04/10/2010

Grupos de pais nos centros espíritas

por Orson Peter Carrara


Uma experiência paulista, de entrevista que fizemos com Aglaê Pinheiro Silveira que fizemos para a revista eletrônica O Consolador (disponível no endereço eletrônico: www.oconsolador.com.br, permite-nos reproduzir para o leitor alguns trechos preciosos para possível aproveitamento em muitas casas pelo país. Seleciono os trechos específicos, informando que a entrevista na íntegra poderá ser encontrada no endereço acima, pesquisando-se na edição 178, de 03 de outubro de 2010.

O tema é sobre grupo de pais nos centros espíritas, que estimula a integração familiar no estudo e vivência do Evangelho de Jesus. Reproduzo alguns trechos, informando ao leitor que a experiência relatada ocorre na Sociedade Espírita Mãos Unidas, da capital paulista:

O Consolador: Sobre o trabalho com os pais, nas atividades realizadas aos sábados no Mãos Unidas? Relate-nos sua experiência e visão.
O trabalho junto aos pais tem-me emocionado muito. Este é o décimo primeiro ano deste trabalho, com o formato atual, no Mãos Unidas, e tanto as crianças como os pais se mostram cada vez mais entusiasmados e participantes. Temos realizado alguns projetos visando à união das famílias à luz da Doutrina Espírita e a alegria e fraternidade que têm brotado dele, tanto para as famílias como para os evangelizadores da infância, nos levam a crer no auxílio cada vez maior dos amigos espirituais, aliado ao grande amor da equipe em realizar os encontros de sábado.

O Consolador: Qual a maior dificuldade dos pais, na atualidade?
É saber como orientar seus filhos, como educá-los. Os modelos da antiga educação já não funcionam mais para a nova geração e, sem um novo modelo, os pais não sabem como agir, gerando assim insegurança tanto para pais como para filhos. Acredito que as Casas Espíritas deveriam abraçar a orientação aos pais como uma meta a atingir, pois esse trabalho, em minha opinião, é de importância fundamental, já que se trata da formação das novas gerações que deverão herdar o novo Mundo de Regeneração. Se possível, faria um apelo para que todas as Casas Espíritas dessem ao trabalho de Orientação às Famílias uma atenção prioritária, dada a sua urgência. É assim que entendo a questão.


O Consolador: De que forma a Doutrina Espírita pode colaborar mais ativamente junto às carências e limitações próprias dos pais?

Em primeiro lugar, apoiando, acolhendo, esclarecendo as dúvidas com muito amor. Os pais estão cansados de se sentirem culpados por não saberem exatamente como lidar com seus filhos. A maioria tem boa vontade, mas, como já disse, faltam modelos. Explico-me: antigamente o que os nossos avós ensinavam a nossos pais atendia às necessidades e expectativas em matéria de educação dos filhos. Hoje isso não mais acontece. Num mesmo lar, filhos em idades diferentes (digamos com uns 5 anos de diferença) já não aceitam o mesmo tipo de orientação dos pais e estes, sem saber como agir, muitas vezes chegam a se desesperar. Assim, creio que o papel mais importante da Doutrina é dar oportunidade aos pais de se sentirem mais seguros através das orientações que o Espiritismo pode oferecer; afinal, são eles, os pais, os verdadeiros educadores da infância.

O Consolador: Como é estruturado o trabalho junto à família?
Paralelamente aos ensinamentos da Doutrina, procuramos conhecer os estudos feitos pela Psicologia e Pedagogia, além de outros. As características de desenvolvimento da criança, em suas diversas fases de crescimento, são estudadas pelos evangelizadores a fim de que possam adequar os temas tratados nas aulas à compreensão de cada faixa etária. Os pais recebem em reunião a mesma orientação e juntos (pais e evangelizadores) agem sobre o processo educacional, procurando facilitar o crescimento moral do Espírito na fase infantil, período fundamental para a aquisição de princípios que o norteiem nesta encarnação.

O Consolador: Como seria uma aula prática para as crianças?
Escolheremos a faixa de 4 a 6 anos para exemplificar. Os princípios da reencarnação são passados através de exemplos simples, sem conceitos doutrinários explícitos. Dessa maneira, contamos a história de uma gotinha de água que, “nascida” numa poça, viaja por uma enxurrada atingindo um rio e posteriormente o mar. Pela ação do calor do Sol transforma-se em vapor alcançando a nuvem, para depois retornar pela chuva à terra de onde saiu. Os pais, a título de conhecer como é feito o trabalho, recebem a mesma aula em reunião de pais, seguida da troca de ideias sobre o porquê da forma utilizada, com grande proveito para todos.

O Consolador: Cite uma experiência marcante com o grupo de pais.
No final do ano de 2009 desenvolvemos um Projeto junto às famílias que frequentam nossas reuniões, chamado “Esta é a Nossa Canção”. O Projeto visava à união dos familiares e consistia em que cada membro da família (pai, mãe e filhos) escolhesse a canção de que mais gostasse. Em seguida pedimos a cada família se reunisse em sua casa e escolhesse, em comum acordo, uma dentre as músicas de todos que mais a representasse. Depois de um determinado tempo, essas músicas foram trazidas (letra e melodia) para o Centro e colocadas num CD que foi distribuído, juntamente com um livreto contendo as letras, numa reunião de todos, como atividade de encerramento do Projeto. Um trecho de cada música foi então tocado enquanto uma foto da família em questão era projetada em uma tela.

O Consolador: Algo mais a acrescentar?
Sim, o entusiasmo foi geral. As crianças cantavam as músicas juntamente com o CD (mesmo as mais antigas). Perguntei depois a uma das crianças por que a família havia elegido aquela música como a preferida e ela me disse, sorrindo: “Porque foi com esta música que meus pais se conheceram”, e dava para se perceber a sua satisfação ao dizer aquilo. Ao término, todos se declararam muito felizes, inclusive a equipe de colaboradores do setor, que foi quem gravou o CD, tirou as fotos e organizou e duplicou os folhetos. Percebemos depois, com o tempo, que houve maior integração entre as famílias, que se sentiram mais unidas.

O Consolador: Suas palavras finais.
Sinto-me imensamente feliz em poder compartilhar minha experiência no assunto com outras pessoas. Tenho tido a oportunidade de colaborar há mais de 30 anos na área de Orientação à Família à luz da Doutrina Espírita e isto tem-me proporcionado tanta alegria e entusiasmo que, diante dos resultados obtidos, sinto cada vez mais vontade de continuar servindo. Agradeço, portanto, a Jesus e a esta revista a oportunidade de expor o que sei e penso a esse respeito, esperando que muitas pessoas, ao lerem esta matéria, se sintam atraídas para também realizar este trabalho, tão importante quão necessário.