11/03/2011

Três opções

por Orson Peter Carrara

Diante das adversidades que a vida apresenta, dos equívocos a que nos entregamos, nas escolhas e decisões nem sempre acertadas e muitas vezes comprometedoras e, claro, das conseqüências e desdobramentos próprios de cada ocorrência difícil, deparamo-nos com três opções ou três possibilidades a nos entregarmos:
a)   Entramos num processo de lamento e culpa, normalmente capazes de precipitar estados de angústia e depressão, com os conhecidos prejuízos próprios;
b)  Optamos pela agressividade, “batemos a cara” pelo orgulho ferido, teimamos no equívoco e normalmente nos afastamos ou nem ouvimos quem mais pode nos ajudar;
c)  Decidimos pela coragem de voltar atrás nas decisões que reconhecemos em erro, pedimos desculpas e retomamos o caminho, aproveitando o aprendizado.

O que mais se observa no cotidiano humano é a opção pelos dois primeiros itens, nos comportamentos depressivos de culpa e da teimosia do orgulho ferido, especialmente pela conduta de agressividade. Dificilmente tomamos a decisão acertada da coragem de reagir com dignidade, reconhecer os próprios equívocos, vencer o orgulho, aceitar idéias diferentes da nossas e voltar nas decisões para corrigir os prejuízos que causamos.
Há uma tendência humana, comum a todos nós, de não valorizarmos e – pior, desvalorizarmos o esforço e a competência alheia – e que igualmente nos faz manter postura de orgulho, arrogância e normalmente de desprezo ou indiferença aos esforços alheios. É o que acontece muitas vezes quando nos permitir trilhar os caminhos da agressividade.
Muitas vezes, porém, nos entregamos ao lamento, às tristezas, às angústias, gerando quadros depressivos e de sofrimentos inclusive para familiares.
É preciso ter a coragem de voltar nos próprios passos, reconhecer decisões nem sempre equilibradas e sempre recomeçar, quantas vezes forem necessárias. Não é sinal de fracasso, é sim de força! Que importam comentários alheios, censuras que sempre surgem ou discriminação que possamos sofrer. São apenas opiniões que qualquer um pode emitir.
O que importa em todos os casos é a paz de consciência e a força de resistir aos ímpetos de abatimento ou de agressividade.
Isso tudo lembra a Parábola do Filho Pródigo. Tanto na coragem do filho em reconhecer a própria imaturidade e voltar, quanto no acolhimento do pai. Quanto ao ciúme do irmão, é também caso que se enquadra no segundo item, sempre demonstrando nossa tendência egoísta e necessitada de humildade.
Belas lições essas, colhidas na fonte pura do Evangelho. A notável Denise Lino, de Campina Grande-PB, nos apresentou farto material de análise da questão em seminário que tivemos a felicidade de presenciar, muito mais amplo que as poucas palavras da presente abordagem.
Como estamos reagindo às oportunidades de aprendizado diariamente vivenciadas?



Ainda adotamos postura orgulhosa e agressiva, nos deixamos abater ou optamos pela coragem de continuar, destemidos, dispostos a reconhecer nossa fragilidade mas nem por isso nos entregando e sim prosseguindo em nossas tarefas?