas pela internet, os argumentos apresentados pelas ONGs defensoras dos animais, já é hora para pensar no assunto com mais reflexão.
Os animais não são máquinas nem brinquedos de diversão. Eles sentem também. Sentem dor, saudade, gratidão. Ou o leitor discorda disso?
Também geram seus filhotes, possuem sangue que circula, possuem órgãos que funcionam iguais aos nossos e formam um universo de seres que auxiliam – e muito – a vida humana. Como sacrificá-los por capricho? Como submetê-los a crueldades?
Sugiro ao leitor interessado no assunto aprofundar-se mais na questão dos animais, sob o ponto de vista da alma dos animais. Entre eles, procure o livro “Gênese da Alma”, de Cairbar Schutel, para encontrar-se com exemplos, fatos e narrativas envolvendo animais e que bem dizem da realidade desses seres que também são filhos de Deus. Trazem consigo a tarefa de auxiliar as criaturas humanas, inclusive na alimentação, como tão comumente usada em todos os tempos. Todavia, submetê-los a crueldades aí a questão já é outra…
E pior é que não é apenas nas conhecidas festas populares que isto acontece, mas no cotidiano da vida humana, onde as mais diversas perversidades são praticadas contra esses indefesos seres…

09/05/2018

Amor natural, mas também intelectual



Orson Peter Carrara

Tomás de Aquino (1225-1274), filósofo e teólogo italiano, é considerado a figura mais importante da filosofia escolástica e um dos teólogos mais notáveis do Catolicismo. Foi canonizado pelo Papa João XXII, em 1323; em 1567, o Papa Pio V proclamou-o Doutor da Igreja.
Pois entre os pensamentos do grande Tomás de Aquino, figura a ideia que ele qualificou de Amor Natural e Amor Intelectual, para definir e estudar o Amor.

Essa divisão em dois pontos, segundo o filósofo, surge, no primeiro caso, do amor natural, da capacidade inata de todo ser humano na busca do afeto, na tendência ou aptidão natural na conquista do amor. Já no caso do amor intelectual, a questão se volta para a vontade de amar, para o querer ir em busca do amor. Notem a diferença: no primeiro caso, aptidão natural; no segundo, a iniciativa de ir em busca.

A aptidão natural já está no ser. No desejo e vontade, que requer a iniciativa e esforço, a situação é outra. Ocorre que na aptidão natural pode haver acomodação, preguiça; no segundo caso, porque intelectual, há movimentação de ideias e forças para alcance do objetivo.

O amor, por sua vez, confundido em todas as épocas com visões distintas (a depender do estágio moral e intelectual em que se coloca a pessoa), transcende o aspecto sensual, físico, de aparência, de tempo, espaço ou lugar. Ele está muito acima das precárias e temporárias condições humanas, para situar-se realmente no amor em sua verdadeira natureza: o amor ao próximo. Sim, porque somente amando ao próximo alcançaremos o sentido autêntico da vida.

O amor é confundido com paixão, que passa com o tempo, a idade ou outras condições. Se sofre abalos com os melindres, orgulho ferido, traições, já não é amor… Se chega a abater-se diante da ingratidão, do abandono, ainda não é amor. O amor verdadeiro aceita o outro como ele é, porque o compreende, o aceita, justamente porque se ama. Isto é o amor, que vai socorrer a necessidade do outro, que solidariza-se com a dificuldade alheia. Se é um sentimento que fica bem somente quando não nos contraria, já não é amor, mas egoísmo.

Por isso, o amor transcende a relação homem-mulher, situando-se além desta condição, já que não distingue diferenças, simplesmente ama. E quem ama, compreende, perdoa, aceita. E, curiosamente, embora o amor transcenda a relação homem-mulher, também pode ser exercitado entre cônjuges, amigos, irmãos, em família, ou entre quaisquer seres humanos, já que todos nascemos com uma aptidão natural para amar, mas que o amor intelectual pode desenvolver.

