03/08/2011

Entrevista:- por Orson Peter Carrara


Rubens de Castro Silva:
“No meio espírita, somos todos parceiros”
A Web Rádio Fraternidade consolida-se na divulgação do Espiritismo e sua experiência indica o caminho a seguir na tarefa de levar ao grande público os ensinamentos espíritas.
Rubens de Castro Silva (foto), formado em Comunicação Social e profissionalmente jornalista e assessor de imprensa, nasceu e reside em Uberlândia-MG. Vinculado à Seara Espírita Vinha de Luz, onde coordena uma reunião pública e uma reunião mediúnica, Rubens fundou e mantém, com outros companheiros, a Rádio Fraternidade, que, valendo-se da Internet, dedica-se à divulgação sistemática da doutrina espírita, em todas as 24 horas de cada dia.

Fale-nos sobre a Rádio Fraternidade. Ela é sintonizada exclusivamente     por     meio    da Internet? Qual o seu endereço na Web?
A Rádio Fraternidade é uma emissora veiculada na rede mundial de computadores. Com isso ela é uma emissora, pelo menos por enquanto, exclusivamente pela internet. Ela pode ser acessada no endereço: www.radiofraternidade.com.br.

Como surgiu a ideia de formar uma rádio pela internet?
Tínhamos em 2008 dois programas espíritas na rádio comercial em Uberlândia, ambos com mais de 10 anos no ar. A rádio mudou sua grade e os programas saíram do ar. O tempo passou, quando acordo uma manhã com uma ideia fixa: criar uma rádio pela internet. Além da ideia de fazer isso, o próprio nome já estava na cabeça e definido. Deveria ser Rádio Fraternidade. A sensação era de que havia chegado de uma reunião no Plano Espiritual. Pensei comigo: Como fazer uma rádio pela internet? Era um grande desafio. Ao verificar que o domínio estava livre, “corremos” para registrá-lo. Lembro que tudo isso começou no início do mês de dezembro de 2008. “Apanhamos” muito até conseguir aprender. Funcionamos cerca de um mês e meio em testes. De forma oficial e em definitivo a rádio foi ao ar com uma programação de 24 horas no dia 1º de fevereiro de 2009. 

  Os custos são altos? E de onde surgem os recursos?
Na internet, os custos são mínimos. Usando a experiência da Web Rádio Fraternidade diria que você precisa do ponto de internet no estúdio da rádio, onde é gerada a programação, o servidor de streaming, a hospedagem do site, o pessoal para produzir a página, microfones e a mesa de som, que pode ser bem simples. Basicamente é isso. Para transmissão ao vivo, uma internet 3G, e um notebook. Muitos amigos chegaram se oferecendo para ajudar. Hoje temos amigos locutores que estão oferecendo sua voz, de forma gratuita, e gravando as vinhetas e spots que veiculamos na rádio. Antes disso éramos poucos. Isso já nos ajuda. Mas, falando dos custos, eles são cotizados entre aqueles que fazem parte da equipe com cada um colaborando como pode. A ajuda que sempre pedimos para todos é a divulgação da rádio. 

  Quais as maiores dificuldades de manter a programação?
A tarefa técnica de colocar no ar 24 horas de programação requer muito tempo no trabalho. Considero que o começo foi muito mais difícil, principalmente aprender a usar os recursos técnicos. Somando-se a isso a formatação de uma grade de programação, definir os programas que veicularíamos etc. Muitas vezes a tarefa nos custou noites e os dias de férias. Hoje temos muitos colaboradores que somam com o trabalho na rádio a partir de várias partes do mundo. Amigos que fazem sua participação gravando programas ou mensagens em seus próprios computadores e nos enviam. Acho que o grande desafio é encarar o trabalho com a responsabilidade que a Doutrina Espírita exige de cada um de nós. Como o trabalho na casa espírita, por exemplo. Acho que o amor é a essência principal desse tipo de tarefa.

