05/10/2016

Dentro do “pão de cada dia”!


Peço ao leitor raciocinar comigo. O texto apresenta uma argumentação que pode ser encarada como um pedido de alguém que deseja acertar, que procura entender, que faz um esforço por ser melhor. E mais: enquadra-se perfeitamente em nosso tempo. Tanto nos conflitos e questionamentos interiores que todos fazemos como na realidade do cotidiano nacional e mundial, diante dos desmandos humanos. A tradução é de Salvador Gentile.

Acompanhe comigo. Diz o texto: “(...) Afastai também de nosso espírito o pensamento de negar a vossa justiça, vendo a prosperidade do mau e a infelicidade que oprime, por vezes, o homem de bem. Sabemos agora, graças às novas luzes que vos aprouve dar-nos, que a vossa justiça se cumpre sempre e não falta a ninguém; que a prosperidade material do mau é efêmera como a sua existência corporal, e que terá terríveis reveses, ao passo que a alegria reservada àquele sofre com resignação será eterna. (...)”.

O trecho, que é parcial dentro de uma análise mais longa de mais de uma página, enquadra-se na realidade do que estamos vivendo no planeta. A prosperidade desonesta desenfreada e gerada pela ambição desmedida, em prejuízo de outros que se esforçam no trabalho e na honestidade, com infelicidade, indignação e as vezes até revoltas com os abusos de toda ordem.
Por outro lado, a constatação dessas ilusões que passam com a mesma rapidez com que passa a vida. E, claro, com as consequências advindas dos abusos e arbitrariedades praticadas com ou sem consciência dos malefícios que espalham.
Não falamos apenas das crises políticas que perduram. Falamos de nós mesmos, seres humanos que se permitem abusos, ilusões, desejando a todo custo a felicidade ou a prosperidade, mesmo que a custo do prejuízo alheio ou da infelicidade de outras pessoais, ainda que não diretamente.
Mas, o raciocínio é claro. Que nos afastemos do pensamento de achar que a justiça maior não age, nem é indiferente. Existe um comando para a vida que estabeleceu leis que geram consequências toda vez que ultrapassamos o dever de amar e respeitar a integridade alheia, em todos os sentidos, repetimos, ainda que indiretamente.
A justiça sempre ser fará presente, senão pelos frágeis mecanismos humanos, mas perene nos tribunais da Divina Consciência.
Referida exortação é um convite para que não nos revoltemos com as injustiças, com os desmandos, com os abusos. Antes que tenhamos compaixão com os que ignoram a Lei de Amor que rege os destinos humanos. Nem duvidemos da justiça perene que comanda vida, anda que desrespeitada. As consequências dos abusos serão sempre amargas, exigindo reparações no tempo e no espaço.
Por isso muito mais sábio a resignação que aguarda, que tem compaixão e ainda ora em favor daqueles que se perdem nos equívocos.

O citado e brilhante trecho está no capítulo XXVIII na apreciação de Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, e contido no contexto que estuda a Prece Dominical, perfeitamente enquadrado no quesito Dai-nos o pão de cada dia. Como a indicar que o pão de cada dia também é essa postura de resignação e confiança na Paternidade Divina que tudo comanda, não abandona seus filhos e ainda permite os abusos para que aprendamos finalmente a respeitar e cumprir a Lei de Amor, mandamento máximo das leis divinas.
Dai-nos, pois, Pai, o pão da compreensão com as fraquezas, equívocos e abusos alheios a que todos estamos sujeitos, mas também o pão da fortaleza que alimenta para não cairmos nessas tolas e vazias ilusões do poder, da ganância, da vaidade, da ambição.
É o pão que alimenta em todos os sentidos, perde seu sentido figurado para ganhar em extensão de autêntico significado espiritual para o equilíbrio de nossas vidas.

Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com