30/04/2014

Consciência política

por Orson Peter Carrara

Entrevistei o vereador MARCOS PAPA, de Ribeirão Preto-SP. Suas lúcidas respostas, embora parcialmente aqui transcritas, são bem oportunas para um ano eleitoral como 2014. Trago aos leitores alguns trechos das principais perguntas:
Qual o maior obstáculo ao cumprimento ideal político saudável, considerando os objetivos do partidarismo político?
O partido deve permitir que seus filiados elejam seus dirigentes; poucos são assim no Brasil. A maioria deles possui presidentes com poderes imperiais que nomeiam quem lhes atendem aos interesses eleitoreiros de cada eleição, desconsiderando a realidade de cada cidade. Cada cidadão deve conferir se o partido do seu candidato preferido é realmente um partido político ou uma agremiação de um dono. Se não encontrarmos um partido que espelhe melhor os nossos ideais, podemos e devemos fazer política fora dos partidos políticos. Os Conselhos de Direito criados pela Constituição de 1988 para a população determinar sua pauta de necessidades ao poder público estão ocupados pelos governos porque a sociedade ainda não acordou para isso e é do interesse do poder político estabelecido que continue dormindo e dizendo que não gosta de política, pois assim age como bem quer. Há o Conselho Municipal de Educação, de Saúde, de Cultura, de Segurança etc. Cada um de nós tem uma aptidão e pode colocar-se a serviço de sua comunidade num desses Conselhos.
Por que a política seduz tanto a ponto de corromper muitos?
O poder não muda ninguém; ele revela! Se já realizamos em nós os valores éticos universais de justiça, fraternidade, caridade e lealdade, por exemplo, nada nos corromperá. (...) Escolher quais tendências alimentar, o que plantar, é da nossa conta. A colheita será obrigatória. Aprendemos que “a cada um será dado segundo suas obras”.
O que dizer da consciência de voto?
Imprescindível. Precisamos de caridade para com todos, porque vivemos em sociedade. Devemos cuidar da cidade. Cuidando da cidade, cuidamos das pessoas que vivem conosco e nos livramos dos políticos clientelistas que dependem da perpetuação da desgraça para fazerem favores individuais e terem vida longa na política. O voto é a oportunidade que temos de separar o “joio do trigo”. Urge aprimorarmos as leis eleitorais, como as sociedades desenvolvidas fizeram, mas enquanto as regras forem essas, precisamos usá-las com inteligência em benefício de todos.
E as grandes reformas políticas de que o país precisa, em que estágio se encontram?
Muito atrasadas, porque ferem interesses cristalizados por uma burocracia ineficiente e vampiresca. Quando a sociedade tomar a sábia decisão de cuidar do que é dela, aos poucos promoveremos mudanças saudáveis.
Como formar uma mentalidade política saudável no grande público?
Somos divinamente vocacionados para a fraternidade, mas ainda estamos egoístas. Somos uma família universal e precisamos despertar para a necessidade de uma postura socialmente fraterna. Seremos cobrados por isso porque as oportunidades estão diante de nós, mas cada alma faz seu próprio despertar. Aprenderemos pelo amor e pela dor a assumir atitudes em defesa de uma sociedade mais justa e fraterna e para isso fatalmente deveremos nos envolver com questões políticas. Somos comandados por políticos. Eles criam as leis que regulam nossa vida em sociedade. Ou tomamos a iniciativa e reagimos, ou regularão nossas vidas como bem entendem. Aprenderemos a identificar os profanadores dos ideais de progresso e justiça e os baniremos da vida pública.
Algo marcante que gostaria de acrescentar?
A sociedade, o cidadão comum, precisa urgentemente oferecer apoio político aos que, por amor, abraçaram trabalhos no campo da política, do contrário, os operadores políticos tradicionais continuarão a controlar tudo segundo seus interesses gananciosos e não os da comunidade. Os modernos “vendilhões do templo” oferecem apoio político aos seus escolhidos. Os traficantes, os prevaricadores, etc., oferecem apoio e depois cobram de seus eleitos o retorno de seus “investimentos”. Precisamos romper esse círculo vicioso oferecendo apoio àqueles que realmente desejam servir à sociedade. Aqui um cuidado: sempre perguntar ao pretendente de nosso apoio o que ele já fez para que possamos acreditar no que está dizendo que fará. Ele deve necessariamente apresentar sua folha de serviços prestados. Devemos estudar, escrutinar sua biografia, porque papel e discurso aceitam de tudo, mas história tem quem realmente fez.