18/04/2017

Da liberdade do 21 de abril

– Orson Peter Carrara

A vida permitiu-nos renascer no Brasil, a querida Pátria que nos acolhe. A história do país, na colonização, nos embates para a construção da democracia e mesmo nos gigantescos desafios da atualidade – onde se incluem a violência e o tráfico, o contraste entre os interesses de variadas ordens e a corrupção, entre outros itens dispensáveis de serem citados –, também apresenta os benefícios de um povo aberto, feliz, descontraído, ardente na fé e na disposição. 

É nosso querido Brasil, gigantesco em proporções geográficas e na diversidade que se apresenta em todos os aspectos! Bendita pátria! 
      
Por outro lado, o país acolheu a Doutrina Espírita como nenhum o fez. Das sementes germinadas em solo francês, foi aqui que a grande árvore do conhecimento se fez gigante como o próprio país continental. E nós temos a felicidade de conhecer essa Doutrina maravilhosa que inspira ações de caridade – em toda a extensão da palavra –, convivência fraterna e amiga por toda parte. Apesar das dificuldades e limitações humanas que são nossas, individuais e coletivas, ele, o Espiritismo, espalhou e espalha seus frutos pelas mentes e corações que o buscam ou são beneficiados por sua imensa luz.

Estamos no mesmo país que recebeu o cognome de Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, justa e coerente adjetivação para um povo ameno, solidário, apesar das lutas próprias de nossa condição humana. É aqui que as variadas expressões religiosas se manifestam para conduzir mentes e corações; é também nessa terra querida que nasceram ou renasceram almas que conhecemos sob os abençoados nomes de Irmã Dulce, Zilda Arns, Chico Xavier, Divaldo Franco, Dr. March, Dr. Bezerra de Menezes, entre tantos outros ilustres filhos que lhe dignificam o nome, sendo impossível citar todos e mesmo especificá-los por área, tamanha a variedade e quantidade de benfeitores que aqui vieram e ainda aqui vivem.

O dia 21 de abril lembra liberdade, desde os tempos escolares. Isso lembra responsabilidade, comprometimento, ética. Afinal, temos um compromisso com o país, com a coletividade brasileira. Qualquer cidadão está comprometido com a segurança, com os valores do país, com a obrigação moral da retidão e da gratidão, que se estendem por ações em favor do bem comum. É o dever! Não apenas um dever cívico, mas o dever moral para conosco mesmo e para com o próximo, como indica o Espírito Lázaro em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Aliás, lembrando a Codificação Espírita, há que se ater às Leis Divinas, didaticamente apresentadas pelo Codificador em O Livro dos Espíritos. Leis que baseiam-se no amor, diga-se de passagem, mas igualmente são justas e misericordiosas.

Por tudo isso, a reflexão sobre nosso papel de brasileiros perante a Pátria Brasileira inclui-se igualmente no dever, ainda que apenas por gratidão pelo país que nos acolhe, garantindo-nos a paz desse foco irradiador de trabalho e fé que é o Brasil. Tamanho compromisso dispensa corrupção, egoísmo e tolas vaidades. Pede-nos, isso sim, trabalho e dignidade, exatamente pelo alto compromisso que todos temos com a vida e seu significado.

Repare o leitor atento que, quando ouvimos o Hino Nacional, a emoção nos envolve completamente. É o sentimento de compromisso com a missão da Pátria que integramos. O renascimento no país não é obra do acaso. Indica comprometimento e programação sabiamente elaborada. Saibamos respeitar e cumprir o que antes prometemos.

O Brasil tem grande papel a exercer junto à Humanidade. Filhos dignos, espíritos preparados e nobres estão sempre presentes como autênticos faróis a conduzir a coletividade. Sejamos daqueles que honram nossa condição humana e brasileira! Exemplos não faltam.

Por gratidão, ao menos, ao querido e grandioso Brasil! Lembremo-nos: o planeta construído por Jesus teve na mente e planejamento do Mestre da Humanidade a inclusão desse país incomparável, onde germinam as doces brisas do Evangelho.

Seria bom nesse momento de imenso desafio no país, que ouvíssemos novamente letra e música dos fabulosos Hinos da Independência ou da Proclamação da República, para nos deixarmos tocar pela emoção de ser brasileiro.

12/04/2017

Paradigmas e Preconceitos

Orson Peter Carrara ↔ orsonpeter92@gmail.com

Uma frase atribuída a Albert Einstein agiganta um dos maiores desafios da evolução humana: o preconceito. A frase é: "é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito". O preconceito, segundo o dicionário, é conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados; opinião desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. A própria definição já indica o equívoco de sua existência e danosas consequências.

