16/03/2010

Caráter revelador

As informações trazidas pela Revelação Espírita abriram caminhos e perspectivas novas para a longa e difícil evolução humana. Ocorre que a clareza e lógica dessas informações possibilitaram novo entendimento das razões de nascer, viver e mesmo dos “porquês” dos desafios enfrentados por todos os seres humanos encarnados no planeta.
A simples aceitação, através do raciocínio, da imortalidade, da reencarnação e da comunicabilidade dos espíritos, muda totalmente a visão que se passa a ter das finalidades e utilidade da presente existência, em cada criatura. Pensar que a evolução é contínua, um sistema permanente de aprendizado, e sempre visando a felicidade dos filhos de Deus, convoca-nos a todos a uma postura ativa de trabalho no bem próprio e para o próximo, considerando que esta única condição (de mesma origem como filhos do mesmo Pai, como outrora também ensinou Jesus) já indica os caminhos da solidariedade.

Pois bem, é exatamente este caminho de solidariedade, pelo qual se deixam tocar os espíritos que já alcançaram estágios mais avançados de evolução, que faz com que gradativamente despertemos para o auxílio mútuo permanente. E esse despertamento movimentou os espíritos reveladores (obedecendo a um planejamento divino), situados em estágios superiores aos vigentes no planeta, a apresentarem a Revelação Espírita. E como uma disciplina escolar, trouxeram-na didaticamente para ser estudada e compreendida.
Na verdade, eles comparecem como professores experientes, como mestres a ensinar um caminho a percorrer, para facilitar o processo evolutivo. Isto levou o Codificador Allan Kardec a elaborar argumentos e reflexões importantes para o entendimento da proposta espírita.
Na Revista Espírita, de setembro de 1867 – ano X, vol. 9 -, ao apresentar o trabalho Caracteres da Revelação Espírita (também apresentado no capítulo I da obra A Gênese), o Codificador – usando o método de partir do conhecido para o desconhecido, como fez em toda sua obra, leva o leitor e estudioso da Doutrina Espírita a percorrer os caminhos do raciocínio para concluir sobre o caráter revelador do Espiritismo. Indaga no item 4: “Qual o papel do professor perante os alunos, senão a de um revelador? Ele lhes ensina o que não sabem, o que nem teriam tempo nem possibilidade de descobrir por si mesmos (...) e pondera no item seguinte, de número 5: Mas o professor só ensina o que aprendeu. É um revelador de segunda ordem. (...)” Já no item 13 declara que “Por sua natureza, a revelação tem um duplo caráter: participa, ao mesmo tempo, da revelação divina e da revelação científica (...)”
E esta última frase tem um sentido extraordinário, aliás, como tudo na Codificação Espírita. Relacionando a correlação entre a revelação divina (vinda em todos os tempos através dos espíritos) e revelação científica (esta de conquista material, mas também amparada pelos espíritos), fica patente o papel mútuo que desempenham os espíritos, estejam encarnados ou na condição de espíritos vivendo no mundo espiritual, no progresso do planeta. Há uma permanente relação entre os dois planos e os movimentos de ambos os lados da vida levam a um objetivo só: a evolução.
Por isso os espíritos que trouxeram a Revelação Espírita apresentam-se mesmo como professores. E nós somos alunos que precisam estudar para aprender e entender.
Por outro lado, os espíritos ainda em dificuldades, que se apresentam em reuniões mediúnicas, não deixam também de serem professores, ao trazerem as próprias experiências dos resultados das próprias ações que encontraram após a desencarnação.
Algo para pensar, afinal para isso somos convidados.