07/04/2017

Um processo que pode ser deplorável ou de intensa dignidade


Orson Peter Carrara – orsonpeter92@gmail.com

Valendo-se de uma dolorosa realidade no mundo em que vivemos – e que pode ser traduzido sob outro ponto de vista no difícil e complexo momento brasileiro –, o amigo Rogério Coelho escreveu reflexão convite, referindo-se a outra região do planeta – mas que podemos perfeitamente aplicar no país em que vivemos para alterar essa egoísta situação que prevalece –, utilizando-se de belo texto parcial do grande escritor Deolindo Amorim. Trata-se do processo persuasivo, da influência que muitas vezes nos permitimos levar e que pode ser deplorável. Mas seria preferível que fosse a doce influência que educa e corrige as imperfeições morais que ainda carregamos. Acompanhe comigo, leitor:

Oriente Médio... Um táxi para na barreira policial...  No banco de trás uma jovem mãe e seu bebê no colo.  Quando os soldados se aproximam, a jovem aciona a bomba matando a todos... Em outra ocasião, constatou-se que um débil mental foi instruído a fazer explodir uma bomba amarrada ao seu corpo...
Um psicólogo que atende crianças por essas regiões verificou, entre estarrecido e perplexo, que mais de 80% de seus pequenos clientes sonham transformar-se em mártires, ou seja: homens-bomba. São constantes as explosões de carros bombas, gerando tremenda carnificina...
Os que perpetram tais barbaridades têm sofrido lavagem cerebral desde a mais tenra idade, tapeados com falsas promessas de um paraíso de gozos e delícias.   Somando-se a isso a ignorância, o fanatismo que gera o fundamentalismo e falta de melhores perspectivas de vida, eis que está feito o coquetel explosivo.
Muito antes dessa moda de homens-bomba, Deolindo Amorim já escrevia sobre a metodologia da persuasão nefasta.  Sigamos seu raciocínio: “(...) existem pessoas que têm muita autoridade sobre outras por força de amizade ou admiração exa­gerada, senão às vezes também por atrativos pessoais. Pela convivência constante, o elemento que é sempre admirado ou exaltado como ídolo passa a exercer uma influência fora do comum, e, progressivamente, essa in­fluência transforma-se em poder sugestivo absorvente. Daí por diante, aquele que se deixou influenciar demais chega a um ponto em que não tem vontade, já não é mais dono de si, como se diz, pois fica dependendo do outro em quase tudo. E quantos, ainda mais, ficam sugestionados por um discurso empolgante ou comovente! Por outro lado, há muitos casos de sugestão coletiva.
(...) Aos poucos, aparentemente sem pressa, mas injetando ideias cuidadosamente preparadas, o interessado na doutrinação do paciente obtém o que quer se não encontra boa formação espiritual capaz de repelir as insinuações jei­tosas.  A vítima da persuasão fica como que sendo usada como se fosse um objeto. Rumorosos casos de fraudes, assim como crimes de natureza política, etc., foram cometidos por influência de uma urdidura persuasiva, às vezes camuflada e demorada, mas sempre pertinaz. Não nos faltariam exemplos ilustrativos na vida social ou nos conciliábulos do vício ou do crime... 
(...) A persuasão pode ser utilmente empregada como bom meio de auxílio físico ou espiritual, quando há dignidade e amor, mas pode – infelizmente – ser praticada para fins nocivos quando não há nenhum respeito pela pessoa humana”. 
Jesus utilizou-se do amor e persuadiu milhares de criaturas a segui-lO. Aí está a persuasão útil e sadiamente empregada. Quando Ele for verdadeiramente conhecido naquelas terras explosivas, nas quais viveu há dois mil anos, as coisas mudarão.  

Aí com o final da abordagem, podemos nos situar como convidados ao suave processo persuasivo do Mestre da Humanidade, para extinguir o ódio, a separação, as divergências que tantos prejuízos tem igualmente trazido à querida Pátria Brasileira, para também alterarmos a realidade difícil dos dias atuais, com o amor com que Ele nos convida viver.