O preconceito é responsável pela manutenção de paradigmas que têm atravancado o progresso humano. A palavra paradigma não tem uma conceituação que indique dificuldades ou males, mas como ela significa modelo, padrão, protótipo, está sujeita, em ações concretas e nos relacionamentos humanos, à ação do nefasto preconceito e suas manifestações.

Estas reflexões surgiram em virtude da leitura de pequeno texto, que abaixo reproduzimos, de autoria desconhecida: 

COMO NASCE UM PARADIGMA

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro colocaram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. 

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. 

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. 

A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. 

Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. 

Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..." 

Você não deve perder a oportunidade de passar esta história para seus amigos, para que, vez por outra, questionem-se por que estão batendo... 

Neste ponto podemos notar como a frase atribuída a Albert Einstein ganha força. Quantas e quantas situações, da vida real, não estão enquadradas nesses preconceitos impostos, dificultando, pois, a mudança de paradigmas impregnados de vícios e resistências que atravancam o progresso.

Lucidez de Kardec

E melhor ainda é defrontar-se com a lucidez de Allan Kardec em texto publicado na Revista Espírita, de julho de 1862, quando, em matéria que intitulou O Ponto de Vista, a abordagem abre caminho sobre a questão do foco de visão em que se coloca qualquer observador, sofrendo aí, neste caso, as influências de si mesmo e das circunstâncias em que se coloca. Aspectos, importância, detalhes, gravidade, foco, opções ou decisões mudam completamente de direção se alterado o ponto de vista em que se situam possíveis contendores ou diante de desafios individuais.

Apresentando o novo ponto de vista que o Espiritismo apresenta para a vida e sua finalidade, Kardec apresenta essa preciosidade:
"(...) mostra-nos a vida da alma, o ser essencial, porque é o ser pensante (...) Entretanto o homem, colocando no centro da vida, com esta se preocupa como se fosse durar sempre. Para ele tudo assume proporções colossais: a menor pedra que o fere afigura-se-lhe um rochedo; uma decepção o desespera; um revés o abate; uma palavra o enfurece. (...) Triunfar é o fim de seus esforços, o objetivo de todas as suas combinações; mas, quanto à maioria delas, que é o triunfo? Será, se não possuem os meios de vida, criar por meios honestos uma existência tranquila? Será a nobre emulação de adquirir talento e desenvolver a inteligência? Será o desejo de deixar, depois de si, um nome justamente honrado e realizar trabalhos úteis para a humanidade? Não, triunfar é suplantar o vizinho, eclipsá-lo, afastá-lo, mesmo derrubá-lo, para lhe tomar o lugar. (...)"

E, referindo-se ao desejo de mudança de paradigmas pessoais e coletivos, à luz do pensamento espírita, pondera Kardec:
"(...) Como tudo isto muda de aspecto quando, pelo pensamento, sai o homem do vale estreito da vida terrena e se eleva na radiosa, esplêndida e incomensurável vida de além-túmulo! Como então tem piedade dos tormentos que se criou à vontade! Como então lhe parecem mesquinhas e pueris as ambições, a inveja, as suscetibilidades, as vãs satisfações do orgulho! É como se na idade madura considerasse os brincos infantis; (...)"

E, convenhamos, essas últimas linhas bem indicam as manifestações e os prejuízos de tolos preconceitos, originários de paradigmas que se estabelecem pela força, pelo orgulho. Infelizmente. Nada mais a acrescentar, apesar da exuberância do texto integral de Kardec. Aliás, diga-se de passagem, todo ele, convidativo à mudança de posturas, de abertura a novos pontos de vista, para paradigmas que estimulem o progresso e a disseminação de ideias que tragam o bem geral.

07/04/2017

Um processo que pode ser deplorável ou de intensa dignidade


Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com

Valendo-se de uma dolorosa realidade no mundo em que vivemos – e que pode ser traduzido sob outro ponto de vista no difícil e complexo momento brasileiro –, o amigo Rogério Coelho escreveu reflexão convite, referindo-se a outra região do planeta – mas que podemos perfeitamente aplicar no país em que vivemos para alterar essa egoísta situação que prevalece –, utilizando-se de belo texto parcial do grande escritor Deolindo Amorim. Trata-se do processo persuasivo, da influência que muitas vezes nos permitimos levar e que pode ser deplorável. Mas seria preferível que fosse a doce influência que educa e corrige as imperfeições morais que ainda carregamos. Acompanhe comigo, leitor:

