12/03/2013

Autenticidade incontestável


Orson Peter Carrara

Ele veio para ensinar, exemplificar. Vida simples, mas cheia de grandeza, de abnegação e sacrifício, e deixou traços que não se apagam. Sua figura ultrapassa todas as concepções do pensamento. Eis por que não pode ela ter sido criada pela imaginação. De serenidade incomparável, não se nota mácula nenhuma, nenhuma sombra, deixando claro que todas as perfeições se fundem, com uma harmonia tão perfeita que se nos afigura o ideal realizado.

Sua doutrina, toda luz e amor, dirige-se sobretudo aos humildes e aos pobres, a essas mulheres e homens curvados sobre o planeta, a inteligências esmagadas ao peso da provação e do sofrimento, em palavra de vida que as deve reanimar e consolar.

E essa palavra lhes é prodigalizada com tão penetrante doçura, exprime uma fé tão comunicativa, que lhes dissipa todas as dúvidas e os arrasta a seguir em tais pegadas.

Na verdade sua finalidade era colocar ao alcance de todos o conhecimento da imortalidade e da paternidade comum, cuja voz se faz ouvir na serenidade da consciência e na paz do coração.

Pouco a pouco tais ensinos, transmitidos verbalmente nos primeiros tempos, se alteram e sofrem adulterações sob influência de correntes opostas, que agitam a sociedade através do tempo.
Seus continuadores, escolhidos por Ele mesmo, muito bem o tinham sabido compreender; haviam recebido o impulso de sua vontade e de sua fé. Mas seus recursos intelectuais eram restritos à época em que viveram e não puderam senão conservar, pela memória do coração, as tradições, os pensamentos morais e o desejo de regeneração que lhes havia Ele depositado no íntimo. Na jornada que empreenderam, através do tempo, formaram, de cidade em cidade, grupos de cristãos, aos quais revelaram os princípios essenciais; depois alcançaram outras regiões.

Nestes momentos difíceis para a humanidade, a ÚNICA solução está Nele mesmo: Jesus de Nazaré! Não há alternativa de construção, ou reconstrução, da dignidade, do caráter, da solidariedade e da fé autêntica.
Mais que títulos que dividem a compreensão da fé, de incomparável autenticidade – desde que devidamente a conheçamos –, do exemplo de vida, dos ensinos e da potente força oriunda de sua doutrina, alcançamos uma época tal de maturidade intelectual que nos convida a estendermos as mãos uns aos outros, ao invés de nos debatermos em idéias localizadas ou motivadas por tolo egoísmo.

A clareza de sua doutrina, exaltando a imortalidade, apresentando o Pai comum e convidando ao amor (em toda a sua extensão), deve ser a alavanca de nosso ideal de vida; deverá constituir nossa maior motivação, será a fonte de orientação, consolo e coragem diante dos desafios naturais da vida humana. É luz, brilhante farol, a iluminar nossos caminhos; orientação segura que nos dirige, para nos reerguermos de nossos fracassos e limitações e exaltarmos o valor extraordinário da vida e de suas experiências.

Isto tudo convida à conjugação de verbos essenciais para a felicidade e paz que desejamos construir: trabalhar, solidarizar-se, tolerar. Sim, trabalho, solidariedade e tolerância. No alto sentido de compreendermo-nos uns aos outros, de estendermos nossas mãos. Afinal, todos, mas todos mesmo, precisamos muito uns dos outros...

E, por sermos tão iguais e tão diferentes, ao mesmo tempo, em todas as situações e circunstâncias, é que nos cabe o dever da mútua compreensão, mútua tolerância, mútuo trabalho e mútua solidariedade. Há outro caminho?
Ele é o modelo e guia para a Humanidade. 
Esforcemo-nos para segui-lo, mais que a rótulos ou divisões humanas.