No dia 11 de dezembro

Orson Peter Carrara
Uma das curiosidades práticas facilitadas pela Internet é buscar eventos históricos ou comemorativos em cada dia do ano, ampliando-se com informações de nascimentos, falecimentos de personalidades conhecidas, fatos da história e mesmo alguns eventos relacionados com a data em pesquisa. Sugiro ao leitor colocar uma data escolhida nos portais de pesquisa para deparar-se com vasta informação.
O dia 11 dezembro, por exemplo, é o dia de nascimento da conhecida atriz Elisângela e também de falecimento do ator Carlos Zara; também é o Dia do Tango, na Argentina. No mesmo dia, em 1792, é iniciado o julgamento do rei deposto da França, Luis XVI, que é condenado por alta traição e guilhotinado; mas também é o dia da assinatura do Protocolo de Quioto (1997) e do Plebiscito sobre a divisão do estado do Pará (2011), que não foi aprovada. Mas não é só, pois são muitos os fatos que podem ser pesquisados pelo leitor, como em qualquer outra data. Mas a motivação principal da abordagem está mesmo num fato muito significativo também comemorado no dia 11 de dezembro, entre outros. Trata-se do Dia Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs).
Pela máxima importância desse órgão, de expressão nacional e reconhecidamente uma instituição com bases não só na área da saúde, mas com alta feição social e cristã – pelo dever moral que cabe à sociedade junto às dificuldades humanas – destaca-se pelo pioneirismo. Historicamente, é órgão nascido no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1954, por ocasião da chegada ao Brasil de Beatrice Bemis, procedente dos Estados Unidos, membro do corpo diplomático norte-americano e mãe de uma portadora de Síndrome de Down. Motivados por aquela cidadã, um grupo, congregando pais, amigos, professores e médicos de excepcionais, fundou a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Brasil.
A primeira reunião do Conselho Deliberativo ocorreu em março de 1955 na sede da Sociedade Pestalozzi do Brasil. Esta colocou a disposição, parte de um prédio, para que instalassem uma escola para crianças excepcionais, conforme desejo do professor La Fayette Cortes. De 1954 a 1962, surgiram outras APAEs. Pela primeira vez no Brasil discutia-se a questão da pessoa portadora de deficiência com um grupo de famílias que trazia para o movimento suas experiências como pais de deficientes e, em alguns casos, também como técnicos na área.
Para uma melhor articulação de suas ideias, sentiram a necessidade de criar um organismo nacional. Criou-se então a Federação Nacional das APAEs. Em 1964 o Presidente Castelo Branco apoiou a iniciativa para a aquisição de um prédio. Com a aquisição da sede própria a Federação foi transferida para Brasília. Adotou-se como símbolo a figura de uma flor ladeada por duas mãos em perfil, uma em posição de amparo e a outra de proteção. A Federação, a exemplo de uma APAE, se caracteriza por ser uma sociedade civil, filantrópica, de caráter cultural, assistencial e educacional com duração indeterminada, congregando como filiadas as APAEs e outras entidades congêneres, tendo sede e fórum em Brasília.
Com a presente síntese histórica, extraída por conhecido portal wikipédia.org homenageamos a importante instituição que se distribui por todo Brasil, com sua excelência de serviços, experiências e desdobramentos que se acumulam ao longo do tempo. O próprio progresso da mentalidade humana alterou a expressão excepcional para especial, o que denota o respeito às diferenças, sem discriminar.
Sua feição cristã, de amor ao semelhante – sem se importar com sua condição – e de alto cunho sócio-educativo, mas também cultural e assistencial, é digna do maior respeito, consideração e gratidão pela sociedade brasileira. Fica nosso registro e cumprimentos aos profissionais que atuam nos serviços prestados e às abnegadas diretorias que se destacam pela dedicação e desprendimento em tais ações.