Oriente Médio... Um táxi para na barreira policial...  No banco de trás uma jovem mãe e seu bebê no colo.  Quando os soldados se aproximam, a jovem aciona a bomba matando a todos... Em outra ocasião, constatou-se que um débil mental foi instruído a fazer explodir uma bomba amarrada ao seu corpo...
Um psicólogo que atende crianças por essas regiões verificou, entre estarrecido e perplexo, que mais de 80% de seus pequenos clientes sonham transformar-se em mártires, ou seja: homens-bomba. São constantes as explosões de carros bombas, gerando tremenda carnificina...
Os que perpetram tais barbaridades têm sofrido lavagem cerebral desde a mais tenra idade, tapeados com falsas promessas de um paraíso de gozos e delícias.   Somando-se a isso a ignorância, o fanatismo que gera o fundamentalismo e falta de melhores perspectivas de vida, eis que está feito o coquetel explosivo.
Muito antes dessa moda de homens-bomba, Deolindo Amorim já escrevia sobre a metodologia da persuasão nefasta.  Sigamos seu raciocínio: “(...) existem pessoas que têm muita autoridade sobre outras por força de amizade ou admiração exa­gerada, senão às vezes também por atrativos pessoais. Pela convivência constante, o elemento que é sempre admirado ou exaltado como ídolo passa a exercer uma influência fora do comum, e, progressivamente, essa in­fluência transforma-se em poder sugestivo absorvente. Daí por diante, aquele que se deixou influenciar demais chega a um ponto em que não tem vontade, já não é mais dono de si, como se diz, pois fica dependendo do outro em quase tudo. E quantos, ainda mais, ficam sugestionados por um discurso empolgante ou comovente! Por outro lado, há muitos casos de sugestão coletiva.
(...) Aos poucos, aparentemente sem pressa, mas injetando ideias cuidadosamente preparadas, o interessado na doutrinação do paciente obtém o que quer se não encontra boa formação espiritual capaz de repelir as insinuações jei­tosas.  A vítima da persuasão fica como que sendo usada como se fosse um objeto. Rumorosos casos de fraudes, assim como crimes de natureza política, etc., foram cometidos por influência de uma urdidura persuasiva, às vezes camuflada e demorada, mas sempre pertinaz. Não nos faltariam exemplos ilustrativos na vida social ou nos conciliábulos do vício ou do crime... 
(...) A persuasão pode ser utilmente empregada como bom meio de auxílio físico ou espiritual, quando há dignidade e amor, mas pode – infelizmente – ser praticada para fins nocivos quando não há nenhum respeito pela pessoa humana”. 
Jesus utilizou-se do amor e persuadiu milhares de criaturas a segui-lO. Aí está a persuasão útil e sadiamente empregada. Quando Ele for verdadeiramente conhecido naquelas terras explosivas, nas quais viveu há dois mil anos, as coisas mudarão.  

Aí com o final da abordagem, podemos nos situar como convidados ao suave processo persuasivo do Mestre da Humanidade, para extinguir o ódio, a separação, as divergências que tantos prejuízos tem igualmente trazido à querida Pátria Brasileira, para também alterarmos a realidade difícil dos dias atuais, com o amor com que Ele nos convida viver.

30/03/2017

Zilda Arns, seareira do Cristo

Orson Peter Carrara

Diante dos descalabros morais que abalam o Brasil, lembrei-me dela. No lamentável terremoto que atingiu o Haiti em 2010, com vasta destruição e muitas mortes, levou também de retorno à pátria de origem a respeitável Zilda Arns. Com três indicações ao Premio Nobel da Paz, Zilda dedicou sua vida ao próximo. Irmã de D. Paulo Evaristo Arns e nascida em 1934, a notável mulher integra equipe dos seareiros do Cristo em atividade no planeta: uma vida dedicada à educação, ao amparo da infância, da gestante e da pessoa idosa. Morreu na causa que sempre acreditou, como afirmou D. Paulo.

Como conhecido, indicou o portal UOL na tarde daquela quarta-feira: “(...) Médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns era fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, órgão de Ação Social da CNBB. A Pastoral estima que cerca de 2 milhões de crianças e mais de 80 mil gestantes sejam acompanhadas todos os meses pela entidade em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania (...)”. É preciso falar mais?

