05/11/2010

Do notável Rui Barbosa

por Orson Peter Carrara

Falar de Rui Barbosa causa honra a qualquer cidadão do Brasil. Jurisconsulto, advogado, escritor, orador, tradutor, jornalista e político brasileiro, nascido em Salvador-BA (1849) e falecido em Petrópolis-RJ (1923). Formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, foi deputado, senador, ministro e candidato à Presidência da República em duas ocasiões, tendo realizado pioneiras campanhas, pois participou da Campanha Abolicionista, da defesa da Federação, da própria fundação da República e da Campanha Civilista. Orador e estudioso da língua portuguesa foi nomeado presidente da Academia Brasileira de Letras em substituição a Machado de Assis. Foi também representante do Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz, em Haia* e, já no final de sua vida, foi nomeado Juiz da Corte Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio.
A breve síntese biográfica do notável brasileiro abre espaço para lembrar que a notoriedade de Rui – informam os especialistas em sua vida e obra – começou justamente com a publicação da obra O Papa e o Concílio, dada a lume em 1877 – que ele traduziu e acrescentou uma introdução-prefácio mais volumosa que o próprio texto da obra traduzida. Isso quando ele contava apenas 28 anos de idade.
A obra em questão é do teólogo e historiador católico alemão, Johann Joseph Ignaz Von Dollinger (1799-1890), que revelou-se contrário ao absolutismo papal, pelo que sua atuação entrou em choque frontal com a Igreja. A discordância quanto ao papado e ao poder atribuído aos papas levou Joseph – que na obra usa o pseudônimo de Janus – a ser excomungado, mas a história lhe daria razão com a preocupação de João Paulo II, que reconheceu no Sínodo1 de outubro de 2001 ser preciso dizer em alto e bom som que poucos tiveram a coragem de Janus.
A obra, pois, é composta de dois volumes, a do próprio Janus, e a introdução-prefácio de Rui Barbosa, constituindo preciosidade litero-filosófica, histórico-religiosa. Publicada pela Editora Leopoldo Machado, de Londrina, com importante e instrutiva Advertência de Astolfo Olegário de Oliveira Filho, no volume 1, e Explicação no volume 2, a obra está agora sendo distribuída pela Editora Solidum, que adquiriu os direitos dos títulos daquela extinta editora. Imagine, pois, o tamanho cultural da obra. Na citada Advertência, do volume 1, é digno de destaque a síntese elaborada por Astolfo para situar o leitor no contexto histórico da obra, que o leitor não pode deixar de ler.
Com promoção muito oportuna para aquisição dos dois volumes que somam mais de 600 páginas, é um prêmio para os leitores, um verdadeiro elogio para quem gosta de ler, no deliciar-se com a língua portuguesa e ainda apreciar a inteligência e abrangência intelectual de um ilustre brasileiro. Faça contato com a SOLIDUM pelo 0800 770 2200 e informe-se para premiar seus leitores, especialmente no clube do livro.

*Haia é a terceira maior cidade nos Países Baixos, depois de Amsterdã e Roterdã, com uma população de 489 375 (2010) (população da área metropolitana: 600 mil) e com uma área aproximada de 100 quilômetros quadrados. É localizada no oeste do país, na província da Holanda do Sul, da qual também é capital. A cidade de Haia, assim como Amsterdã, Roterdã e Utrecht, é parte do conglomerado urbano de Randstard, com uma população cerca de 7,6 milhões habitantes.
1 – Um dos temas propostos na convocação dizia respeito à autoridade papal no âmbito da própria igreja e ante outros líderes religiosos do Cristianismo.