Há retorno da parte dos ouvintes?
Muito retorno. Uma manifestação que nos emocionou muito foi a de um ouvinte que, do outro lado do mundo, no Japão, nos escrevera dizendo acessar a rádio pelo seu iphone. Ou seja, ele escutava a rádio pelo celular, enquanto se dirigia para o trabalho. Dá para imaginar? Isso é fantástico. Mas recentemente, em janeiro, quando estávamos perto de completar 2 anos da rádio, recebemos uma declaração via e-mail de uma ouvinte do exterior. Era um momento em que enfrentávamos dificuldades técnicas. Mas as palavras dela mostraram quanto o trabalho no bem ultrapassa fronteiras. Dizia: “olá, Rádio Fraternidade, sou brasileira, tenho 73 anos, morei 33 anos na Suécia. Há 3 anos fiquei viúva e me mudei para Portugal. Aqui me sinto muito doente e triste. Mas agora agradeço a Deus e tenho tido a companhia da Rádio Fraternidade e por isso vos agradeço muito”. Essas palavras vieram num momento delicado do nosso trabalho. 

  Há contatos do exterior também?
Sim. Temos contatos em várias partes do mundo. Aliás, na Suíça amigos nossos abraçaram a causa e têm-nos ajudado reportando o trabalho de nossos expositores espíritas no “velho mundo”. Muitas pessoas também acessam e interagem com a gente de Portugal. Recebemos acesso dos EUA, Canadá, China, Japão, Alemanha, Austrália, Itália, Grécia, Chile, Uruguai, Argentina etc. Já recebemos acesso de mais de 80 países. Aliás, estamos abertos aos confrades nesses países a interagirem conosco. Nosso objetivo é ajudar a divulgar os trabalhos espíritas ali existentes. É só entrar em contato com a gente.
Quais os resultados mais positivos já colhidos?
O resultado é o consolo que chega aos ouvintes. Costumo dizer que esse não é um trabalho meu ou da equipe. Esse é um trabalho acima de tudo de Jesus.  Somos necessitados de aperfeiçoamento, cheios de imperfeições e nos colocamos como instrumento Dele para, através desse pequenino e singelo trabalho, somar esforços e levar o esclarecimento que a Doutrina Espírita nos oferece. E principalmente usar do termo FRATERNIDADE para podermos unir povos e disseminar a Boa Nova ajudando a construir um mundo melhor, que só será alcançado com pessoas melhores, a partir da transformação de cada um de nós. 

Há projetos para o futuro?
Sim, muitos, como mais programas ao vivo, uma maior interação com o ouvinte. Claro que outro sonho seria a possibilidade de ter a Web Rádio Fraternidade também em ondas hertzianas, chegando aos lares das pessoas que ainda não têm internet, através do rádio AM ou FM. Mas reconhecemos que é um custo ainda alto. Outro projeto é a transmissão mais constante e ao vivo de eventos artísticos, palestras e seminários espíritas. Já fizemos várias experiências muito positivas com a transmissão de eventos desse tipo com tecnologia de internet 3G. E isso é muito legal. Este ano estivemos em Goiânia, ao vivo, no período do carnaval, transmitindo o 27º Congresso Espírita de Goiás. 

  Algo mais a acrescentar?                                                      
Diria que o trabalho no Bem é fundamental para todos nós. Muitas vezes as pessoas entram em contato pedindo orientações de como montar uma Web rádio. E sempre me coloco na condição de ajudar. Na divulgação da Boa Nova, no nosso meio espírita, de forma alguma somos concorrentes uns dos outros. Precisamos nos unir e deixar de lado o personalismo. Precisamos, nestes tempos de transformação, lembrar que somos todos instrumentos, cada um chegando a um público. Nas redes de comunicação comerciais temos concorrências. Aqui não! No meio espírita, somos todos parceiros. A causa de Jesus é mais importante.

Suas palavras finais.
Usamos muito na Rádio Fraternidade o lema deixado por Emmanuel: “O maior bem que podemos fazer em prol da Doutrina Espírita é a sua divulgação”. Acho que é isso que precisamos fazer e, claro, com a seriedade e a responsabilidade que a causa exige. Diria aos amigos leitores que abracemos a causa do Cristo e vivamos os seus ensinamentos tão bem esclarecidos através de Allan Kardec nas Obras Básicas. Qualquer trabalho no bem exige disciplina, desprendimento, força de vontade e amor naquilo que se faz.
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