Mas o dia 11 de dezembro também tem um significado especial ao meu coração. Casei-me com Neuza, há 34 anos, em 1982. E com um detalhe: ela também nasceu no dia 11 de dezembro! Da convivência sempre amiga e harmoniosa vieram os três filhos e depois os dois netos: Amanda (em 2013) e Leonardo (em 2015). O casamento é uma experiência enriquecedora, de intensos aprendizados, especialmente quando se convive com alguém cujas virtudes estou distante de possuir. Um dia muito especial, pois! Afinal, 34 anos são 34 anos!

Dor e fé no país

Orson Peter Carrara
O doloroso acidente aéreo com o time de futebol de Chapecó (SC), traz à tona novamente a velha questão das mortes coletivas, que vez por outra atinge a sociedade humana, em quadros de profunda dor, especialmente face ao impacto das ocorrências.

Lembro-me, quando adolescente ainda, do pavoroso acidente que vitimou igualmente muitas pessoas em Mineiros do Tietê (SP), chocando a cidade. Não é para menos. É muito doloroso, pois a dor é intensa para as famílias envolvidas e mesmo para todos nós que, embora não envolvidos diretamente, sofremos igualmente pelo impacto.

São fatos que, depois de ocorridos, não há o que se fazer, exceto buscarmos a Deus na aceitação do fato já consolidado, e usarmos a fé como principal instrumento de resignação frente à expressiva adversidade que esfacela famílias inteiras.

Essas forças para nos mantermos de pé e para continuar vivendo, busquemos na patente realidade de que somos imortais. Embora a dor inevitável, a vida não é o corpo. Estamos no corpo, mas não somos o corpo. Somos, antes, seres imortais utilizando temporariamente uma veste que utilizamos em nosso processo de aprendizado. Uma veste que envelhece, sofre acidentes, desgasta-se com o tempo e morre depois de um certo tempo, sendo devolvida porque não nos pertence.

Alguns, todavia, retornam mais cedo.  Por razões que nos escapam por enquanto, mas que saberemos mais tarde. Enfermidades, acidentes, bala perdida, velhice, quedas fatais, derrames ou infartos, tumores malignos ou outras causas, são apenas nomes que designam uma forma de voltar à origem comum, à realidade do que somos. O fato patente, todavia, é que não somos daqui, estamos aqui.

As causas estão na nossa necessidade de aprendizado que remontam no tempo e que no momento não temos condições de alcançar ou avaliar.
Para o enfrentamento, todavia, de situações tão dolorosas e mesmo traumáticas, é guardamos no coração o conforto da presença de Deus que nunca desampara seus filhos e que, se permite tais fatos, há razões de sua sabedoria que ainda não temos condições de compreender, mas que compreenderemos com grande extensão num tempo que virá.

Seja qual for a crença que adotamos, guardemos confiança em Deus. Os chamados mortos vivem. São seres imortais. Precisam de nossa resignação e aceitação no momento que também é difícil para eles, no impacto da separação. Nossa dor os atinge de maneira igualmente muito dolorida. Nossa aceitação, apesar da dor, suaviza-lhes os processos de readaptação à nova realidade.

Sim, eles vivem! A vida continua, é imortal. As causas de tais ocorrências estão perfeitamente enquadradas em nossas necessidades de aprendizado, que incluem as famílias. A dor é superlativa, bem o sabemos, e nosso dever de cristãos é vibrarmos em favor dessas famílias envolvidas pela dor da separação impactante de um acidente, como é o caso. A prece suaviza, acalma, fortalece. 

Os corpos são vestes emprestadas por algum tempo para nossa permanência nessa autêntica escola que é o planeta. Desfazem-se com o tempo.
É como o exemplo da roseira. As pétalas que caem pelo vento não são a rosa ou a planta que lhe faz surgir. A vida está na semente da planta, que sempre ressurge e refloresce. Somos a vida e não os corpos!
Ressurgimos continuamente, continuando nosso aprendizado e fazendo-nos cada vez mais felizes e unidos pelos laços do amor. Bendita Imortalidade, verdadeiro e imorredouro presente de Deus aos filhos!