03/05/2018

Perfume de Mulher

Imagine uma amarga infelicidade decorrente de sucessivas desilusões e frustrações agravadas por um acidente que provocou deficiência visual. O desdobramento foi uma postura arrogante, orgulhosa e extremamente agressiva no comportamento.
Esta é a história de um tenente coronel que, já aposentado e muito hábil nos raciocínios, com grande experiência de vida e revoltado com deficiência visual decorrente de um acidente que lhe tirou a visão numa brincadeira irresponsável.
Vivendo isolado na casa da filha, esta contrata um rapaz para fazer-lhe companhia, em virtude de sua ausência para viagem em família. O rapaz, jovem estudante, depara-se com uma situação constrangedora diante da agressividade daquele para quem foi contratado apenas para um fim de semana. O antigo coronel, após saída da filha, impõe uma viagem inesperada junto com o acompanhante. Sua intenção era viver o último fim de semana de sua vida, suicidando-se em seguida, mas interessa-se pelos problemas do rapaz, esquecendo sua amarga infelicidade.
Falo do excelente filme Perfume de Mulher, que recebeu vários prêmios, entre eles o Oscar 1993, recebendo ainda várias indicações.
O melhor do filme está mesmo na defesa que o coronel fez em favor do jovem na tentativa de suborno que sofria na escola. A integridade moral do rapaz impressionou o velho coronel. Estrelado por Al Pacino e Chris O´Donnell e de produção americana, é um filme que não posso deixar de sugerir ao leitor. O título parece distante do conteúdo do filme, mas foi usado porque, sendo cego, o personagem utiliza com expressão o olfato, especialmente na identificação de mulheres à sua volta, pelo perfume que usavam e que descrevia com precisão.
As reflexões que surgem, dentre outras, podem ser enumeradas nas duas principais abaixo enumeradas:
a) Pensando na prepotência e arrogância que ainda nos caracteriza a condição humana, vale lembrar que elas são fruto do orgulho e do egoísmo, geradores de todos os males humanos, entre eles todas as agressividades que imperam na sociedade atual.
b) Pensando na transformação do ser humano para melhor, somos convidados a pensar seriamente no quanto a integridade moral de cada ser humano influi na melhora no mundo, convidando-nos expressivamente à própria melhora moral, substituindo imperfeições por novas virtudes.
Eis a velha questão humana: a extrema necessidade da melhora moral, a partir de nós mesmos. Eis o programa que precisamos todos adotar: libertação física pela moderação dos apetites, libertação intelectual pela conquista da verdade e libertação moral pela procura da virtude. Isto é obra dos séculos. Isto é, porém, perfeitamente viável por meio de uma educação e uma preparação prolongada das faculdades humanas. Considerando nossa realidade imortal, não desprezemos a oportunidade da presente existência e empenhemos todos os esforços, desde já, para sermos melhores. Mais acessíveis, mais dóceis, mais flexíveis, mais ousados e corajosos nas boas iniciativas, mais comprometimento com as boas causas humanas, mais decisão na busca do melhor, menos reclamação, menos revolta, menos egoísmo, menos orgulho, menos vaidade, menos apego…
Veja o filme, leitor. Vai te fazer bem e te proporcionará uma boa viagem interior para bem pensarmos no que estamos fazendo de nossas vidas.
E o melhor: te trará a felicidade de pensar como o bem nunca se perde. O bem faz bem!
Na integridade do jovem estudante uma bela lição de vida!
por Orson Peter Carrara

