04/06/2013

Posso falar de experiência própria – Orson Peter Carrara

Orson Peter Carrara

Realmente é um flagelo. Os sintomas são torturantes, trazendo indisposição generalizada, dores nos ossos, febre alta, entre outros sintomas já conhecidos de quem contraiu a doença.
A sensação predominante é de muita indisposição, perda do apetite com completo desarranjo da vontade alimentar-se – gerando vômitos inclusive – e parece que até mesmo o raciocínio fica lento. Claro que há variações de pessoa para pessoa, mas o quadro é dolorido, cruel mesmo posso classificar.
Falo da dengue. Também a contraí. Portanto, posso falar dos malefícios generalizados. Matão tem centenas de casos e vemos esse mal espalhar-se pelo Brasil. Descuido doméstico ou público? Penso que os dois, pois a responsabilidade não é apenas das autoridades, mas também do cidadão. A fiscalização dos possíveis criadouros começa em casa.
           Muitos cuidamos de nossos quintais, atentos que estamos às conhecidas instruções e campanhas das autoridades e dos órgãos de saúde. Mas há ainda comportamentos desatentos e relapsos que permitem a proliferação do mosquito.Como já é o segundo caso na família, penso ser até um dever de cidadania abordar o assunto também. Temos cuidado do espaço doméstico onde vivemos, mas de que adianta se outros locais não recebem a devida atenção?
       Como são muitos os casos na cidade, as ocorrências difíceis da enfermidade em crianças e idosos acentuam ainda mais o quadro desse autêntico flagelo.
         Já não se trata apenas da decisão e providências de autoridades, mas é um caso de comprometimento individual na eliminação de possíveis focos, com fiscalização pessoal e atenta observação de circunstâncias que favoreçam a multiplicação do agente transmissor. Isso implica em não se permitir água parada. Pneus, calhas, vasos, ralos, garrafas e outros recipientes ou espaços vazios em que a água permaneça devem merecer nossa atenção permanentemente, para eliminarmos algo que não precisamos passar. Se estamos enfrentando essa “parada” é porque estamos desatentos no geral.
        Será preciso que o quadro se agrave ainda mais com a dengue hemorrágica para que assumamos a responsabilidade pessoal?
          É um dever de cidadania, é um caso de saúde pública.
        Quando me senti pessoalmente atingido pude avaliar os prejuízos que podemos evitar. Espaços dos hospitais ocupados, que poderiam ser preenchidos com necessidades mais urgentes, o próprio custo da enfermidade e seus desdobramentos, entre outras questões poderiam não existir...
         Pensemos com seriedade na questão. Não é por acaso que há tempos as autoridades conclamam a população para a parte ativa que nos cabe como cidadãos.
           A dengue realmente não é brincadeira. Observemos os espaços à nossa volta.
           Isso significa respeito à vida, gratidão aos benefícios da saúde e da convivência saudável. Ou vamos aguardar esse enfrentamento pessoal para entender?            
         Diante do quadro sofrido que enfrentei, não pude silenciar. A consciência cobrou o dever do alerta àqueles que não se deram conta da gravidade de tal circunstância.
           Isso lembra uma lei clara, muitas vezes esquecida: a Lei de Sociedade. Somos seres sociais, que nos devemos mutuamente respeito e solidariedade. Viver indiferente às questões sociais é puro egoísmo, atitude incoerente com a paz que tanto desejamos viver e construir. Estamos todos juntos no “mesmo barco”, totalmente dependentes uns dos outros, o que resulta em deveres recíprocos, entre os quais até a atenção com esse flagelo que avança no país: a dengue. Cuidado, pois!