Choremos, sim. De saudade, não de revolta. O amor nunca se separa! E a bondade de Deus nunca nos abandona. Por meios que desconhecemos, Deus permanece agindo... em nosso bem.
Por outro lado, é comovente ver tanta solidariedade e comoção surgidas com a dura e triste notícia que abalou o país. Deus tem suas razões. Aceitemo-las e peçamos força e coragem no enfrentamento da difícil batalha com a dor.

Guardemos vigilância e fidelidade

Orson Peter Carrara
O Espírito André Luiz, pelo médium Antonio Baduy Filho, no livro Vivendo o Evangelho, volume I faz importante advertência. A obra foi editada pelo IDE-Araras e consta de dois volumes, ambos comentando os capítulos e trechos de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Baduy, o médium, é muito conhecido, é médico e trabalho muito tempo ao lado de Chico Xavier, recebendo a primeira mensagem do referido espírito em 1969. Os Espíritos Valérium e Hilário Silva também psicografaram por Baduy.
E no volume I, comentando a Introdução (os dois volumes comentam todo o citado livro da Codificação), às páginas 32 e 33 da 1ª. edição, encontramos com o título Adversário Íntimo, diversas frases relacionando as dificuldades enfrentadas por Jesus e por Kardec na tarefa a que se propuseram, cada um a seu tempo e com objetivos específicos e em situações e tempo diferentes, mas para ambos marcados pela incompreensão.
A advertência está no último parágrafo. Todavia, transcrevemos os dois últimos parágrafos da importância lição, para nossa melhor fixação:
“(...) O Mestre da Boa Nova e o Professor da Nova Revelação colheram adversários declarados, durante a missão sublime de anunciar e restabelecer as verdades divinas.
De nossa parte, guardemos vigilância e fidelidade aos ideais, para que não nos transformemos, por negligência ou arrogância, em adversários íntimos da causa que abraçamos, recordando que Jesus foi traído pelo discípulo do Evangelho e Kardec tem sido negado por aqueles que mais dizem honrar a Codificação Espírita.”
É muito grave a advertência do autor espiritual e precisamos mesmo estar muito atentos para não sermos protagonistas autores ou alimentadores dessa negação do contido na Codificação que nos conclama ao bom senso e ao uso do discernimento nas questões doutrinárias e mesmo na condução das instituições a que nos vinculemos, pois que a ausência de vigilância ou nossa negligência e mesmo a arrogância (termos utilizados pelo espírito) não sejam causa de divisões e prejuízos aos objetivos da presença do Espiritismo no planeta.
Precisamos ou não de atenta observação de nós mesmos ao invés da observação sobre o comportamento alheio?
Sim, porque como raciocina o autor, podemos nos transformar em adversários íntimos da causa que abraçamos.

