30/03/2017

Zilda Arns, seareira do Cristo

Orson Peter Carrara

Diante dos descalabros morais que abalam o Brasil, lembrei-me dela. No lamentável terremoto que atingiu o Haiti em 2010, com vasta destruição e muitas mortes, levou também de retorno à pátria de origem a respeitável Zilda Arns. Com três indicações ao Premio Nobel da Paz, Zilda dedicou sua vida ao próximo. Irmã de D. Paulo Evaristo Arns e nascida em 1934, a notável mulher integra equipe dos seareiros do Cristo em atividade no planeta: uma vida dedicada à educação, ao amparo da infância, da gestante e da pessoa idosa. Morreu na causa que sempre acreditou, como afirmou D. Paulo.

Como conhecido, indicou o portal UOL na tarde daquela quarta-feira: “(...) Médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns era fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, órgão de Ação Social da CNBB. A Pastoral estima que cerca de 2 milhões de crianças e mais de 80 mil gestantes sejam acompanhadas todos os meses pela entidade em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania (...)”. É preciso falar mais?

Essa fecunda atividade no bem, normalmente em favor dos desfavorecidos de toda ordem, como a infância abandonada ou desnutrida, gestantes carentes e também pessoas idosas ou mesmo pessoas marginalizadas é grande marca dos seareiros do Cristo, que se inspiram no exemplo de Jesus, apesar das fraquezas e limitações humanas. Não perdem tempo com contendas, reclamações, justificativas, acusações ou dificuldades. Simplesmente trabalham. Trabalham porque reconhecem as dificuldades que aguardam a decisão humana, trabalham porque confiam no bem, trabalham porque sabem que o Mestre da Humanidade espera pela nossa decisão de amar.  Basta observar. Assim foram quando na passagem pelo planeta Irmã Dulce, Madre Tereza, Chico Xavier e outros valorosos vultos da história humana, ainda que muitos permaneçam anônimos, desconhecidos e mesmo na maioria das vezes incompreendidos e marginalizados. Cada um em seu estágio e atividades próprias, mas todos dignificando a condição humana.

Há um detalhe a não ser esquecido, porém: todos somos imortais. Por terremoto, doenças, acidentes, idade avançada ou outras casas, todos deveremos retornar à condição primeira de todos nós: seres imortais. Por isso, Zilda, como tantos outros, que continuam a trabalhar, ainda que invisíveis aos limitados olhos humanos, também continuará sua luta de fé e trabalho pelo bem, ainda que com o corpo físico destruído. O corpo não é alma; o corpo é mero instrumento temporário. O espírito vive e é imortal.

No caso da notável personalidade Zilda Arns, sete anos depois, não é a morte que interrompeu seu amor e dedicação à causa do bem, o amor ao semelhante em dificuldade ou sofrimento. Também a morte não afetou sua fé, sua confiança em Deus, sua determinação e perseverança nos ideais que abraçou. A morte apenas nos transfere para outra esfera, mas os laços de sintonia, afeto, esses continuam. Para nós, fica o exemplo de solidariedade, de humanidade. Exemplo dessa grande alma que também parte no trabalho, deixando a marca do bem em seus luminosos passos. Quanto ao terremoto, desafio para o nosso raciocínio de pensar por quê?

Como conciliar a bondade e grandeza do Criador com tanta violência e dor? É incompatível, não é mesmo? Há que haver uma causa anterior que determine tais acontecimentos e isso encontra explicação lógica na pluralidade das existências, princípio básico da Doutrina Espírita. O assunto é vasto e para ser entendido em toda sua amplitude precisa ser pesquisado, estudado. Por isso recomendamos, com ênfase, o estudo do tema em O Livro dos Espíritos, especialmente nas questões 737 a 741 e atreladas às questões 166 a 171 e 222, entre outras.