05/10/2011

A Questão 980

por Orson Peter Carrara
Os espíritas vivemos a estudar, a ler, a refletir sobre os ensinos da Doutrina Espírita e vez por outra nos surpreende a clareza e lógica de determinadas questões. Parece que não havíamos notado sua essência antes. É que o amadurecimento e a experiência faz perceber depois o que lemos antes várias vezes, embora o texto ali estivesse desde 1857...

É o que ocorre com a questão 980, entre outras, de O Livro dos Espíritos. Referida questão aborda a união dos espíritos, em laços de simpatia, como fonte de uma das maiores alegrias. Diz a resposta que "... Eles formam, no mundo inteiramente espiritual, famílias com o mesmo sentimento, e é nisso que consiste a felicidade espiritual, como no teu mundo vos agrupais em categorias, e sentis um certo prazer quando vos reunis. A afeição pura e sincera que experimentam, e da qual eles são o objeto, é uma fonte de felicidade, porque lá não há falsos amigos, nem hipócritas."

Embora a questão se refira ao mundo espiritual, ela destaca o prazer dos encarnados sintonizados na afeição da sinceridade e da amizade. Ora, isso nos faz pensar...

Convido o leitor a recordar-se dos eventos espíritas, dos encontros fraternos, dos ambientes das autênticas reuniões espíritas ou das harmoniosas convivências dos diálogos. Não são eles fonte de verdadeira felicidade na vida do movimento espírita e que a muitos muito alimenta?

Sim, perceba, amigo leitor, o bem que nos faz a convivência e participação em eventos espíritas; o comparecimento nas palestras onde nos encontramos com queridos irmãos; as viagens recheadas de diálogos com companheiros; as longas conversas nas madrugadas após hospedarmos visitantes ou estarmos hospedados nas casas de nossos confrades; o planejamento de encontros e suas providências; as cartas, e-mails e telefonemas trocados para falar da Doutrina e seu movimento. Ora, isto é felicidade! Que prazer incomparável! Pelo menos é felicidade possível de ser construída e vivida, quando a fraternidade está presente.

Este certo prazer quando vos reunis, conforme ensinam os Espíritos, é realmente incomparável e deixa de existir quando comparece a vaidade, o desejo de projeção ou imposição, ou o orgulho e seus desastrosos desdobramentos. Mas, quando o ideal espírita prevalece, este prazer é real e alimenta nossa disposição e perseverança nas tarefas espíritas, pois que a convivência fraterna de irmãos unidos fortifica e consolida a teoria aprendida no estudo. O que ocorre é que experimenta-se na pele o que ensina a teoria.

Pensemos bem: quais são os momentos de maior prazer que experimentamos ou guardamos da vida?

Claro que são os da convivência em família. Mas e quais surgem depois? Ah! para quem vive a extraordinária beleza dos ensinos espíritas, esses momentos estão sim na convivência com os irmãos do ideal espírita. Nas lutas cotidianas, esses momentos preciosos nos alimentam, sustentam e indicam a perseverança como único caminho de sustentação do equilíbrio.

Existem lutas, divergências? Sim, existem. Mas, se buscarmos os amigos sinceros, verdadeiros, estaremos amparados para superar esses obstáculos que na verdade são aparentes, pois que se escondem na fragilidade de ligações sem sinceridade. Quando há afeição sincera, tudo se transforma...