Essa fecunda atividade no bem, normalmente em favor dos desfavorecidos de toda ordem, como a infância abandonada ou desnutrida, gestantes carentes e também pessoas idosas ou mesmo pessoas marginalizadas é grande marca dos seareiros do Cristo, que se inspiram no exemplo de Jesus, apesar das fraquezas e limitações humanas. Não perdem tempo com contendas, reclamações, justificativas, acusações ou dificuldades. Simplesmente trabalham. Trabalham porque reconhecem as dificuldades que aguardam a decisão humana, trabalham porque confiam no bem, trabalham porque sabem que o Mestre da Humanidade espera pela nossa decisão de amar.  Basta observar. Assim foram quando na passagem pelo planeta Irmã Dulce, Madre Tereza, Chico Xavier e outros valorosos vultos da história humana, ainda que muitos permaneçam anônimos, desconhecidos e mesmo na maioria das vezes incompreendidos e marginalizados. Cada um em seu estágio e atividades próprias, mas todos dignificando a condição humana.

Há um detalhe a não ser esquecido, porém: todos somos imortais. Por terremoto, doenças, acidentes, idade avançada ou outras casas, todos deveremos retornar à condição primeira de todos nós: seres imortais. Por isso, Zilda, como tantos outros, que continuam a trabalhar, ainda que invisíveis aos limitados olhos humanos, também continuará sua luta de fé e trabalho pelo bem, ainda que com o corpo físico destruído. O corpo não é alma; o corpo é mero instrumento temporário. O espírito vive e é imortal.

No caso da notável personalidade Zilda Arns, sete anos depois, não é a morte que interrompeu seu amor e dedicação à causa do bem, o amor ao semelhante em dificuldade ou sofrimento. Também a morte não afetou sua fé, sua confiança em Deus, sua determinação e perseverança nos ideais que abraçou. A morte apenas nos transfere para outra esfera, mas os laços de sintonia, afeto, esses continuam. Para nós, fica o exemplo de solidariedade, de humanidade. Exemplo dessa grande alma que também parte no trabalho, deixando a marca do bem em seus luminosos passos. Quanto ao terremoto, desafio para o nosso raciocínio de pensar por quê?

Como conciliar a bondade e grandeza do Criador com tanta violência e dor? É incompatível, não é mesmo? Há que haver uma causa anterior que determine tais acontecimentos e isso encontra explicação lógica na pluralidade das existências, princípio básico da Doutrina Espírita. O assunto é vasto e para ser entendido em toda sua amplitude precisa ser pesquisado, estudado. Por isso recomendamos, com ênfase, o estudo do tema em O Livro dos Espíritos, especialmente nas questões 737 a 741 e atreladas às questões 166 a 171 e 222, entre outras.

23/03/2017

Fez-nos falíveis

por Orson Peter Carrara

Não é difícil constatar a realidade das imperfeições morais que todos carregamos. Ainda somos seduzidos pela vaidade, pela ganância, pela arrogância. Também sucumbimos às variadas paixões, pelos interesses egoísticos, pelo orgulho desvairado. Somos capazes de manipular nos bastidores, transitamos com malícia e libertinagens nos caminhos da mentira e da corrupção; mentimos, trapaceamos, enganamos, enganamos a própria consciência. Cobiçamos bens alheios, invejamos posições, ficamos enciumados e carregamos boa dose de prepotência e pretensões descabidas, sem qualquer sentido que as justifiquem.

A realidade atual do planeta é bem destacada demonstração da mediocridade interior que ainda caracteriza nossa condição humana. O Brasil, por sua vez, mostra o total desequilíbrio que fomos nos situar por força dessas imperfeições todas que nos faz discutir por bagatelas, perdendo-nos dos verdadeiros interesses do viver para aprender.

Desanimador? Não! Motivador, ao contrário.
A Sabedoria Divina nos fez falíveis. Criou seres ignorantes justamente para que aprendessem e amadurecessem pela experiência das vivências, nos enfrentamentos todos que todos os dias são verificáveis. Fazendo-nos falíveis, passíveis de equívocos variados, dominados e seduzidos por paixões e interesses diferentes, sabia desses salutares enfrentamentos e equívocos que nos permitiríamos por ignorância e principalmente por ILUSÃO. Sim, iludidos pelo poder, pela autoridade, pela ganância, por pretensa superioridade.

Mas aí está o grande “x” da questão. Justamente por sermos falíveis e tais equívocos nos encaminharem às colheitas da semeadura – mais cedo ou mais tarde –, somos levados igualmente às reavaliações de posturas e comportamentos, amadurecendo a consciência e elevando o sentimento.

Convenhamos! Em quantas ilusões nos apegamos! Quanta bobagem, quanta ilusão com valores perecíveis! Observemos as lutas de interesse do país. A que isso levará? A curto e médio prazo, a aflições que poderiam ser dispensadas. A longo prazo a experiência constatadora do quanto tempo perdemos com bagatelas.

