18/01/2011

Deus tem preferência?


por  Orson Peter Carrara
           
      Como explicar tantas diferenças entre os seres humanos? E não são apenas diferenças morais, intelectuais, de habilidades, dificuldades, saúde ou oportunidades. Vejamos o que ocorre com as tragédias todas que tem sacudido o planeta com as chuvas intensas, furacões, terremotos, tsunamis, naufrágios, guerras, epidemias e a violência tão comum da sociedade.
            Se adentrarmos, então, na avaliação individual, como explicar a situação favorável para uns e completamente desfavorável para outros. Uns enfermos a vida toda, outros travados na cama, outros absolutamente saudáveis; outros ricos ao lado de outros sem o mínimo para sobreviver com dignidade. Alguns poucos gênios convivendo com criaturas em extrema dificuldade de aprendizado. A maioria sem oportunidades, alguns com todas as facilidades e portas abertas para tudo. Mas não é só. Se considerarmos ainda as vítimas das tragédias acima citadas, enquanto outros não são atingidos, ficamos a pensar: Deus tem preferência por uns em detrimento de outros? Não! Absolutamente, isso é inconcebível.
            E as crianças que nascem com doenças terminais, sem cérebro, ao lado de outras saudáveis, bem amparadas, contrastando com a orfandade, o abandono, e tudo mais que o leitor já conhece e nem é preciso relacionar. O que é isso?
            Deus ama os filhos e nos criou todos para o progresso, a felicidade. Todavia, é impossível num curto espaço de 80 anos, em média, para construir uma vida moral saudável e mesmo a felicidade, ou o progresso intelectual que a evolução desafia a cada dia. Por isso, somos alunos de uma única vida em diferentes existências. Isso é a reencarnação, a oportunidade renovada. O que não fizemos agora faremos mais tarde. O que negligenciamos fazer hoje, teremos que fazer amanhã. As lesões que causamos ao próximo e a nós mesmos ontem, estamos reparando hoje, por exigência consciencial.  Por conseqüência, o bem que fazemos hoje nos trará felicidade amanhã. Ela é um mecanismo justo porque traz a cada um o resultado de suas ações, nos aprendizados, provas e reparações para com a própria consciência e à própria vida. Somos o que fizermos de nós. Daí as diferenças em todos os sentidos. Os que se esforçam, alcançam mais, os que negligenciam, colhe tais frutos. O sofrimento, em qualquer área, contudo, não significa reparação, mas pode ser necessidade de aprendizados. Embora ninguém esteja abandonado ou esquecido, mas todos teremos que nos esforçar para progredir. Isso é Lei!
            Já sabemos: a cada um segundo suas próprias obras. Note-se a base no Evangelho, que aliás é da essência do Espiritismo. É da lei, por um princípio de justiça, que colhamos o que fizemos ou estejamos vivendo circunstâncias ou situações que nos tragam aprendizados que necessitamos. Seria absolutamente injusto que uma vida decidisse o futuro em definitivo. E para os que não tiveram oportunidade? Seria um privilégio? Como conciliar isso?
            A reencarnação, ou a pluralidade das existências, está, pois, baseada num critério de justiça. Não há preferências ou privilégios, somos os artífices da felicidade ou do sofrimento de nós mesmos, individual e coletivamente considerado. E tem bases no Evangelho. E, por outro lado, não é invenção, nem exclusividade do Espiritismo. É lei natural que embasa o conhecimento espírita e com origens na própria história humana. Sócrates já a ensinava.
            Para compreender isso devidamente e mesmo falar sobre o tema, é preciso estudá-lo em sua profundidade.  Não podemos emitir opinião do que não conhecemos devidamente. Para falar, debater ou criticar qualquer tema é preciso antes aprofundar conhecimentos. Não podemos falar do que não sabemos, sob risco do ridículo e do desrespeito à liberdade de expressão, crença, opção e opinião de qualquer indivíduo ou grupo social.