04/03/2010

Tempo que urge

São perceptíveis as mudanças ocorridas nas últimas décadas. Refiro-me não apenas às alterações climáticas, mas também ao amadurecimento da mentalidade humana – hoje mais exigente e coerente com a ética, embora em luta constante com os desrespeitos às mínimas noções de civilidade e cidadania – e às surpreendentes modificações na vida social. Isso tudo sem falar nos avanços da tecnologia e da ciência em todas as áreas.
Tais mudanças estão provocando evidente seleção nos princípios morais que adotamos. É como que – usando a conhecida expressão da separação do joio e do trigo – a época que alcançamos começasse a separar o que serve e o que não serve para construção de uma humanidade melhor.
É fácil perceber os prejuízos causados à mentalidade humana – analisada individual ou coletivamente – pelos comportamentos egoístas ou ciumentos, ou quando a regra adotada é a corrupção, ou a vingança, e até mesmo pela indesejável inveja. O que dizer, então, da maledicência, das manipulações de bastidores, do orgulho ferido, da crítica contumaz a comportamentos alheios e mesmo a manutenção de mágoas ou outras violências diariamente verificadas na vida social? Nem é preciso relacionar tais violências, estão aí diariamente, sempre oriundas da decisão premeditada, invigilante, precipitada ou movida pelo egoísmo feroz que ainda nos domina, gerador da vaidade, prepotência, arrogância, e seus conhecidos derivados...
Pois é! Tudo isso ainda está na vida humana. Mas o tempo e suas mudanças em todas as direções, na verdade, convidam-nos a uma mudança decisiva de atitudes. Para substituir tais sentimentos pela esperança, pela coragem, pela solidariedade na busca contínua de valores e necessidades nos semelhantes. É o tempo de modificar os sentimentos, de focar os pensamentos em ações de fraternidade, de desfocar tantos interesses individuais que escravizam para nos estendermos mais as mãos na direção da tolerância e da compreensão que tanto mutuamente precisamos.
O planeta despojará comportamentos que colidam com uma nova era de progresso moral que já se instala. Ficaremos deslocados, convidados à mudança de casa, destinados a outras moradas – ainda em condição primitiva e, portanto, de acordo com os sentimentos que temos alimentado – para sermos lá exilados em situação de alavancar o progresso onde tudo está por ser feito, face ao estágio primitivo em que se encontram.
A nova fase do planeta não suporta indiferença, desrespeito ou maldade.
Prognóstico sombrio? Não! Apenas coerência. Tais reflexões provocam o riso da ironia em muita gente, todavia, é forçoso admitir que só avançam os que se esforçam. Os que são negligentes, rebeldes, egoístas, orgulhosos, indiferentes ou semeadores de sofrimento de qualquer ordem, podem ostentar vitória aparente durante algum tempo, mas a sabedoria da vida coloca-nos no devido lugar, igualmente no tempo devido. E isso não é castigo, pois que inexiste castigo na ordem natural das coisas, mas simplesmente conseqüência de escolhas.
As escolhas sábias indicam para o progresso e para a felicidade. E convenhamos: como alcançar felicidade se distribuímos infelicidade, se somos semeadores de discórdia? Como alcançar serenidade e paz interior se provocamos calúnia ou corrupção, se deturpamos ou manipulamos para atender interesses próprios, se ainda optamos pela indiferença, mágoa e pela vingança? Impossível!
O bem pessoal e coletivo requer decisão e iniciativa individual. É pela soma de ações individuais, solidárias e fraternas, que construiremos o bem geral.
O novo tempo requer de todos nós a postura da responsabilidade, da honestidade, do amor! E isto, em sua amplitude, só é alcançado com o sacrifício do interesse próprio em favor do interesse coletivo. Difícil, não é mesmo? Todos bem o sabemos o quanto é difícil. Todavia, é a senha da harmonia que se espera para a sofrida humanidade que todos integramos. É o combate ao pior inimigo que ainda habita dentro de nós: o egoísmo!