26/04/2018

Preço do amadurecimento

– Orson Peter Carrara

Há muito tempo, desde a época de menino quando ia visitar a chácara de minha avó paterna, eu não ouvia o “cantar de galo”. Um dia desses, fui surpreendido por um galo cantando logo ao amanhecer. Qual dos vizinhos foi arrumar um galo? fiquei a pensar.
O interessante, porém, é que o canto do galo incomodou o cachorro que desfruta de nossa convivência doméstica. A cada “cantada” do galo, lá vinha o cachorro com suas “latidas” incomodadas. É que, para ele, vivendo na vida urbana, o barulho soou estranho. E isto incomodou todo mundo, acho mesmo que acordou os vizinhos.
Aí fiquei a pensar como os barulhos externos nos incomodam. Tudo que é novo traz desassossego, incomoda, pois temos, também os humanos, resistências a novidades. Se incomoda o cachorro, a intensidade é ainda maior entre seres humanos.
Assim é que as grandes ideias, especialmente as novas, incomodam tanta gente. Igualmente as mudanças, que muitas vezes se fazem necessárias, incomodam e muito. Aí surgem as divergências, as resistências naturais que em muitas ocasiões se tornam inclusive violentas. Aliás, vale dizer que qualquer nova ideia sempre encontrará opositores e questionadores de plantão. Questionadores que se posicionam contra só para se oporem mesmo, sem conhecerem as novas propostas, sem analisarem razões, benefícios ou propostas apresentadas.
É necessário que, antes de criticar posturas ou ideias, habituemo-nos a pelo menos conhecer a ideia, conhecermos o assunto, para depois apresentar, aí sim, argumentos contrários bem fundamentados, ao invés de simplesmente apresentarmos oposição sistemática e adotarmos postura de indiferença ou mesmo crítica descabida.
Isso ocorre numa família, numa empresa, numa cidade, e mesmo numa nação; ocorre nas diversas áreas profissionais, políticas, artísticas e mesmo religiosas. Que pena! Perde-se valioso tempo que poderia ser aproveitado para aproveitar ou descartar ideias, se essas fossem analisadas com o critério da imparcialidade e da ética, que respeita o direito de livre expressão. Note-se que as grandes ideias apresentadas à humanidade foram rejeitadas, perseguidas (e, em consequência, com perseguição a seus autores e pessoas que a elas aderiram), combatidas, inclusive a maior delas, que ainda não foi compreendida completamente…
No fundo, porém, esse período de rejeição é até útil, pois que permite o amadurecer das próprias ideias, a maturação junto às mentes que a elas aderem ou às que a elas se opõem. Não há outro jeito: é o preço do amadurecimento. É um processo ainda necessário no mundo que vivemos. Felizmente, em todos os tempos, estamos acompanhados de idealistas corajosos e determinados.

Tais reflexões cabem no momento atual do mundo. Ideias e opositores em todas as áreas de ação humana. Situação bem própria de um planeta em transição, no entrechoque das opiniões. A lei do progresso, todavia, bem descrita por Kardec em O Livro dos Espíritos, é inevitável, e levará ao despertamento dos que ainda dormem e trará alegria verdadeira aos que lutam por um mundo melhor. Por isso, nada de desistir. Coragem e determinação, persistência com o uso da paciência que constrói gradativamente, são os ingredientes dessa luta de conquistas, que amadurece e desperta.

21/04/2018

21 de abril também lembra o Braço forte!


por Orson Peter Carrara



Uma falta de atenção muito comum durante o canto do Hino Nacional Brasileiro é colocar a expressão que usamos no título da presente abordagem no plural. Muita gente ainda canta no referido trecho: “(...) conseguimos conquistar com braço forte (...)” – que é o correto, diga-se: no singular –, usando o plural e cantando com braços fortes, que não está correto. O correto é no singular mesmo: com braço forte!

Parece um detalhe insignificante, mas é preciso prestar atenção e respeitar o texto original. Até para educação de nossas crianças e formação da mentalidade cívica nacional, estimulada com a beleza da letra e da própria música, em si. Como se sabe a letra do hino foi escrita por Joaquim Osório Duque Estrada (1870 – 1927) e a música é de Francisco Manuel da Silva (1795 – 1865).

Mas a desatenção é mesmo um problema humano generalizado, onde todos estamos incluídos, nesta ou outras situações. Desatenção com horários e compromissos e pronúncias equivocadas, opiniões sem fundamentos ou conhecimento do assunto, preconceitos e a espontaneidade de nossa gente, até pela diversidade cultural e extensão de um país continental, são ocorrências que acabam se tornando normais, aceitas e incorporadas no cotidiano.

É comum ouvir-se: “perca total”, quando o correto é “perda total”, especialmente nos casos de sinistros com automóveis. Ou “vou passar daí” quando o correto é “vou passar aí”. E por aí vai, com supressão ou acréscimos de letras ou palavras indevidas ou incorretas.

Isso referindo-nos apenas à pronúncia das palavras. Se adentrarmos à questão da interpretação ou entendimento de palavras e frases, a questão se torna ainda mais grave, porque a dificuldade aumenta. A falta do hábito de leitura, com mais frequência e mesmo atenção às palavras, é a principal causa dessa grande dificuldade de interpretação de textos.

Isso, porém, não é nada em comparação com a índole brasileira: bondosa por excelência, cativante na alegria, acolhedora e solidária, apesar da exceção dos que ainda não perceberam a grandeza do país em que nascemos, a quem devemos imensa gratidão e participação consciente na vida cotidiana, e ainda insistem na corrupção ou nas manipulações que tantas misérias e tragédias geram. E não me refiro apenas às tragédias com mortes, mas sim às tragédias morais que infelicitam a vida humana.