Consultas aos espíritos

Orson Peter Carrara
Allan Kardec dedicou todo o capítulo XXVI – segunda parte – de O Livro dos Médiuns para abordar o tema Perguntas que se podem dirigir aos Espíritos. O capítulo é muito rico em informações, ocupando dezenas de páginas e relacionando aspectos como Perguntas sobre o futuro, o passado, interesses morais e materiais, saúde, situação de conhecidos no mundo espiritual, invenções e descobertas e inclusive sobre outros planetas. Além disso, as observações preliminares são valiosas e mesmo sobre perguntas simpáticas ou
antipáticas a eles, os consultados.
Os itens 286 e 287 do citado capítulo são de uma lucidez e atualidade que não podem ser esquecidas, razão pela qual iniciamos nossa abordagem com essas indicações.
Todavia, apesar do embasamento doutrinário do assunto, objetivo é destacar valiosa orientação transmitida pelo Espírito André Luiz, pelo médium Antonio Baduy Filho, e constante do livro Vivendo o Evangelho, volume I. A obra foi editada pelo IDE-Araras e consta de dois volumes, ambos comentando os capítulos e trechos de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Baduy, o médium, é muito conhecido, é médico e trabalho muito tempo ao lado de Chico Xavier, recebendo a primeira mensagem do referido espírito em 1969. Os Espíritos Valérium e Hilário Silva também psicografaram por Baduy.
E no volume I, comentando a Introdução (os dois volumes comentam todo o citado livro da Codificação), às páginas 31 e 32 da 1ª. edição, encontramos com o título Consultas Espirituais, com uma única palavra efetuando determinada indagação que poderia nos levar a perguntar aos espíritos sobre nossa condição, situação ou expectativas, e respostas com apenas duas palavras em dez situações, há uma conclusão preciosa que culmina com o seguinte raciocínio: “(...) consultas inconvenientes aos Espíritos quase sempre acabam em respostas de Espíritos inconvenientes.”
Um enorme bom senso na resposta! Um discernimento incomparável, afinal os interesses que movem as perguntas podem ser absolutamente inconvenientes, especialmente depois de termos estudado o citado capítulo de O Livro dos Médiuns, uma vez que o teor das perguntas atrai Espíritos inconvenientes que se misturam nos ambientes e relacionamentos humanos, de vez que o conhecimento da Escala Espírita, em O Livro dos Espíritos, é bem claro (questões 100 a 113) ao demonstrar que o fato do espírito estar habitando o mundo espiritual e se comunicando não significa, em absoluto, que seja esclarecido ou bondoso. Podemos estar sendo visitados por espíritos ignorantes ou mal intencionados, que poderão responder aos interesses de nossos questionamentos.
Então, novamente a prudência é recomendada no velho quesito das consultas espirituais, pois que perguntas inconvenientes podem ser respondidas por espíritos inconvenientes.
Vamos estudar? Assim compreendemos e não corremos riscos desnecessários que levam a precipitações, fanatismo ou incompreensões sobre os espíritos a quem buscamos auxílio.


Finanças e aflições – os boletos vencem...

Orson Peter Carrara
O site Clube dos Poupadores publicou interessante matéria sobre a dúvida de um leitor desesperado (não por doença, morte ou desemprego), que indagava – pois não conseguia encontrar uma resposta – se deveria viajar para a praia ou juntar dinheiro. A matéria tem o sugestivo título: “Viajar ou juntar dinheiro? E o desespero de uma escolha”.
O texto é muito valioso e sugiro ao leitor ler na íntegra. Não será difícil encontrá-lo com as facilidades atuais da internet, utilizando-se daquele título na pesquisa ou mesmo procurando no site indicado. Afinal os boletos vencem...
Na resposta, sem identificação da pessoa perguntou e com texto parcial da dúvida apresentada, representa bem a realidade do país e mesmo das circunstâncias individuais ou familiares diante da velha questão das finanças, os compromissos e os anseios e desejos.

