17/08/2011

Desajustes desnecessários

por Orson Peter Carrara

Quanto tempo não perdemos com discussões vazias, com especulações que a nada levam, com tolices e vaidades ou pretensões descabidas no cotidiano diário?
Sim, nelas se incluem teimosias, imposições, querelas, precipitações, ansiedades, temores, ciúmes e condicionamentos que, em resultado final, afetam a saúde e causam sérios desajustes emocionais. 
Basta verificarmos em nós mesmos a constante falta de flexibilidade, a má vontade com o chamado “jogo de cintura”, a dureza de opiniões cruéis muitas vezes e mesmo a total carência da boa vontade. Felizmente isso não é em todo mundo, pois sempre encontramos pessoas com a vitoriosa resignação ativa, com o coração aberto à boa vontade e igualmente muita gente dotada de boa dose de paciência e tolerância diante do comum azedume da irritação diária. Não pense em pessimismo, leitor.
Não! O que se busca aqui é destacar os valores do silêncio, da espera ou da indulgência com a dificuldade alheia, pois que a presença daquela tensão comum dos relacionamentos prejudica a saúde, tortura a vida social e gera prejuízos que nem sempre podemos medir. 
Muitos desajustes – individuais e coletivos – poderiam ser evitados com mais atenção a detalhes desprezados. Muitas vezes, a releitura de um documento, de uma informação, o prestar atenção num diálogo, a atitude de paciência e tolerância diante dos fatos podem evitar tragédias. Por outro lado, como discernir sobre o limite entre o agir e o aguardar? Eis o grande desafio. 
Nem sempre acertamos no momento certo de agir ou aguardar... A resposta e o alcance dessa maturidade vêm com o tempo. Somente a experiência dos anos e mesmo a vinculação e observação atenta, constante e determinada, vai trazer a maturidade de agir, calar ou aguardar o momento certo. Enquanto temos dúvida, aguardemos com prudência. 
A prudência é virtude excelente. Atentemos para os graves problemas que porventura estejamos enfrentando e veremos o quanto o uso dessa virtude poderia ter evitado em termos de tensões, preocupações e mesmo enfermidades ou os chamados sérios desajustes emocionais. Busquemos exemplo prático diário para essa abordagem: todos já encontramos funcionários ou clientes irritados, impacientes, agressivos, em total postura de má educação ou desrespeito. E nós mesmos, quantas vezes já não estivemos em posição de cliente ou atendente em diferentes situações, onde a tônica predominante foi a irritação ou a explosão de agressividade? Pois é! São as questões humanas. Fácil? Não, nem sempre. 
Mas a vida pede atitude que silencie os desajustes que piorem e danifiquem os relacionamentos...
Viemos todos para a concórdia e para a harmonia. 
Por que sermos causa de querelas perfeitamente dispensáveis?
Sejamos nós os facilitadores para que a vida flua mais naturalmente.