O fato final, porém, é que o sentimento de amor à Pátria, os princípios de civilidade e patriotismo precisam ser semeados no coração das crianças. E, claro, que igualmente a pronúncia correta das palavras, a explicação do significado de palavras e expressões, pois tudo isso somado vai formando a personalidade, o caráter, a sensibilidade.

Vivemos essa época de desamor e de desrespeito à vida porque em algum momento da história desvalorizamos esses pequenos detalhes da educação. E agora estamos com um desafio social imenso, nunca visto. Retomemos, pois, às origens, fazendo o melhor ao nosso alcance, procurando entender a vida e não nos deixando contaminar pelo egoísmo, pelo orgulho ou pela vaidade, responsáveis diretos pelo caos social da atualidade, transmitindo às crianças que iniciam a própria vida a alegria de viver, o respeito à vida, a conduta correta.

É o braço forte da decisão de amar e prosseguir trabalhando com Jesus para construir paz e harmonia, individual e coletivamente.

11/04/2018

Imediata necessidade


– Orson Peter Carrara

As dificuldades, de todas as ordens, enfrentadas atualmente pela humanidade tem sua origem basicamente num único detalhe: o desconhecimento ou a ausência da noção dos objetivos de viver. Detalhe presente na esmagadora maioria dos habitantes do planeta.
Há uma necessidade imperiosa de que todos saibam o que são, de onde vêm, para onde vão, porque estão no planeta, como e porque devem agir desta ou daquela forma.
A concepção atual vigente, sobre o mundo e a vida, é a causa principal dos grandes problemas sociais e morais que tanto infelicitam a vida na Terra. A noção de que não somos este corpo físico, mas estamos nele, e de que a vida principal é a do espírito, altera completamente a visão de mundo e proporciona conduta mais equilibrada e feliz.
Sem conhecimento do objetivo da existência não há fortaleza para enfrentamento dos embates existenciais, nem solidariedade, nem motivação ou comprometimento pelo bem coletivo. Este desconhecimento é gerador do egoísmo que destrói vidas e do orgulho que distancia pessoas. Porém, entendendo os objetivos da vida humana, que outros não são senão o desenvolvimento moral e intelectual do espírito que estagia no planeta justamente para o aprendizado que lhe fará evoluir, as ligações humanas ou o relacionamento entre as criaturas adquirem outro enfoque. Aí seremos capazes de ver em cada pessoa um irmão de caminhada, alguém como nós, também necessitado de atenção, de carinho, de estímulos para o próprio desenvolvimento, e limitado como todo mundo o é.
Caem por terra quaisquer razões de tolo orgulho ou vaidade descabida. Ficam sem razão as atitudes violentas, precipitadas, de desprezo e mesmo de desespero. Ora, estando conscientes de que nos encontramos num estágio de aprendizado, todos no mesmo barco, onde os interesses são os mesmos, por que os atritos, as violências e as atitudes egoístas?
Há mesmo, ao contrário, enorme motivação para o estudo, a pesquisa, o crescimento moral e intelectual e principalmente para a adoção da solidariedade e da compreensão nos relacionamentos. Surgem as atitudes de respeito, tolerância e compreensão, uns para com os outros. A fé se fortifica, porque embasada no raciocínio, e desaparecem as aflições causadas pela dúvida dessa grande realidade: somos criaturas imortais cumprindo estágio de aprendizado. Nada mais que isso. É o que ensina o Espiritismo. Convidamos o leitor a conhecer mais sobre o assunto