Como traduz o texto, a pessoa que pergunta “(...) sofre um clássico conflito entre o QUERER, PODER e DEVER. (...)” a resposta sugere “(...) um teste sempre que estivermos diante de uma decisão, especialmente uma decisão envolvendo dinheiro e tempo. Esse teste consiste em fazer a seguinte pergunta diante da dúvida: Será que eu realmente quero? Será que eu realmente posso? Será que eu realmente devo? Será que precisa ser agora? (...)”. E na sequencia traz a íntegra do e-mail enviado ao site, seguido da resposta para o teste: “(...) Você quer ir para a praia? Claro que sim, quem não quer? Você pode ir para a praia? Sim, você tem dinheiro na sua reserva de emergência. Você deve ir para a praia? Não, sua reserva não serve para isso, mas no futuro é ela que vai garantir muitas viagens para a praia. Será que você precisa ir para a praia agora? Claro que não, tudo tem seu tempo e o tempo agora é de plantar e construir as bases.... (...)”.
A conclusão deve estar em nossas cogitações, pela realidade e utilidade que apresenta para pessoas e famílias: “(...) Estamos próximos dos meses de férias, festas de final de ano, black friday e outras motivações para gastar dinheiro. É ótimo ter dinheiro para gastar nesses eventos, mas primeiro você deve fazer o seu dever de casa. Precisamos nos habituar com a ideia de que compras e viagens devem ser eventos planejados, para que você não dependa do uso das suas reservas de emergência ou mesmo dos seus investimentos para o futuro como fonte de recursos. Lembre-se que nem tudo que eu quero eu posso... (...)”.
A expressão e consciência de eventos planejados é perfeita. Somente com planejamento podemos concretizar desejos com tranquilidade.
Afinal, as aflições são de duas origens: causas atuais (provenientes de causas variadas, entre as quais, do caráter, da conduta, da negligência, da indiferença ou acomodação, despreparo, ausência de planejamento, interesses calculados, imprevidência, orgulho, ambição, vaidade, excessos, vícios, entre tantas outras que podemos relacionar) e causas anteriores (que são aquelas que nos escapam ao entendimento da origem e ocorrência geradora nas experiências anteriores à atual que vivenciamos, sempre apresentadas com consequências de desvios morais ou descuidos da negligência, em desatenção à Lei de Amor que rege a vida).
Então, também as finanças podem se tornar motivo de aflição se não nos organizarmos. Um planejamento cuidadoso evita dissabores, nos faz enxergar com critério aquilo que queremos, podemos ou devemos... Isso porque a resignação, a paciência e o confiar no tempo – com trabalho nos objetivos que se deseja alcançar – são requisitos valiosos para encontrarmos serenidade. E claro, também, a felicidade!

Uma consulta ao capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo ampliará a visão sobre a questão. Lá estão os belos subtítulos Bem e Mal Sofrer, Tormentos Voluntários e O Mal e o Remédio, entre outros, inclusive o precioso A infelicidade real.

Valiosas respostas de Divaldo

Orson Peter Carrara orsonpeter92@gmail.com
Relaciono ao leitor respostas de Divaldo, em transcrição parcial, de correspondência enviada ao Presidente da FEB em agosto de 1982, respondendo ao questionário que lhe foi proposto. O texto completo pode ser pesquisado no google com o título: Importância da Evangelização Infantil – Seara Espírita Infantil.
Face à importância das oportunas declarações, torna-se dever de todos nós, palestrantes, dirigentes e trabalhadores espíritas, ampla divulgação e reflexão em torno das valiosas orientações (lembro ao leitor que transcrevo parcialmente):
05. Existem condições mínimas para que alguém possa desempenhar a tarefa de evangelização? Quais seriam?

Não pretendemos estabelecer regras de comportamento doutrinário, que já se encontram muito bem apresentadas no corpo da Doutrina Espírita, e, em particular, na excelente página “o homem de bem” e a seguir “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec.

Não obstante, a pessoa que deseje desempenhar a tarefa de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil deve possuir conhecimento da Doutrina Espírita e boa moral como embasamento para a tarefa que pretende. Como necessidade igualmente primordial, deve ter conhecimentos de Pedagogia, Psicologia Infantil, Metodologia, sem deixar à margem o alimento do amor, indispensável em todo cometimento de valorização do homem. Aliás, a programação para a preparação de evangelizadores infanto-juvenis tem tido preocupação em oferecer esses elementos básicos nos encontros e Cursos que são ministrados periodicamente em diversas regiões do país sob a orientação da FEB.
06. Que papel cabe aos espíritas de um modo geral, isto é, àqueles que não atuam diretamente na Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, para o crescimento e maior êxito dessa tarefa?

O de divulgar este trabalho importante, estimulando os pais para que encaminhem, quanto antes, os seus filhos à preparação e orientação evangélico-espírita, de modo a contribuírem significativamente para os resultados que todos esperamos. Da mesma forma, exemplificarem, levando os filhos às aulas hebdomadárias e mantendo, no lar, a vivência espírita, que ainda é a melhor metodologia para influenciar mentes e conduzir sentimentos.
07. Que orientação os Amigos Espirituais dariam aos pais espíritas em relação ao encaminhamento dos filhos à Escola de Evangelização dos Centros Espíritas?