A realidade é, pois, altamente motivadora aos aprendizados. Retirar dessas situações todas experiências reflexivas para sermos melhor. Melhorar o padrão moral, o comportamento, o palavreado, sublimar os interesses, desenvolver a fraternidade.

Estamos ainda muito iludidos pelo TER, esquecendo a principal finalidade de viver; o SER. O ser que ama, que respeita, que aprende, que reconhece sua pequenez e movimenta forças para viver solidário. Iludidos, ficamos nas infindáveis discussões, esquecendo o principal.

Verifique-se as esferas de poder. Retrato fiel do império do materialismo, total desconhecimento de nossa realidade imortal. Mas busque-se também a esfera individual, na própria consciência. Como estamos? O que estamos sentido? O que buscamos? Quais nossos verdadeiros interesses?

Há um sentido para tudo isso: é o Divino Convite do Supremo Doador da Vida para que assumamos nossa condição de dignidade, saindo da esfera dos falíveis para a envergadura dos que se esforçam para a libertação dessa autêntica prisão da ignorância. Fazer-nos falíveis é Sabedoria que convida à permanente busca da perfeição, ainda que relativa. Em outras palavras, para síntese conclusiva: educação de nós mesmos, especialmente no sentir e viver a dignidade de nossa condição de filhos de Deus! Preconceitos e ilusões só levam a doloridos tropeções... melhor a disciplina do aprendiz que supera gradativamente a condição de falíveis.

15/03/2017

Acordam os que dormem

Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com

Valho-me de texto do notável amigo Rogério Coelho, de Muriaé (MG), em transcrições parciais e com mínimas adaptações, para oferecer ao leitor a preciosidade dessa reflexão sobre o processo sábio das aflições como instrumento depurativo para despertamento dos que dormem, indiferentes ou omissos, diante das graves responsabilidades de viver. Reflete o articulista amigo:
Bem-aventurados os que choram (aflitos), pois que serão consolados” - disse Jesus.
Nem todo aflito ou todo aquele que chora será consolado... As aflições são processos depurativos, que chegam ao homem, concitando-o à meditação em torno da problemática da existência, que não pode ser conduzida levianamente. Tua aflição mede o teu estado espiritual e representa o patrimônio de que dispões para recuperares a paz.

Dores de hoje, dívidas de ontem.  Aquele que ora se aflige, recupera-se das aflições que a outrem impôs, por isso "só na vida futura", se hoje bem se conduzir, será consolado.

Há, todavia, aflitos que se fazem afligentes, explodindo, em rebeldia, contra os fatores causais das suas necessidades evolutivas, não raro assumindo uma falsa posição de vítima e engalfinhando-se, nas disputas do desequilíbrio pelo trânsito, através do corredor da loucura por onde derrapam.
Há aflições que se fazem fardo de pesado ônus para aquele que da vida somente considera as vantagens utópicas, isto é, as transitórias alegrias decorrentes da ilusão.

Muitas aflições têm a medida que se lhes atribui aumentando-as ou valorizando-as, em face de uma atitude falsa ou decorrente da exigência de um mérito que em verdade não se possui...

Os aflitos a que se refere o Mestre são aqueles que da tribulação retiram o bom proveito; aqueles que encontram na dor um desafio para superarem-se a si mesmos; os que se abrasam na fé ardente e sobrepõem-se às conjunturas dolorosas; todos os que convertem as dificuldades e provações em experiências de sabedoria; os que sob o excruciar dos testemunhos demonstram a sua fé e perseverança nos ideais esposados, porfiando fiéis aos compromissos abraçados...

Os aflitos humildes e que se convertem em lições vivas de otimismo e de esperança  ̶  eis os que serão bem-aventurados, porque após as dívidas resgatadas, os labores realizados, os testemunhos confirmados, "serão consolados" pela bênção da consciência tranquila, no país da redenção total.
Tua aflição é o caminho da tua vitória sobre ti mesmo. Ela te dará a medida da tua fraqueza e a grandeza do amor e da sabedoria do Pai Criador.

Utiliza-te da sua metodologia para o mais breve triunfo que te cumpre alcançar.
Aquele que se arrepende de um mal, está aflito; aquele que se encoleriza, sofre aflição; quem persegue, padece agonia; quem inveja extremunha-se e chora; quem odeia, galvaniza-se sob o açodar da fúria e combure-se nos altos fornos do desequilíbrio que gera. Estes não serão, por enquanto, consolados.  Somente quando a consciência da dor os faça amar, submetendo-os à Divina Vontade, encontrarão na aflição a felicidade por que anelam.

