14/05/2010

Pergunta de leitor

por Orson Peter Carrara

Recebi um e-mail com pergunta de leitor, que julgo de interesse público – razão pela qual respondemos publicamente –, e que trago aos amigos. Eis a pergunta:

"O tabuleiro ouija é um meio completamente seguro e eficaz para se entrar em contato com o mundo espiritual e obter as repostas para nossas duvidas?"

A pergunta é muito pertinente para o momento de grande divulgação das idéias espíritas pela mídia, notadamente o cinema e a TV que, cada vez mais, tem abordado a questão da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos espíritos.

Muito natural, pois, que, com tanta divulgação sobre a existência e influência dos espíritos na vida humana, haja curiosidade e vontade de comunicação com eles, especialmente nos casos em que a saudade bate mais forte, na separação dos entes queridos pelo fenômeno biológico da morte, ou mesmo na ânsia de saber mais. E agora com o estímulo do filme Chico Xavier que retrata a vida, embora timidamente, do maior médium de todos os tempos.

Tais instrumentos, todavia, são totalmente dispensáveis, ineficazes, inseguros e especialmente não recomendáveis. Não há necessidade de qualquer instrumento de natureza material, que se tornaram absolutamente dispensáveis, para entrar em contato com os espíritos.

Velas, incensos, gestos, roupas especiais, compassos, pedras, cristais, tabuleiros, luzes, mãos dadas, colares, flores, cartas, copos, imagens de qualquer espécie, altar, rituais ou quaisquer outros adereços são absolutamente, totalmente dispensáveis, pois que desnecessários. E digo mais: também se incluem nessa relação os ramos de arruda, chás ou bebidas, oferendas, sal grosso e mesmo o pagamento a charlatães, pois que se dispensa também intermediários inescrupulosos e exploradores.

O contato com os espíritos se faz pelo pensamento e pelo sentimento. É preciso prudência e cuidado na busca inconsequente de respostas para curiosidades vãs que, nesse caso, ficam expostas a espíritos brincalhões e irresponsáveis. Claro que existem, e muitos, médiuns sérios – comprometidos com o trabalho do bem e da fraternidade – e, no caso, as comunicações autênticas são sempre espontâneas e trazidas por meio de situações serenas, equilibradas, dispensando-se qualquer tipo de “show” ou curiosidades improdutivas ou revelações surpreendentes e místicas.

É na prece que buscamos o auxílio que precisamos, é no estudo constante e dedicado que encontramos respostas às nossas dúvidas, mas também é claro no convívio e estudo com amigos em grupos que estudam o Espiritismo em nossas instituições, pois são nesses encontros de debates e questionamentos que vamos nos esclarecendo.

Mas se o leitor deseja saber mais, pesquisar realmente, mergulhe seu interesse nos livros da Codificação Espírita, notadamente O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, onde encontrará suas respostas, dispensando objetos e médiuns interesseiros e exploradores da credulidade popular. Médiuns sérios e honestos não “sobem ao palco”, nem tampouco ficam a satisfazer curiosidades. Daí a importância de estudar e compreender para não cair nas armadilhas perigosas da curiosidade vazia.

No caso específico do tabuleiro ouija (superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel), como em outros casos de reuniões vulgares, o que se atrai com facilidade são espíritos brincalhões, descomprometidos com o bem e a verdade. Afinal, é muito lógico indicar que espíritos sérios não se envolvem com brincadeiras de crianças. Pode ter sido útil num passado de ignorância, mas é objeto dispensável, inútil e, acrescentamos, perigoso, pois que a vulgaridade de seu uso só pode mesmo nos ligar a espíritos que se aproveitam da ingenuidade humana, uma vez que evoluíram os processos de comunicação com o plano espiritual.

O bom pensamento, o bom sentimento, o bem no coração, o desejo de ser útil e bom, esses sim são ingredientes extraordinários para nos proteger e ligar nossas vidas aos bons espíritos que estão sempre a auxiliar os que desejam ser auxiliados e trabalham em si mesmos o bem e a fraternidade.