19/03/2014

Única alternativa

 Orson Peter Carrara

Multiplicam-se as tragédias sociais no planeta. E não precisamos sair do Brasil para constatar o agigantar crescente, diário, dos crimes, das explosões em terminais bancários, da corrupção galopante, da destruição de famílias inteiras com a invasão das drogas ou com os homicídios passionais. Entre as causas estão a vaidade, o orgulho, a ganância, o ciúme, a inveja e mesmo a prepotência ou todo tipo de arrogância, geradores das angústias humanas e todos efeitos diretos do egoísmo que ainda nos caracteriza a condição humana.

E acrescente-se a esse difícil quadro as doenças que se multiplicam assustadoras, a falta de chuvas com seus desdobramentos, o aborto, o desemprego e tantos outros desafios, inclusive os de natureza interior como a timidez, a insegurança e por aí vai.

A presente abordagem não é pessimista. Ao contrário desejamos mostrar outro ângulo da velha questão que ainda infelicitam as gerações. Apenas iniciamos a abordagem com a cruel realidade de nosso tempo, sem nos determos em outros detalhes e situações bem conhecidas que agravam ainda mais o cotidiano.

Somos pela vida, pela esperança, pela alegria de viver, pela gratidão a Deus.

O que ocorre é que, como seres humanos, não temos outra alternativa: ou melhoramos moralmente ou melhoramos moralmente. Não há outro caminho.

A melhora moral traz alegria, esperança, gratidão, solidariedade. Tais virtudes modificam completamente o quadro social onde se apresentam. 

Elas diluem as mágoas – causa conhecida de muitas doenças –, afastam o crime, modificam os ambientes de carência e miséria, demitem a corrupção, dispensam as drogas e a violência em geral, pois que com elas não há lugar para o egoísmo, pai de todos os vícios e desarmonias sociais.

É o velho ensino de fazer aos outros o que queremos para nós mesmos. Não há desculpas mais que justifiquem a permanência no velho egoísmo da satisfação de caprichos pessoais em detrimento da tranquilidade alheia. É exatamente pela melhora individual que conseguiremos as tão sonhadas reformas sociais que trazem a esperada felicidade.

Não teremos felicidade enquanto houver benefícios para uns em detrimento de outros. A igualdade é uma lei, assim como o amor. Sim, uma lei da vida. Pode não ser uma lei humana, mas enquanto desrespeitarmos o próximo – e esse desrespeito está em todo tipo de marginalização ou diferença que façamos a alguém – não teremos a paz social.

Note-se o quadro social da atualidade. Os desafios aí presentes são frutos imediatos ou veteranos dos velhos vícios humanos de tirar vantagens, de atendermos interesses próprios em detrimento do interesse coletivo. E convenhamos que há situações e situações, múltiplas, onde nos portamos de maneira a desrespeitar as diferenças humanas.

Então, a solução para os dias que correm é nossa melhora moral. Uma pessoa melhor faz sua família melhor, que, por sua vez, reflete-se na vida social.

Ou aprendemos a amar sem distinção ou continuaremos nessa roda viciosa dos desafios sem fim que se multiplicam, envergonhando nossa condição humana.

Crimes, corrupção, vaidades ou qualquer tipo de sentimento ou ação que denigram interesses coletivos são contabilizados como débitos morais que deveremos reparar.

É algo para pensar, não é? Inclusive com nossos filhos e o tipo de influência que estamos exercendo uns sobre os outros.