A aflição está na Terra, por ser este um planeta de provas e dores, onde a felicidade ainda não se instalou, nem poderia fazê-lo por enquanto...
Concentra desse modo, as tuas aflições no Afligido em dívidas e entrega-te a Ele, seguindo-Lhe o exemplo, e, enquanto te encontres aflito, procura diminuir a aflição do teu próximo. Assim, fazendo, serás consolado, porque, conforme já sabemos, "as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa". Sofrendo-as com resignação, superá-las-ás, encontrando a paz."                                                                      

08/03/2017

A Lei do Trabalho –Entrevistando um Juiz do Trabalho


Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com
Natural de Araraquara, no interior paulista, onde também reside, ALAN CEZAR RUNHO é formado em Direito (1996) pela USP e Juiz do Trabalho desde 1998. Entrevistamo-lo sobre a legislação trabalhista e as Leis Divinas.
1 - Como conciliar a imperfeição das leis humanas, concernentes às leis trabalhistas e a sabedoria das Leis Divinas quanto ao trabalho?
As leis humanas existem porque o homem ainda não aprendeu amar. Quando praticarmos a lei do amor em toda sua essência, querendo para os outros o que queremos para nós mesmos, constataremos o quanto as leis humanas são supérfluas. Ao nos pautarmos pela ética do Cristo nos relacionamentos humanos, a imperfeição das leis humanas deixará de ser um obstáculo.
2 - Da legislação humana específica do trabalho, em sua opinião, quais aspectos mais progrediram de forma a se aproximarem dos objetivos da Providência Divina com relação ao bem dos seres humanos no planeta?
Ao longo dos anos, destaco como os maiores progressos da legislação trabalhista: 1) o aumento da proteção do trabalhador em relação à duração da jornada e às condições de higiene e segurança do trabalho, evitando a prematura degradação física e psíquica do ser humano; 2) a proibição contra qualquer tipo de discriminação por motivo de sexo, idade, cor, crença religiosa ou estado civil, evidenciando o conceito da fraternidade; e 3) recentemente, o reconhecimento da identidade de direitos do trabalhador doméstico, tido por alguns como o segundo estágio da Lei Áurea.
3 - O que nos falta ainda aperfeiçoar na legislação trabalhista humana para maior proximidade com as Leis Divinas?
Assim como a dor nos alerta quanto à necessidade de retomar o caminho das leis divinas, penso que a legislação ainda é carente de mecanismos eficazes de persuasão ao cumprimento das obrigações legais. Embora o arcabouço jurídico seja bastante robusto na previsão de direitos e garantias, o empenho Estatal para o seu respeito ainda é deficiente. Nesse estado de coisas, muitos se sentem tentados ao desrespeito a direitos fundamentais dos trabalhadores, aumentando as tensões e conflitos.
4 - Nos embates jurídicos trabalhistas, o que é mais expressivo? Por quê?
Infelizmente, a ganância e a incapacidade de exercer a alteridade, de colocar-se no lugar do outro na relação. De um lado, empregadores que escolhem descumprir obrigações básicas para auferirem maior lucro, apostando na impunidade; de outro, trabalhadores que vêm nas demandas judiciais uma chance de enriquecimento; de ambos os lados, representantes que esqueceram, ou não conheceram, o verdadeiro objetivo da Justiça e enxergam o processo apenas como uma fonte de renda. Isso acontece porque ainda somos materialistas e imediatistas. O orgulho ainda é traço marcante em nós e não compreendemos a lição do Cristo quando nos ensinou que a bem-aventurança está na brandura e na pacificidade.
5 - O egoísmo e o orgulho ainda têm sido grandes obstáculos nas conciliações trabalhistas? Um juiz consegue atenuar esses quadros?
Penso que já adiantei tal convicção nas perguntas anteriores e respondo afirmativamente. A postura materialista advinda do egoísmo e do orgulho é o maior entrave à conciliação. O juiz consegue atenuar esse quadro quando age com serenidade e domina a arte da persuasão, como Jesus no episódio da mulher adúltera. Não foi com o emprego de força ou argumentação sólida, tampouco com a exibição de seu título de autoridade que Jesus fez cessar a agressão àquela mulher, mas com a persuasão.
6 - Suas palavras finais
Que possamos compreender o trabalho como uma ferramenta de evolução moral, e não como um meio de acumulação de riquezas materiais, tampouco como uma punição, como na interpretação precipitada da alegoria bíblica.