Informa-me Joanna de Ângelis que, na condição de pais e orientadores, temos a preocupação de oferecer a melhor alimentação aos filhos e aos nossos educandos; favorecê-los com o melhor círculo de amigos; vesti-los de forma decente e agradável; encaminhá-los aos melhores professores, dentro da nossa renda; proporcionar-lhes o mais eficiente médico e os mais eficazes medicamentos quando estejam enfermos; conceder-lhes meios para a manutenção da vida; encaminhá-los na profissão que escolham... É natural que, também, tenhamos a preocupação maior de atendê-los com a melhor diretriz para uma vida digna e um porvir espiritual seguro, e esta rota é a Doutrina Espírita. Portanto, encaminhemo-los às Escolas de Evangelização dos Centros Espíritas, ou, do contrário, não estaremos cumprindo com as nossas obrigações.
 08. Que recursos poderiam ser, ainda, acionados para expandir a tarefa de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil?


Maior e mais constante contato entre evangelizadores e pais, a fim de os conscientizar da alta responsabilidade que a estes últimos diz respeito, pedindo ajuda e num intercâmbio frequente, já que ambos são interessados na formação moral e espiritual da criança e do jovem. Seria, também, muito válido, que os resultados da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil fossem mais divulgados nos Centros Espíritas e se insistisse mais na colocação de que todo bem feito à infância se transforma em bênção no adulto.

Devassando o Invisível

Orson Peter Carrara

Nunca será demais falar da literatura produzida pela médium Yvonne do Amaral Pereira. Seus livros são caracterizados por extrema lucidez doutrinária, com orientações precisas e valiosas para boa compreensão dos princípios do Espiritismo. Seus artigos, com argumentações muito bem fundamentadas, publicados durante anos pela revista Reformador, além dos inúmeros livros publicados, deixaram expressiva contribuição para o estudo do Espiritismo. Muitos dos artigos, inclusive, foram selecionados e publicados em livros.

Dos livros
Os livros, muitos deles romances – sempre com o objetivo de elucidar as questões doutrinárias – e outros especificamente doutrinários, constituem verdadeiro marco na literatura espírita. Yvonne tem sua biografia bastante conhecida e divulgada, inclusive pela Internet e é preciso que se destaque com constância o fruto de seu esforço intelectual para bem explicar os pontos e ensinos trazidos pelo Espiritismo, tal é a lucidez de seus raciocínios, especialmente em se tratando de mediunidade.

Do livro em destaque
O livro em destaque, que intitula a presente abordagem,
constitui igualmente valiosa peça da extensa bibliografia espírita, sendo recomendado para todos os estudiosos do Espiritismo. Composto de apenas 10 capítulos, todos eles extraordinários, o livro pode ser considerado um clássico da literatura espírita. O próprio índice da obra já indica sua abrangência. Entre eles, selecionamos para atenção do leitor: Como se trajam os Espíritos, Frederico Chopin, na Espiritualidade, Romances Mediúnicos e Os grandes segredos do Além, merecem especial consulta pelos leitores.

O livro tem introdução datada de 1962 e no subtítulo encontramos: Estudos sobre fenômenos e fatos transcendentes devassados pela mediunidade, sob a orientação dos Espíritos-Guias da médium.

É de tal dimensão e expressão a obra ora comentada, que optamos por não fazer transcrições. Seria reduzir muito o valor da obra. Para compreender seu exato valor, há que se conhecer a obra em seu texto integral. Com muito empenho, sugerimos a todos os que se aproximam do Espiritismo que conheçam a obra. Mas não só essa que destacamos. As demais obras assinadas pela médium são de valor inestimável. Para que tenhamos exata compreensão do Espiritismo será preciso conhecer também as obras da notável e inesquecível médium Yvonne do Amaral Pereira. 

