03/10/2010

POUCA GENTE SABE

Muitos já ouviram falar, outros talvez ignorem totalmente, mas a verdade é que a personalidade cujo aniversário é comemorado na primeira semana de outubro ainda é um ilustre desconhecido. Imaginam que ele foi algum místico, líder religioso ou algo parecido. Chegam a pensar que fundou alguma religião e muitas vezes o desprezam completamente, justamente por desconhecê-lo. Na verdade, ele foi respeitado professor em sua época.


Homem de princípios rígidos, educado em famoso instituto educacional da Suíça, observador atento que buscava razões para fatos e acontecimentos, criterioso pesquisador e comportamento avesso a práticas místicas ou fantasiosas. Ao mesmo tempo, porém, personalidade bondosa que chegou a fundar cursos gratuitos para pessoas carentes. Publicou inúmeros livros em sua área profissional, que foram inclusive adotados pelo governo, e tornou-se respeitável figura da sociedade de sua época.

Casado e sem filhos, aos cinqüenta anos foi levado por amigos a observar estranhos fenômenos que se tornavam moda na França.
Incrédulo a princípio, aplicou os métodos que usava como sério pesquisador e através da observação e da experimentação, concluiu pela existência dos espíritos como agentes dos estranhos fenômenos. Dedicou-se a estudar tais fenômenos, percebendo neles um mundo novo que se abria aos horizontes humanos, com a constatação plena da imortalidade da alma após a morte do corpo e a possibilidade do intercâmbio entre os chamados mortos com os chamados vivos através da mediunidade. Revelações antes já anunciadas por Jesus e ora estudadas com a profundidade que o assunto merece.

De posse de informações e pesquisas, colhidas de manifestações recebidas em diversos lugares do mundo, simultaneamente e por pessoas desconhecidas entre si, além do trabalho pessoal dele próprio nesse campo de pesquisa, publicou a obra O Livro dos Espíritos, obra basilar da Codificação Espírita, que surgiu em Paris, França, no dia 18 de abril de 1857. A partir daí, publicou outras obras que se seguiram, fundou uma revista que funcionava como verdadeiro laboratório de pesquisas, fundou ainda uma sociedade para reunir os interessados em estudar e pesquisar os mesmos assuntos e tornou-se o Codificador (organizador) do Espiritismo, ou seja aquele que organizou os ensinos trazidos pelos espíritos.

Poliglota, homem dotado de muita cultura, e essencialmente um pesquisador, Hippolyte Leon Denizard Rivail nasceu em Lion, na França, no dia 3 de outubro de 1804 (data que ora lembramos) e ao publicar as obras da Codificação Espírita, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, como a dizer que aqueles não eram livros de sua autoria, mas fruto dos ensinos dos espíritos, que ele, Rivail, apenas fora o instrumento para organizar e coordenar os assuntos e dar-lhes publicidade. Não foi médium, líder religioso, místico ou qualquer outro título que lhe queiram dar. Apenas um respeitado cidadão francês, de muita cultura e personalidade firme e bondosa, que defrontado com estranhos fenômenos, dedicou-se a pesquisá-los, vencendo inicialmente as barreiras da própria incredulidade, mas sabedor de que ali se encontrava a resposta para as angustias humanas. Esta é a personalidade ímpar de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo.

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