04/04/2018

Construir e espalhar


 – Orson Peter Carrara

O leitor já pensou num roteiro a seguir para construir a própria felicidade e igualmente espalhar felicidade ao seu redor?
Pois o personagem Jorge, do fabuloso livro O Dono do Amanhã, editado pelo IDE-Araras e de autoria da sempre inspirada mente do notável amigo Wilson Frungilo Jr., deixou algumas normas básicas para a felicidade própria e ao seu redor.
Entre elas estão (transcrevo parcialmente):
1 – Atenção para com as pessoas;
2 – Polidez, afabilidade, doçura, mansuetude;
3 – Paciência, tolerância e compreensão;
4 – Contenção da cólera e da violência;
5 – Perdoar;
6 – Procurar, ao invés de reclamar, resolver;
7 – Não julgar e não tecer comentários sobre o próximo;
8 – Ter fé em Deus;
9 – Orar, entrando em sintonia com o Criador;
10 – Humildade;
11 – Lembrar que sempre é tempo de recomeçar;
12 – Prestar auxílio aos necessitados;
13 – Colocar-se na posição dos que sofrem, a fim de compreendê-los, ajuda-los.
Na verdade, são 21 itens. Coloquei os principais. A lista pode ser ampliada ou reduzida, segundo a visão e propósitos do leitor. O fato final, porém, é que o livro é de uma leitura deliciosa, apaixonante. A partir de um caso de amor na adolescência, os fatos se sucedem entre os personagens, trazendo reflexões expressivas para o cotidiano de todo nós.
Adorei o livro. O texto muito me sensibilizou, especialmente pela bondade do personagem Jorge, que modifica situações – inclusive de calúnias que ele mesmo sofreu sem saber – e influencia pessoas ao seu redor de maneira impressionante, pelo esforço que empreendeu em si mesmo para melhorar-se moralmente e ainda ser útil a outras pessoas, traduzindo uma história comovente, gostosa de ler e daquelas que não se tem vontade de parar.
Não pude silenciar-me diante de tão especial livro. Conforme ia lendo, fiquei a pensar em quanta gente o livro pode ajudar. Especialmente os que se debatem nas dúvidas, na descrença, nas indecisões e nas aflições comuns do dia-a-dia. Fabulosa obra.
Pedi autorização à editora para transcrever parcialmente as normas de Jorge constantes do capítulo 18, para incentivar o leitor a não perder a oportunidade de ter em mãos uma obra muito oportuna, útil e capaz de proporcionar imensa sensação de felicidade com o comportamento autenticamente cristão do principal personagem. Não deixe de ler, vai te fazer um bem imenso.

29/03/2018

Tesouro nem sempre valorizado

por Orson Peter Carrara

A maior felicidade que podemos desfrutar no cotidiano diário é a convivência com pessoas afins, com pessoas amigas de verdade. A juventude passa num instante, o dinheiro troca de mão e a saúde é sujeita às fragilidades próprias de nosso tempo.

O que fica realmente são os sentimentos. E eles são sólidos quando construídos pela afeição verdadeira, sem interesses e onde prevalecem o respeito e a consideração real.

Pessoas afins são pessoas que amam e são amadas mutuamente. Por isso sente-se o prazer da convivência recíproca. Daí a razão de se buscarem, de se alimentarem emocionalmente porque significam autenticidade nos sentimentos.

Segundo o dicionário, amigo é pessoa que quer bem a outra, defensor, protetor. Já a palavra amizade é definida como o sentimento de amigo, afeto que liga as pessoas, reciprocidade do afeto, benevolência, amor.

Já se disse que quem tem um amigo, tem um tesouro. E pesquisas recentes indicam que ter amigos aumenta o tempo de vida e protege a saúde contra doenças, especialmente aquelas que afetam o coração. É que a convivência com amigos autênticos proporciona o incomparável prazer de estar com pessoas com quem não precisamos nos preocupar em como vamos nos portar, o que vamos dizer… Estar com amigos livra-nos do ambiente constrangedor de muitas vezes “pisar em ovos”. Com eles, somos nós mesmos, naturalmente.

Os amigos nos entendem, nos compreendem, nos aceitam. Como somos. E estes sentimentos são recíprocos. É aquela cumplicidade natural da reciprocidade do afeto. Mesmo que tenhamos de chamar a atenção ou sermos advertidos, em virtude de qualquer equívoco, isto será feito com jeito, sabendo abordar o assunto, sem magoar, sem constranger. É que entre amigos há um ingrediente fundamental para a boa convivência: o respeito mútuo.

Basta pensar que as causas dos atritos, desentendimentos e intrigas estão nas tentativas de imposição das ideias ou no desrespeito à liberdade de cada um. A amizade leal é a mais formosa modalidade de amor fraterno, segundo Emmanuel, consagrado autor. Por isso pensemos nos amigos! E reflitamos nos benefícios que este magno sentimento é capaz de espalhar onde se apresente. Antes, pois, de qualquer iniciativa, sejamos amigos uns dos outros, e sentiremos a vontade da convivência saudável de quem se quer bem…

Não podemos, todavia, esquecer o Amigo Incondicional da Humanidade: Jesus! Sempre presente na vida humana, poderia ter enviado um representante para a Terra, a fim de apresentar o Evangelho. Mas fez questão de estar pessoalmente entre nós, pelo amor fraternal e autêntica amizade que dedica a seus irmão ainda em processo evolutivo, lento e difícil.