Desvios de foco

– Orson Peter Carrara

Perguntemo-nos, sem cessar, sobre os objetivos do Espiritismo, para permanecermos como tarefeiros comprometidos com os altos objetivos da presença do Consolador no planeta, que visa – em essência – melhorar nosso padrão moral, estimular a legítima fraternidade na vivência do Evangelho de Jesus e manter o cumprimento das Leis Morais tão bem apresentadas em O Livro dos Espíritos, por meio de criaturas esclarecidas e comprometidas com o bem geral da Humanidade.

Esse questionamento permanente é importante para não desviarmos o foco da tarefa espírita. Os desafios todos, atualmente em curso nas dificuldades do movimento espírita, provém do desconhecimento doutrinário e do uso do ambiente espírita para objetivos incoerentes com a legítima grandeza da Doutrina Espírita. Senão vejamos:
  1. Desviamos o foco quando colocamos em plano secundário o estudo espírita que orienta e esclarece o frequentador, ajudando-o na superação das dificuldades próprias e formando trabalhadores para o bem geral;
  2. Desviamos o foco quando introduzimos práticas estranhas ao Espiritismo, prejudicando o andamento e fluir natural do conhecimento que constrói adeptos esclarecidos que estudam e se esforçam por agir conforme se esclarecem;
  3. Desviamos o foco quando transformamos a tribuna em locais de projeção pessoal ou para defesa de ideias pessoais incompatíveis com a Doutrina Espírita;
  4. Desviamos o foco quando o personalismo nos domine e nos tornamos tiranos na condução das instituições sob nossa responsabilidade, considerando-nos exclusivos detentores da razão e pretensos dominadores da liberdade alheia;
  5. Desviamos o foco quando transformamos nossas instituições em cópias perfeitas de outras práticas religiosas  – embora o respeito que mereçam – por meio de músicas, rituais, gestos, roupas e condicionamentos que tornam os adeptos dependentes de práticas distantes da clareza e naturalidade prática espírita;
  6. Desviamos o foco quando condicionamos a prática espírita em práticas esdrúxulas de rituais, roupas especiais, apetrechos ou utensílios totalmente dispensáveis;
  7. Desviamos o foco quando afirmamos que o estudo é dispensável ou que já sabemos tudo e somente valorizamos o passe ou a reunião mediúnica como, distanciando-nos de outras atividades;
  8. Desviamos o foco quando não valorizamos o movimento espírita e achamos que apenas a “nossa casa” é importante, desvalorizando esforços alheios e permanecendo indiferente com o que outros confrades e instituições realizam;
  9. Desviamos o foco quando nos portamos dependentes das comunicações espirituais, creditando a supostos mentores aquilo que nos compete realizar;
  10. Desviamos o foco quando a vaidade ou a prepotência nos domine;
  11. Desviamos o foco se não prestarmos atenção se o que estamos fazendo, seja em apresentações artísticas, pela música ou teatro, por exemplo, não observamos a coerência doutrinária, que nos pede prudência e respeito pelos próprios postulados do Espiritismo para não cairmos nos caminhos da vulgaridade ou do fanatismo;
  12. Desviamos o foco nas disputas e em discussões absolutamente dispensáveis;
  13. Desviamos o foco quando nossos esforços se concentram mais na obtenção de recursos do que na divulgação, no estudo e na própria vivência espírita.

Tais desvios, gradativamente, levam a deturpações lamentáveis, que causam desunião, afastamentos e graves prejuízos ao real entendimento e autêntica vivência da Doutrina Espírita. Há sempre que se considerar que a CAUSA ESPÍRITA é muito maior que a CASA ESPÍRITA, apesar da importância desta. As casas representam os esforços humanos somados aos esforços dos espíritos e a CAUSA ESPÍRITA é a causa de Jesus, requerendo espíritas conscientes e trabalhadores do bem geral.
Estejamos atentos. O momento que vivemos é grave e decisivo na condução do próprio futuro de todos nós.
Temos nas mãos o tesouro do conhecimento espírita. Como desviá-lo de seus reais e altos objetivos? Assumiremos essa responsabilidade?

