03/04/2013

Preconceitos


por Orson Peter Carrara

Um juízo preconcebido, normalmente manifestado na forma de atitude discriminatória  perante pessoas, lugares ou tradições e hábitos considerados diferentes ou estranhos, é o que é o preconceito. Ele é resultado da ignorância ou desconhecimento das razões e fundamentos que levam alguém a agir dessa ou daquela forma. Também ocorre com grupos que agem numa determinada direção e não são devidamente compreendidos.
           
Já são conhecidas as formas mais comuns de preconceito: social, racial, sexual e religioso. Mas sua origem sempre é de uma generalização superficial, sem conhecimento de causa. É um prejulgamento, que pode ser qualificado de leviano, pois não devemos falar daquilo que não conhecemos devidamente. As realidades e circunstâncias, causas e razões são muito variadas e sua origem e realidade, dada a diversidade humana de crenças, tradições e bagagens próprias de cada um, individual e coletivamente considerados.

Que direito temos, por exemplo, em afirmar: “todos os alemães são prepotentes” ou “todos os ingleses são frios”, ou ainda “todos os políticos são corruptos”? Isto é uma generalização sem qualquer fundamento.  Sempre que adentramos no terreno da agressividade ou da discriminação, mesmo que cultural, estamos na onda do preconceito, o que é um erro, não há dúvidas.
           
Há uma péssima tendência humana em denegrir o esforço alheio, em diminuir ou criticar o que outros fazem, caindo pelo tortuoso caminho da calúnia ou da maledicência. Isto contraria a dignidade humana, pois que não há nenhuma pessoa que não seja portadora de valores e experiências acumuladas. E isto vem sempre pela ignorância das razões que movem as iniciativas, as ações, os esforços alheios. Convenhamos: que direito temos de julgar, discriminar, denegrir ou desvalorizar alguém, suas crenças, esforços ou iniciativas?
           
Somos ainda seres muito precipitados no julgar, levianos e nos deixamos levar por tolas vaidades e muita prepotência, achando que somos os melhores e únicos capazes de algo fazer, esquecendo-nos do principal: o outro ser tem também suas razões, seu raciocínio, suas bagagens.

Dispensemos, pois, os preconceitos. Por trás de comportamentos, opções, crenças, iniciativas, esforços e lutas há toda uma história de bagagens e experiências acumuladas. Como dizia Chico Xavier, deixemos a cada um o direito de ser como quer, reservando-nos igualmente o mesmo direito.

A consciência individual é indevassável. Respeitemo-nos mutuamente em nossas escolhas, sem escândalos, acusações ou julgamentos. Estamos todos num gigantesco processo de aprendizado e isso nos situa em diferentes estágios de entendimento da dinâmica da vida. Podemos estar muito amadurecidos num determinado ponto e extremamente imaturos em outros, o que determina o sentido exato da compreensão e da tolerância uns para com os outros.

A compreensão e a tolerância – aliadas ao esforço de sermos melhores moralmente, por sua vez, são itens importantes para todos os que nos consideramos cristãos, embalados pelo cântico suave e confortador do Evangelho de Jesus, que, em síntese, representa – nada mais, nada menos –, o respeito que nos devemos uns aos outros. Afinal, quem ama, respeita. E O Evangelho recomenda amar.

Por isso antes de julgar ou discriminar, usemos o crivo do amor que vacina contra o malefício do preconceito, essa bobagem que separa indivíduos e grupos por ignorância.