25/06/2009

E o Chacrinha? – Orson Peter Carrara



Pois é, o Chacrinha!
Lição de comunicação, ainda que de forma irreverente. Você se lembra dele? Claro que sim! Quem não se lembra? Apenas os mais jovens naturalmente. Abelardo Barbosa nasceu em 30 de setembro de 1917, em Pernambuco. Seu famoso programa de TV, a Discoteca do Chacrinha, foi um dos mais populares da televisão brasileira. Depois veio o Buzina do Chacrinha, que lançou diversos nomes da MPB e muito contribuiu para a divulgação da música brasileira para o grande público.
São famosos os bordões como “Quem não se comunica se trumbica”, ou “Eu vim para confundir, não para explicar” e o famoso “Terezinha, uuuuuuuuuuuuuh”. Ele sabia tratar as adversidades com irreverência. Entre os fatos de sua saga conhecida pela TV, há uma curiosidade que vale ser contada: seu patrocinador na TV Tupi era a antiga Casa da Banha que, quando viu suas vendas de bacalhau despencarem, encontrou um jeito fácil na comunicação do velho guerreiro. Chacrinha, durante seu programa, perguntava ao auditório: “Vocês querem bacalhau?” O produto era disputado pelo público, a tapas, e as vendas dispararam. Jeito bem inteligente de divulgar algo...
Vale dizer também que a expressão velho guerreiro foi apelido dado por Gilberto Gil na conhecida canção Aquele abraço.
Abelardo Barbosa, o conhecido Chacrinha, morreu no dia 30 de junho de 1988, portanto, já há 21 anos. Parece que foi ontem... Vítima de infarto do miocárdio, seu sepultamento recebeu público estimado em 30 mil pessoas.
Comunicador irreverente, mas um bom comunicador. Na memória auditiva de muitos leitores, neste instante, não tenho dúvida, ressoa a música tema de abertura de seu programa, lembrando a personagem Terezinha que, segundo seu irmão Jarbas Barbosa, representava uma fã enlouquecida que o perturbava diariamente.
Lembranças do Brasil, não é mesmo? Coisas do ser humano, este incrível personagem capaz de tantas peripécias. Assim como Chacrinha, outros famosos em todas as áreas de atividade, ainda vivos ou já habitantes da outra vida, ou não famosos, todos nós compomos essa imensa família de aprendizes, dependentes uns dos outros, necessitados todos da experiência mútua. Muitas vezes somos arrogantes, petulantes, noutras vezes nos apresentamos fragilizados, carentes, sentimo-nos abandonados ou amados, experimentamos decepções, angústias, ansiedades de todo tipo, desafios sem conta, embora continuemos todos dependendo uns dos outros. Quantas vezes deixamo-nos dominar pelo medo, pelo orgulho, pelo feroz egoísmo? Quantas vezes, no lado oposto, não somos generosos ou altruístas? Por outro lado, quantas alegrias ou sofrimentos acumulamos? Quantas conquistas, memórias e planos em andamento?
Ah! Meus caros! Isto é viver! Aprender continuamente. Superar, levantar-se, prosseguir. Quantos exemplos à nossa volta, bons e maus... Temos sabido administrar tudo isso? Como temos nos portado diante de tantos temas e desafios diários?
Citei Chacrinha, o velho guerreiro, evocando essa figura extrovertida e irreverente – lembrando a data de sua morte há 21 anos –, mas poderia buscar João Paulo II ou Madre Tereza de Calcutá; poderia buscar Hitler ou Francisco de Assis, ou mesmo uma pessoa anônima de seu quarteirão e querida ao seu coração, amigo. Não importa se famoso ou não, se iluminado ou ainda dominado por paixões escravizantes. Nada disso importa. O que importa é que Deus nunca erra. Cada filho (lembremo-nos que somos nós mesmos, os seres humanos, seus filhos – parece que muitas vezes esquecemos o óbvio) tem um papel a cumprir para enriquecer, alegrar e dignificar nossa condição humana. Portanto, meu amigo, minha amiga, descubra seu talento e siga em frente. Não espere a fama nem as condições ideais. Prossiga oferecendo à vida o melhor que seu coração possuir... Isso será também sua maior felicidade. Afinal a vida nos devolve exatamente o que a ela oferecemos. Sejamos, pois, os portadores da esperança e do bem em qualquer parte.