26/12/2010

Aparecida - O Milagre

Por Orson Peter Carrara

A fé é mesmo uma virtude extraordinária! Devendo ser respeitada em suas manifestações tão variadas, ela é capaz de prodígios, movendo montanhas diversas onde se incluem a incredulidade, o medo, a teimosia, a vaidade, a resistência, a má vontade e outras tantas de nossas imperfeições humanas, entre eles o preconceito e o maior deles, o egoísmo.

A fé é mãe da esperança e da caridade. Caridade que não se restringe à doação de coisas, mas principalmente nas manifestações de tolerância, respeito com as diferenças e esforço pelo amor ao próximo. A fé é recurso vital para uma vida de equilíbrio e serenidade, autêntico alimento para alma.

Essas considerações todas surgem com o belo filme Aparecida, O Milagre, produção nacional de parceria de importantes e conhecidas produtoras, com direção de Tizuka Yamazaki. Belíssima produção, exaltando os reais e imprescindíveis valores da fé. A fé católica, que tantos benefícios têm produzido ao longo do tempo, tão marcante no Brasil, está expressa de maneira muito fiel na produção para o cinema, destacando esse aspecto arrebatador e contagioso da fé sincera, humilde, que confia e entrega-se aos valores espirituais.

O filme emociona e leva às lágrimas, pela própria história, mas também pela trilha musical e melhor: traz aos nossos corações essas reflexões importantes decorrentes das lições de vida que nos levam aos aprendizados que necessitamos fazer para dobrar nossa arrogância, nosso “nariz empinado”, nossa vaidade, como normalmente acontece com nossas posturas humanas. Somente o sofrimento mesmo é capaz disso e a fé surge como recurso incomparável para conforto e norteamento nesses instantes de sofrimentos e angústias.

Bendita a fé! A fé sustenta, acalma, encoraja, abre perspectivas que o desespero é incapaz de mostrar e, não importando a crença, é bálsamo e alimento para alma. Realmente não importa a crença, pois a fé é recurso da alma. É secundária a forma de manifestação da fé, pois o que prevalece é o sentimento de fé, é a intenção de honestidade e sinceridade que vai pela alma. E é isso que Deus vê e percebe. É de nossa humildade e sinceridade que alcançamos a Deus e não com barganhas ou rebeldias.

Sentimento inato, ela também convida ao raciocínio e deve ser incentivada como foi de maneira direta no belo filme. Ela, a fé, deve ser construída gradativamente por todos nós dentro do coração e do raciocínio, pois que dela precisamos como precisamos do alimento que mantém o corpo que usamos, independente da crença que elegemos. Por isso toda crença deve ser respeitada, pois há valores em cada crença que não suspeitamos nem compreendemos em sua amplitude e Deus tem caminhos que desconhecemos. Aliás, Deus não nos vê como evangélicos, espíritas, católicos ou budistas, ou mesmo seguidores do islamismo. Não! Deus nos vê como filhos. Esquecemos, por vezes, que somos todos irmãos... E, em cada estágio de entendimento que estejamos Deus atende sempre com sua grandeza e bondade.

Embora a fé possa apresentar-se cega e gerar fanatismo quando levada aos excessos e raciocinada quando procura analisar os fatos e ocorrências, ela não se impõe e ninguém está privado de possuí-la. O fato final, porém, é que há realidades espirituais que não vemos, há verdades que estão acima de nosso limitado conhecimento e curta visão. Por isso devemos respeitar o que não compreendemos ainda ou nem conhecemos devidamente e procurar viver com dignidade, decência e bondade, pois que não é religião que salva e sim o comportamento que adotamos perante a vida. Sim, salvação aqui no sentido do equilíbrio que preserva dos grandes desastres morais tão comumente vividos por aqueles que se distanciam de Deus.