06/11/2012

Tropeços


por Orson Peter Carrara

         Quem de nós já não “bateu a cara”? Isso é comum, é humano. Os tropeços da existência humana ocorrem diariamente, isso não é novidade para ninguém. Eles são resultantes principalmente da inexperiência no trato com situações novas, necessários, porém, ao aprendizado. Resultam também da precipitação, da ansiedade, do medo e, claro, da falta de conhecimento.

         Nem sempre estamos capacitados para atuar em determinada área e aí acontecem as decepções, as frustrações, e mesmo desequilíbrios emocionais, inclusive com danos à saúde. Estão em todas as áreas de atividade, até mesmo dentro de casa, na convivência familiar, com a palavra mal conduzida, o comportamento agressivo e sem psicologia no trato, e se estendem para a vida social, com os conhecidos desdobramentos das violências e intensos desafios sociais.
         Os tropeços estão na vida individual, na vida pública, na profissão, nos relacionamentos, na sociedade em geral. Um motorista negligente e irresponsável, por exemplo, levará o tropeço além das dificuldades naturais, causando prejuízos e até tragédias. O exemplo do motorista enquadra-se em muitas outras situações, inclusive na profissão, na política, na administração de uma empresa, na presidência de uma instituição, podendo desdobrar-se em grandes prejuízos, falências e mesmo no desvirtuamento de uma ideia ou da finalidade de uma iniciativa documentada ou fundada com nobres bases estabelecidas.

Quantas famílias não se desestruturam, quantas empresas não faliram e quantas instituições respeitáveis não fecharam suas portas e encerraram atividades em virtude de um ou  mais tropeço na área administrativa, advinda de vários fatores que algumas vezes independe de nossa participação e planejamento, vindo de tropeços externos e alheios que inevitavelmente também pode nos atingir, individual ou coletivamente.

Por isso a necessidade do cuidado, do planejamento com detalhes, da retidão no comportamento, da observação atenta de circunstâncias passíveis de ocorrer, da prudência em última análise. Esses fatores, calcados na responsabilidade, evitam desastres e tropeços que na maioria das vezes ocorrem por descuidos mínimos e negligência declarada.
        
Por isso a honestidade e a retidão surgem como fatores expressivos para bem se conduzir. Tais virtudes trazem o respeito por pessoas, instituições e circunstâncias. Elas evitam fatos que só ocorrem porque ainda abusamos da vida, negligenciamos os compromissos e achamos que tudo podemos fazer, esquecendo que muitas atitudes podem prejudicar terceiros. Todos temos compromisso com a vida e uns com os outros. Essa simples observância pode evitar muitos tropeços na vida individual e coletiva.

Citemos apenas um exemplo: quem age com desonestidade não imagina que referido comportamento é um desastre para si mesmo, em futuro próximo ou remoto. E isso não é castigo da vida, mas meramente uma consequência natural do próprio comportamento.
         
O pior dessa história toda é a teimosia nos comportamentos e decisões que nos permitimos, normalmente geradoras de grandes tropeços na vida, por não ouvirmos a voz da experiência, da prudência, do respeito que nos devemos uns aos outros.
         
Observemos com atenção: os que agem agressivos, egoístas , indiferentes ou omissos, estão sempre a dar “trombadas“, tropeçando no cotidiano das experiências.  E, claro, sofrendo com isso.
         
Muito melhor olharmos a vida com alegria e bondade, respeitando e seguindo adiante com o compromisso de fazermos o melhor ao nosso alcance para atenuar as agruras naturais uns dos outros. Isso, ao invés de tropeços, trará a suavidade de quem compreende, busca e luta para melhorar a si mesmo. Apesar dos tropeços naturais a que estamos sujeitos e expostos. A “loucura” de cada dia será substituída pela paz interior de quem sabe onde quer chegar.