Obras Fundamentais
da Doutrina Espírita
Universidade do Espírito, o Espiritismo possui o mais alto grau de sabedoria para nos conduzir com precisão. Substitui possíveis cursos de autoajuda, liberta-nos de condicionamentos, estimula-nos a alegria de viver e motiva-nos ao bem. Como conciliar espíritas tristes, autoritários,  ou casas deprimidas com a grandeza do Espiritismo?
Basta pensar que os desvios citados, entre outros que podem ser acrescentados, representam apenas falta de conhecimento do que seja Espiritismo e sua finalidade.
Vamos estudar? Começando pelas obras básicas da Codificação, que mais que nunca, precisam estar no cotidiano de nossas reflexões para não cairmos no ridículo perante a própria consciência, devido aos desvios que ocasionamos com os nossos descuidos...


Compromisso do Espiritismo

por Orson Peter Carrara
O advento do Espiritismo no planeta trouxe consigo um grave compromisso que cabe aos espíritas respeitarem e aplicarem – inicialmente a si mesmos e por consequência natural contagiar ou atingir aqueles com quem convivemos, em família ou em sociedade –, dada a responsabilidade que nele está embutido.
Isso por uma razão muito simples: o objetivo prioritário da Doutrina Espírita, conforme explicitado na questão 292, item 22, em O Livro dos Médiuns: “(...) o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo, é vosso adiantamento (...)”. Todas as demais atividades desenvolvidas pelos centros espíritas e seu movimento são importantes, mas todas secundárias, situando-se em primeiro lugar o adiantamento moral do ser humano.
Ora! Pensar nisso traz imensos desdobramentos, uma vez que o Espiritismo, que não tem hierarquia, nem chefes, nem pretende evidências sociais ou procura posições de comando ou poder, dispensa por sua própria natureza, quaisquer iniciativas que louvem a vaidade, o protecionismo, as manipulações, preferências ou privilégios de qualquer natureza. Por isso mesmo, baseia sua plataforma de trabalho na caridade, que inclui o respeito às pessoas, suas crenças, suas instituições, sejam elas sociais, educativas, religiosas, políticas, de qualquer nacionalidade, raça, ou opções que não agridam o bem geral que deve imperar na vida coletiva.
Por esta mesma razão ensina que nosso maior inimigo está dentro de nós mesmos e é identificado pelo nome de egoísmo, orgulho ou vaidade, geradores da indiferença, da violência, da miséria e do preconceito que ainda assolam o planeta.
Por isso a luta do espírita – perfeitamente enquadrada no compromisso do Espiritismo e seu movimento que se desdobra em amplas e conhecidas frentes de trabalho – é a de melhorar-se moralmente, aprimorar-se do ponto de vista moral para corresponder à altura seu compromisso de adesão aos postulados apresentados pelo Evangelho e revividos pelo Espiritismo.
Isso convida a posturas conciliatórias, de respeito às diferenças e de permanente trabalho para construção do belo, do digno, do progresso, usando como critério a máxima de Jesus que nos convida sempre a nos colocarmos no lugar do outro, de fazermos pelo semelhante aquilo que desejamos para nós próprios.
O compromisso do Espiritismo, por extensão do movimento e seus adeptos, é educativo, autotransformador, requerendo vigilância contínua de nossos pensamentos e ações, para não nos deixarmos iludir por lutas ou posições passageiras, temporárias, por busca de poder ou evidência, posições que o próprio tempo se encarrega de diluir. O que permanece é mesmo a consciência do dever de trabalhar pelo bem geral.
As ilusões do mundo, entre poderes e recursos que passam pela vaidade e pelo egoísmo fomentando o orgulho, fascinam. Para nós que já sabemos os prejuízos, é prudente ficarmos atentos. Firmemos nossas ações nos compromissos do Espiritismo.