14/07/2011

UMA ENTREVISTA SOBRE O PERDÃO

 por Orson Peter Carrara

 Aloísio Carlos da Silva:
“O objetivo maior da nossa reencarnação é o perdão”

O autor do livro A Terapêutica do Perdão fala sobre a importância do perdão em nossa vida e como proceder para praticá-lo

Aloísio Carlos da Silva (foto), mestre em Educação e professor universitário, é natural de Muriaé-MG, mas residente atualmente em Guarapari-ES.
Espírita desde o nascimento, fundador e atual presidente da Sociedade Guarapari de Estudos Espíritas, é autor de vários livros – inclusive na área acadêmica –, como A Terapêutica do Perdão, recentemente lançado em nova edição.
Para falar sobre o tema perdão e a obra mencionada, ele concedeu-nos gentilmente a entrevista que se segue: 

Como você se tornou espírita?
 
Fui ao centro espírita pela primeira vez aos seis meses de idade. Mas tornei-me divulgador apaixonado pela Doutrina dos Imortais em 1989, depois de uma crise obsessiva séria. Saí da crise convicto do compromisso que assumi nesta existência antes mesmo de reencarnar. A partir de julho de 1989 passei a palestrar e ministrar seminários em todo Brasil. No ano 2000 eu já contava mais de 1.000 palestras e seminários proferidos. 

Por que o tema perdão para seu livro?  
Considero que, na nossa condição espiritual atual, o objetivo maior da nossa reencarnação é o perdão e autoperdão. As famílias na Terra são constituídas a partir de um planejamento do mundo espiritual em função do perdão e do autoperdão. A mágoa e a culpa têm-nos paralisado em existências inteiras. A superação destes sentimentos nos facilita o caminho da luz. A própria palavra perdão tem sua origem no latino Perdonare: Per – Intensidade, e donare quer dizer doar, ou seja, doar com intensidade, doar àquele que te quer mal, querer bem a quem te persegue e calunia, como nos convida Jesus. 

Como surgiu a motivação para o livro?  
Surgiu de uma situação pessoal envolvendo o movimento espiritista. A dor e decepção foram muito grandes na época. Conversei com Divaldo e ele lembrou-me que todos passamos por isso, a começar por Jesus. No Espiritismo ele lembrou Dr. Bezerra, Chico Xavier entre outros. Mas percebi que é doloroso e muito difícil, considero uma espécie de batismo de fogo para aqueles que querem divulgar o Evangelho de Jesus à luz do Espiritismo. 

Nos sucessivos capítulos, há casos e casos envolvendo o tema. Fale-nos sobre essa característica.  
Aos poucos fui-me lembrando de outros casos pessoais e escrevi sobre eles, além de citá-los nas palestras que faço por todo o Brasil. 


Como sente o público durante tais abordagens?  
Acho que as pessoas se identificam porque todos nós somos muito parecidos. Alguns, sabendo que sou palestrante espírita e escritor, me contam outros casos. Alunos meus também relataram alguns. 

Como definir a relação perdão-desequilíbrios-enfermidade-saúde?  
Conforme alguns capítulos do livro, a relação é direta, além de imediata e mediata. A mágoa e a culpa causam males imediatos que vão desde uma diarreia, problemas de coluna, depressão, ansiedade, problemas de nervos, envelhecimento precoce. Também causam males mediatos como câncer, infartos, problemas respiratórios etc. Alguns males nos acompanharão no além-túmulo e farão parte da nossa próxima reencarnação. 

Qual o maior benefício de perdoar? Por quê?  
Libertação, esse o primeiro benefício, depois a paz, concomitante à alegria de viver. É como se tirássemos um peso de duzentos quilos das costas.  

O tema tem-lhe trazido muita repercussão? De que forma?  
Muita. Durante as palestras muitas pessoas choram, porque, junto com a exposição, faço com elas uma imersão para dentro de si mesmas e elas descobrem o "Deus" interior que são e que é possível perdoar desde que tenham a ferramenta correta. As primeiras edições do livro esgotaram-se rapidamente por isso. Um faz a leitura, indica para o outro e de mão em mão a notícia se espalhou. 

Conte-nos um caso que você considera marcante.  
Um jovem espiritista deixou o livro em cima da mesa na casa de seus pais. Seu pai, por uma situação de mágoa e ciúme da esposa, mãe do rapaz, planejou jogar gasolina na mulher e depois riscar o fósforo. Enquanto a esposa não chegava do trabalho, ele resolveu ler uma página do livro, e em seguida decidiu abandonar a ideia infeliz. Foi o próprio pai que me contou esse fato, aos prantos... Hoje ele frequenta o centro espírita e dedica-se à atividade social de distribuição da sopa aos moradores de rua. 

Quais os passos para perdoar sinceramente? Como fazer isso realmente?  
Primeiramente saber que tudo que nos acontece concorre para o nosso bem. Depois perceber que nunca somos vítima; se algo nos aconteceu, no mínimo resgatamos. Que na vida nada é pessoal, a pessoa que nos machucou traz consigo muitos conflitos e por isso tomou aquela atitude, ou seja, por causa dos conflitos pessoais dela e não por nossa causa. Partindo desses pontos, o passo seguinte é querer perdoar e buscar ajuda. Ler o livro é uma delas, buscar o atendimento fraterno no centro espírita é outra, e a oração diária também.

Algo mais a acrescentar?  
Tenho três paixões que movem minha existência: minha família (pais, esposa e meus cinco filhos), o Espiritismo e a terceira é a profissão de professor de filosofia. Tenho um programa semanal - www.radioespirita.net.br  - às quintas-feiras, às 20h, com reprise no sábado, às 20h, quando respondo às perguntas dos ouvintes. 

 
 
Nota da Redação:
A obra citada na entrevista já se encontra disponível na Solidum Editora, que a publicou, podendo ser adquirida junto às Distribuidoras de Livros ou diretamente na Editora, tel.  0800 770 2200.