02/03/2017

Não te ajudar a viver seria não te amar

Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com

O título da presente abordagem é uma resposta. Ela foi dada diante da indagação sobre o amparo também nas questões materiais. Para situar o leitor, é oportuno reproduzir trecho parcial da indagação: “(...) mas gostaríeis de me dizer se essa proteção se estende também às coisas materiais da vida? “  A reposta é marcante: “Neste mundo, a vida material importa muito; não te ajudar a viver, seria não te amar”.

Há que se considerar sim, com ênfase, a importância da vida material face aos desafios de crescimento e aprendizado. Face à luta que a mesma apresenta, em vários sentidos, nada mais justo compreender que a assistência abranja também a vida material.

O ajudar a viver, como bem afirmado, é amar aquele a quem se dirige proteção. E isso naturalmente inclui as lutas materiais, de sobrevivência inclusive, óbvio.
Busque-se as lições imorredouras do Mestre da Humanidade e encontramos: Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e todas as coisas vos serão acrescentadas.

Pensemos na expressão todas as coisas, incluída no ensino imortal. Ali estão compreendidas as materiais e as espirituais. Embora ali constantes, estão disponíveis somente para os que buscam em primeiro lugar o reino de Deus. Os demais não estão deserdados, mas também não usufruem. A herança permanece intocável, pendente, todavia, da cláusula suspensiva ou condicionante do Buscai primeiro.

E aí entra o entendimento das expressões Reino de Deus e sua justiça e mesmo do Buscai primeiro. O que está contido nessas indicações? Como leitor entende esses parâmetros de orientações? Veja que aí cabem muitas reflexões e desdobramentos que deixamos ao estudo e pesquisa do leitor.

O que nos move é mesmo destacar o amparo que nunca falta, inclusive materialmente, mas embora para todos, pendentes e condicionantes também de nosso esforço em buscar primeiro o Reino de Deus. Fator que, quando existente, abre os caminhos do mérito e do amparo imediato e incondicional.

É justo. As pérolas celestiais não são lançadas a esmo pela Divindade, mas incrustadas com carinho, uma a uma, na tiara imortal dos que amam e têm fé em Deus.
Daí a afirmação: Não te ajudar a viver seria não te amar.
Essa resposta afirmação está em Obras Póstumas, capítulo terceiro da segunda parte, no item Meu guia espiritual, em comunicação de 09 de abril de 1856, e foi dada ao ilustre Codificador.

Agora convido o leitor pensar na sempre presente assistência, nunca faltante, nas diferentes situações da vida, onde o amparo é palpável, basta aguçarmos a sensibilidade e constatar com facilidade que esse fecundo amor está aí presente, nos ajudando viver.
Tais considerações, inclusive com pequenas transcrições parciais, aproveitamos do livro O Esplendor das Bem-Aventuranças, do amigo Mário Frigéri, da Editora Mundo Maior. Está no capítulo Filigranas de André Luiz, inclusive lembrado com O Caso Ester, citado no livro Missionários da Luz, capítulo 11 – Intercessão, que recomendamos aos leitores.


É que a presença do amor sempre age, sempre socorre, sempre ampara...

23/02/2017

Colunas vivas

Orson Peter Carrara
A lucidez e coerência de Emmanuel se faz presente em tudo que escreveu. Seus textos, sábios e objetivos, conclamam-nos diretamente ao entendimento de graves ou pequenas questões da vida humana e seus desafios. Seus romances densos, históricos, ou seus textos compactos em breves mensagens revelam bondade, sabedoria e estímulo ao bem, ao crescimento pessoal e coletivo. Foram milhares de páginas por Chico Xavier.
No último parágrafo da mensagem Mecanismos do Auxílio, ele afirma: Em qualquer plano do Universo, toda vez que desejarmos realmente o bem, é forçoso nos convertamos em colunas vivas do bem.
Analisemos com olhar abrangente:
  1. Em qualquer plano do Universo... isso é muito além das aparências, das circunstâncias, do tempo, época, relacionamento, atividades... quer dizer, em qualquer momento ou lugar.
  2. Toda vez que desejamos realmente o bem. Desejamos sempre o bem? Quando o desejamos? É real esse desejo do bem ou mascarado por interesses? E o que é o bem em nosso entendimento? Já pensamos nisso? E como interpretamos o desejo do bem?
  3. Converter-se em colunas vivas do bem – Note-se o processo de transformação interior, edificando fortaleza que age em favor do bem geral. Na imagem simbólica de colunas vivas, o convite do sal da terra que faz a diferença na convivência social ou familiar. Coluna lembra sustentáculo, alicerce. Somos daqueles que sustentam a alimentam a vida ou ainda estagiamos como pedintes?
Referida mensagem foi publicada no Anuário Espírita de 1972 (o médium enviou de 1964 – quando surgiu a publicação por sugestão dele mesmo – até 2002, quando de sua desencarnação, mensagens de variados benfeitores espirituais para serem publicadas no conhecido Anuário, que continua sua caminhada e já tem disponível também a edição de 2017). Essas mensagens, nessa sequência de anos, estão reunidas agora em 89 capítulos que resultou no novo livro Chico Xavier e suas mensagens no Anuário Espírita. A mensagem ora comentada está no capítulo 65.
O fato marcante, porém, é a solidez das reflexões do citado benfeitor, sempre com sabedoria, com bondade, com amor autêntico recheado de firmeza que indica caminhos e orienta.
É nessas mensagens compactas que encontramos em poucas palavras e em parágrafos curtos ensinos de grande valor que desdobrar em valiosos caminhos de orientação. Aliás, todas as mensagens remetidas pelo médium para publicação, de rápidos parágrafos, trazem esse perfil.
E sobre as colunas vivas, em comparação magnífica, sejamos nós as fortalezas da determinação, da fé operante, para atenuar as agruras do mundo, se realmente desejamos o bem em torno de todos nós.

