30/03/2010

Expressivo centenário

São justas as homenagens ao médium Chico Xavier em seu centenário de nascimento, embora ele as dispense e não precise delas. Todavia, a gratidão de todos nós pela inigualável contribuição cultural e doutrinária oferecida ao Espiritismo e à humanidade pelo importante vulto histórico de sua personalidade é algo que surge espontâneo e natural.
Nascido em Pedro Leopoldo em 02 de abril de 1910, tornou-se conhecido mundialmente pela força de seu exemplo de vida. Infância pobre, vida sofrida e cheia de dificuldades, mas personalidade de coragem, determinação, fidelidade ao bem, exemplo mesmo de humildade e amor ao próximo. Retornou à Pátria de origem aos 30 de junho de 2002. Médium consciente de seus deveres com a própria faculdade que trouxe como bagagem, produziu mais de 400 obras psicografadas, confortou milhares de pessoas e famílias com suas mensagens, mas principalmente com seu próprio modo de ser; ofertou socorro material a muitos, amparou enfermos e fez-se roteiro de luz para a vida de muitos. Eleito o Mineiro do Século, em concurso da Globo Minas, concorreu ainda ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu muitos títulos de Cidadão Honorário em diferentes cidades brasileiras. Mesmo assim sofreu calúnias, perseguições e ingratidões, mas manteve-se fiel à própria consciência, sempre destacando o Evangelho de Jesus em suas falas e aparições públicas.
Perfeitamente enquadrado com a descrição de O Homem de Bem, apresentado por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo 17 – item 3, Chico Xavier é exemplo a ser seguido, pois sua biografia é rica de ensinos e roteiros de como enfrentar adversidades e viver bem consigo mesmo e ainda amparar o próximo. Tão rica e expressiva que virou filme, já foi encenada em peças teatrais e alvo de muitas reportagens de TV.

E mesmo que pudéssemos reduzir toda sua vida, rica em exemplos por si só, em um único fato, que descrevemos em seguida, ela já seria grandiosa: Chico Xavier produziu, pela psicografia, cinco romances clássicos históricos do Cristianismo nascente, que já valem o esforço, humildade e sintonia de sua mediunidade. Os romances assinados pelo Espírito Emmanuel significam roteiro de luz para qualquer pessoa em qualquer época. São verdadeiros tesouros culturais e incomparáveis pérolas espirituais, e isso tudo sem falar nas demais, de valor histórico, doutrinário, etc. Não poderíamos deixar de citar os incomparáveis livros Há 2.000 anos, Cinquenta anos depois, Renúncia, Ave Cristo e o fabuloso Paulo e Estêvão.

Apenas para citar um dos livros, já que todas as cinco obras citadas são ricas em ensinos e orientações, especialmente nas entrelinhas – com verdadeiros tesouros de amor – recordo o primeiro da série: Há 2.000 anos, editado em 1939 pela FEB. Como indica a página de rosto da obra, assim como nos demais que lhe seguiram, ela apresenta episódios históricos do cristianismo nascente. Nela, especificamente, encontramos a saga de Públio (o próprio autor espiritual Emmanuel) e Lívia, contemporâneos da estada de Jesus no planeta, entre outros personagens. Dividido em duas partes, com dez capítulos cada, o livro é uma preciosidade. A 1ª. Edição especial da FEB, de abril de 2002, possui 432 páginas.

Até para agradecer ao nosso Chico, busco na obra em referência o capítulo V da primeira parte: O Messias de Nazaré. Nesse belíssimo capítulo ocorre o encontro entre o orgulhoso senador e o Mestre Jesus. Nas emoções próprias do lindo texto, na sublimidade oportunidade que Públio teve de encontrar Jesus, extraímos parcialmente:
“(...) Nunca experimentara sensação idêntica (...) Recordava-se dos menores feitos da sua vida terrestre (...) Sentia profundo êxtase, diante da Natureza e das suas maravilhas (...) Foi nesse instante que (...) ouviu passos brandos de alguém (...) Diante de seus olhos ansiosos, estacara personalidade inconfundível e única. Tratava-se de um homem moço ainda, que deixava transparecer nos olhos, profundamente misericordiosos, uma beleza suave e indefinível. (...).”

Nesse nível de belíssima descrição, o capítulo prossegue e transcreve as palavras de Jesus proferidas para Públio, que não conseguia mover-se, nem falar, tamanho o envolvimento do momento. Já são conhecidas as frases:
“(...) – Senador, porque me procuras? (...) não venho buscar o homem de Estado, superficial e orgulhoso (...); venho atender as súplicas de um coração desditoso e oprimido e, ainda assim, meu amigo, não é o teu sentimento que salva a filhinha leprosa e desvalida pela ciência do mundo, porque tens ainda a razão egoística e humana; é, sim, a fé e o amor de tua mulher (...)”.

E diante do assombro do senador, Jesus ainda afirma:
“(...) Está, porém, no teu querer o aproveitá-lo agora, ou daqui a alguns milênios... Se o desdobramento da vida humana está subordinado às circunstâncias, és obrigado a considerar que elas existem de toda a natureza, cumprindo às criaturas a obrigação de exercitar o poder da vontade e do sentimento, buscando aproximar seus destinos das correntes do bem e do amor aos semelhantes (...)”.

Sugiro ao leitor que busque o exemplar do belo livro em sua estante e lei o capítulo na íntegra, pois pela transcrição parcial acima, já podemos perceber a extensão do ensino contido.. Para quem não leu essa preciosa obra igualmente coloque-a em suas prioridades de estudo e leitura.

E isso estamos falando de um único trecho de um capítulo de apenas uma das obras Que dizer das demais? Impossível descrever aqui no curto espaço de simples matéria.

Por isso, o sentimento que surge é de gratidão mesmo! Gratidão ao mediunato de Chico Xavier. Agora, na ocorrência de seu centenário de nascimento, nós, os contemporâneos desse expressivo fato, vibramos em gratidão a esse valoroso espírito, direcionando-lhe nosso carinho, nosso aplauso. Obrigado Chico, obrigado por tudo que fez! Deus te recompense!