29/01/2013

Lembra-se do Mazzaropi?


Orson Peter Carrara

 Visitei o Museu Mazzaropi em Taubaté. Foi inevitável o explodir das lembranças na infância, quando, morando quase em frente ao cinema em Mineiros do Tietê, pude assistir muitos filmes do notável ator e diretor. As músicas marcantes, o jeito caipira de andar de falar, os temas dos filmes e a própria temática sempre provocando risos, marcaram a vida de muita gente, pelo menos nas lembranças. Os personagens hilariantes, em ângulos que bem retratam o cotidiano da vida humana, fizeram época e marcaram o cinema nacional.
Muito bem cuidado, o novo prédio que agora abriga o museu possibilita ao visitante recordar muitos fatos ou épocas e mesmo conhecer equipamentos, utensílios e recursos já superados pelo avanço da tecnologia e que foram usados pelo cinema. Mas não é só. A história do cinema nacional ali está assinalada, pois que sem medo de errar, ouso dizer que nosso genial Mazzaropi – que bem conhecia a linguagem do povo e a usava com mestria – pode ser considerado o Chaplin brasileiro.
No museu estão móveis e objetos utilizados nos filmes, cartazes que divulgaram a produção, os equipamentos pesados e antiquados de projeção, os velhos rolos de fitas que arrebentavam durante a exibição, entre tantos outros detalhes que fica impossível descrever numa simples abordagem, mas que registram a história de um ator. O acervo possui mais de seis mil peças.
Como se sabe Mazzaropi, cujo nome verdadeiro é Amácio Mazzaropi, nasceu no dia 9 de abril de 1912, filho único de Clara Ferreira e Bernardo Mazzaropi. Sua biografia explica o envolvimento com a arte e sugiro a leitor pesquisá-la, até por questão cultural. Corro o sério risco de omitir detalhe importante da vida desse gênio do cinema nacional. Foram 32 filmes, sendo o primeiro em 1952 e o último em 1980. Empreendedor nato, um homem simples que construiu uma indústria cinematográfica genuinamente nacional, independente e bem sucedida. E faleceu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos.
Administrado pelo Instituto Mazzaropi, o Museu traduz um belo passeio cultural. Indo a Taubaté ou passando pela Via Dutra, não deixe de visitá-lo. Mas, mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente, e que se localiza ao lado do Hotel Fazenda Mazzaropi, acesse os sites para conhecer mais:  museumazzaropi.org.br   mazzaropi.com.br  e institutomazzaropi.org.br
E ainda fique a vontade para procurar no youtube algo mais sobre o notável e inesquecível Mazzaropi. Talentos do Brasil, como o foram Chacrinha, Chico Anísio e tantos outros.
O que ocorre é que os filhos de Deus trazem consigo suas bagagens dos aprendizados e experiências anteriores e aqui dão prosseguimento, espalhando ao seu redor o fruto de suas conquistas, em todas as áreas. Como Chaplin, que pode ser chamado o médium da alegria, nosso Mazzaropi igualmente trouxe o riso e a descontração pela alegria pura do coração de seus personagens retratando a vida caipira de seu tempo. O mesmo fez Chico Anísio ou o Chacrinha, este último um verdadeiro mestre da comunicação, ainda que pelo deboche.
Os dons ou o desenvolvimento desses talentos se faz pelas experiências acumuladas, que não são de hoje, mas fruto de esforços e vivências do passado, em todas as áreas. Por isso é que encontramos os gênios ou as crianças prodígio. São seres que se dedicaram a determinada área com empenho, adquiriram enorme experiência naquela área ou em várias e agora trazem o resultado de suas vivências. Cada um em sua área, mas todos contribuindo para uma vida melhor.
Por isso é bem melhor substituir o vício pelo esforço. O aprendizado nunca se perde e sempre vai aparecer. Walt Disney, Maurício de Souza, Ray Conniff, André Rieu, Albert Einstein, Irmã Dulce, Pelé, Airton Sena, Zilda Arns, Karol Wojtyla, Jerônimo Mendonça, Frank Sinatra, Tchaikovsky, Chico Xavier, Santos Dumont, Victor Hugo ou tantos outros inesgotáveis nomes que poderiam ser citados, são exemplos marcantes do que o esforço e a perseverança são capazes de fazer. Não é milagre ou evento extraordinário, mas apenas fruto do esforço pessoal.
Mãos à obra, pois, com o nosso próprio esforço pessoal de melhora moral e desenvolvimento intelectual, ao lado da bondade e do desejo de servir sem interesse.