16/02/2017

Para não espanar



Orson Peter Carrara

Desemprego galopante, surpreendente. Crises sociais intensas. Preocupações e angústias que se multiplicam. Desafiantes situações surgem diariamente para indivíduos, empresas, instituições, famílias. Tanto na área do relacionamento, dos questionamentos interiores, na empregabilidade, na saúde, na violência ou na indiferença, tudo convidando a rever posturas e posicionamentos, estimulando novas buscas, convidado à renovação e derrubando velhos e ultrapassados paradigmas. 
Por mais paradoxal que possa parecer, são situações necessárias. Justamente para nos despertar dessa letargia da indiferença ou do comodismo, da incredulidade.

Causas? Não é difícil indicar. O materialismo, ou a crença no nada, a busca desenfreada do prazer, o valorizar da ganância, do poder, do dinheiro, em detrimento dos valores essenciais.
Diz-nos, todavia, o poema de Cruz e Souza (1861-1898), poeta catarinense de emotividade delicada: (em Parnaso de Além-Túmulo, ed. FEB, página 385 da 19ª edição, de abril/16)

Aos torturados
Torturados da vida, um passo adiante;
Nos desertos dos áridos caminhos,
Abandonados, trêmulos, sozinhos,
Infelizes na dor a cada instante

Sobre a luz que vos guia, bruxuleante,
E além dos trilhos de ásperos espinhos,
Fulgem no Além os deslumbrantes ninhos,
Mundos de amor no claro azul distante...

Chorai! Que a imensidade inteira chora
Sonhando a mesma luz e a mesma aurora
Que idealizais chorando nas algemas!

Vibrai no mesmo anseio em que palpita
A alma universal, sonhando, aflita,
As perfeições eternas e supremas!

É que a vida é muito mais que os áridos caminhos da vida humana. Aqui são degraus de aprendizado, abrindo caminho para felicidade concreta que alcançaremos. Mas há o preço do aprendizado e do amadurecimento. Para não espanarmos, pois, na tristeza ou no descontrole, a diretriz é Prosseguir! Sempre confiantes, determinados, ativos e especialmente comprometidos com o bem geral e, claro, com a poderosa ferramenta da fé. Da fé que raciocina, que pensa, que analisa, que observa. Não aquela que vacila diante dos obstáculos.

Apertam as situações? Pressionam as adversidades? Bom sinal! É clara a indicação que estamos sendo convocados a sair do comodismo e da indiferença, da descrença e do desamor, convidados claramente agora à vivência da fraternidade. Exatamente aquela que nos ensina a amar.  Se não formos espontâneos na busca dessa singular oportunidade, vem a dor cumprir seu papel e despertar nossa insensibilidade. Melhor, pois, agir com inteligência e desenvolvermos em nós mesmos os mecanismos do amor.

Esperam-nos panoramas iluminados de amor e felicidade, no futuro. Mas temos que construir uma escada e subir seus degraus. Daí a importância vital da iniciativa!

Inspiremo-nos no bem geral, deixemo-nos contagiar pela vontade ser útil, dispensemos o egoísmo e a vaidade, esqueçamos a ganância, excluamos o orgulho que se fere tão fácil e olhemo-nos com os olhos repletos de compreensão descobrindo os intensos valores que todos possuímos, passaportes que nos levarão às moradas de felicidade que nos aguardam de portas abertas.