A amizade é mesmo um sentimento notável, virtude a ser cultivada, tesouro e fonte de imensas alegrias que precisamos valorizar e cultivar.

Meu abraço, pois, meu amigo, minha amiga

21/03/2018

Desejos

Orson Peter Carrara


A palavra desejo lembra vontade, que inclusive é uma de suas definições. É a vontade de possuir algo, de alcançar um objetivo, de ir ou estar em algum lugar, de desfrutar de algum benefício, posição, cargo, título ou até um apetite alimentar e mesmo uma atração sexual. Digamos, em síntese, que trata-se de uma aspiração humana. A própria conjugação do verbo indica: ter vontade, sentir desejo, entre outras definições.
Entre o desejo e a conquista – seja do que for – há um espaço enorme que envolvem providências, conveniências, precipitação, capacidade, utilidade, possibilidade e outros tantos desdobramentos que não é difícil imaginar e elencar.
É quando entra a disciplina de um propósito sempre esquecido: a educação do desejo.
Afinal, como discipliná-lo correta e coerentemente? Como transformar esse sentimento de querer numa fonte de alegrias para si mesmo e para muitos? As situações são variadas, claro, individuais e coletivas.
A educação, por sua vez, mais que instrução que se adquire, está na moralização dos próprios hábitos e comportamentos, que redundem em polidez, fraternidade, moralidade e intenso esforço de melhorar a si mesmo e simultaneamente beneficiar aqueles que estão à nossa volta, em qualquer momento ou situação.
É exatamente pela ausência dessa educação do querer que temos vivido o caos social da indisciplina e do desrespeito às mais elementares noções de civilidade e cidadania. Fruto, sem dúvida, da ausência de construção sólida desde a infância do querer educado. Tarefa dos educadores, mas não restrito a eles, pois que inicia-se com os pais e amplia-se para os adultos em geral. Guardamos todos o dever de transmitir às crianças os bons exemplos de civilidade, de desejos educados e disciplinados.
O desejo simplesmente liberado, sem refletir sobre consequências e desdobramentos, sem respeito à presença ou interesses alheios, tem sido um dos fatores da violência na vida social.
Se pensarmos bem, as agressões – inclusive as econômicas e sexuais – são resultantes dos desejos desenfreados, alheios ao respeito que devemos uns aos outros e mesmo à indiferença aos sentimentos de outras pessoas. É o desejo desordenado, comparável à direção de um veículo sem freios ou à montaria de um animal desesperado que não controla os caminhos que vai atravessando.
É mesmo o descontrole das emoções convertidas nos desejos, que aguarda a correção da educação. Isso lembra as paixões.
A paixão não é um mal em si mesma, pois que da própria natureza humana. Mas, ela a paixão está no excesso acrescentado à vontade. E podemos acrescentar: o abuso que delas se faz que causa o mal.
Voltamos à questão do desejo educado. Afinal, as paixões são como um cavalo que é útil quando está dominado, e que é perigoso, quando ele é que domina. Reconhece-se, pois, que uma paixão torna-se perniciosa a partir do momento em que não podemos governá-la e que ela tem por resultado um prejuízo qualquer para vós ou para outrem.
Podemos notar, com facilidade, a questão, pois, da vontade, do desejo e do controle sobre ele. Quando descontrolado e domina, torna-se um mal.
Uma paixão por uma invenção, por exemplo, dominada pela disciplina, pelos estudos e pesquisas, que elimina o fanatismo e nutre o ideal a que destina, é extraordinária no alcance do objetivo.
Por outro lado, o desejo descontrolado, por exemplo, de uma atração sexual e, portanto, sem domínio que gera o raciocínio, pode gerar traumas e tragédias, sofrimento e lágrimas.
É a educação do desejo! Saber desejar, direcionar a vontade.
A causa maior, contudo, da presença de um desejo descontrolado, está, todavia, no egoísmo. Claro que a precipitação, o não amadurecimento, o não equilíbrio emocional apresentam-se como ingredientes de expressão, afinal do egoísmo deriva todo o mal. Sim, se pararmos mesmo para pensar num desejo descontrolado, em qualquer área, que gera sofrimentos, no fundo está o egoísmo do interesse pessoal. No fundo está o desrespeito com o sentimento alheio.