08/12/2010

Um filme comovente

por Orson Peter Carrara


Assisti, em DVD, ao filme Madre Teresa, retratando a vida da nobre missionária de Calcutá. Lindo filme, comovente, pela firmeza, exemplos e absoluta entrega dessa valorosa criatura aos apelos do amor ao próximo, em total renúncia a si mesma e às ilusões do mundo. Como estamos distantes!

O amor é Lei da Vida. Nele nos movemos, ele nos sustenta, a ele nos destinamos. Criados pelo amor de um Pai que nos destina à felicidade – a ser construída pelo mérito dos próprios esforços – e sempre amparados pelo amor de irmãos mais experientes e que já galgaram degraus de sabedoria e iluminação interior, situamo-nos todos como aprendizes. Felizmente, porém, sempre guiados por seres luminosos que, tendo alcançado maturidade, se voltam para nos orientar a difícil e lenta caminhada.

Madre Tereza de Calcutá se dizia o lápis de Deus, afirmando que quem escrevia era o Senhor; Chico Xavier se dizia um cisco; Irmã Dulce afirmou que a miséria é falta de amor entre os homens. Na mesma linha de raciocínio, Jesus – a maior referência que temos em termos de amor, pureza e grandeza – também afirmou que não veio destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.

Todavia, o que se percebe, é que vultos da grandeza de Madre Tereza, Chico Xavier ou Irmão Dulce, seguem pelo mesmo caminho. São espíritos maduros, conscientes, experimentados e essencialmente exemplificadores da Lei de Amor, que outra não é senão a da caridade. A mesma caridade – que, diga-se está muito além da esmola e mais nos relacionamentos – que inspirou Vicente de Paulo, Francisco de Assis e outros expressivos ou anônimos nomes que viveram e vivem suas vidas no sentido de aliviar, beneficiar, amparar e atender às necessidades de seus irmãos de caminhada.

O desprendimento desses vultos, a obediência a que se submetem, a humildade – e ao mesmo tempo firmeza – e resignação que demonstram e vivem, falam mais que mil palavras do sentido e consciência íntimas já adquiridas no objetivo de vivenciarem o amor. Afinal, quando indagado sobre o maior mandamento da Lei, a resposta do Mestre da Humanidade foi clara: “Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e todo o vosso espírito; é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante àquele: amareis vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos”, conforme anotou Mateus.

Tais considerações nos levam de volta aos exemplos citados no início do presente artigo. Que motivações levaram Irmã Dulce e Madre Teresa a agirem como agiram? Que força é essa que as movimentavam em favor dos pobres e desvalidos, esquecidos, enfermos e abandonados? Da mesma forma, Chico Xavier – inspirador no Brasil das iniciativas em favor dos pobres – granjeou respeito nacional.

Esses exemplos, entre tantos outros que podem ser citados – inclusive os anônimos – seguem no mesmo sentido: atender as necessidades, buscar aquele que sofre para amenizar-lhes as dificuldades, estender o olhar compassivo da compaixão, oferecer a mão amiga, a palavra estimuladora e de carinho, e, essencialmente, amar, como recomenda a Lei Divina e ensinou o Mestre da Humanidade. Aliás, vale dizer, que Jesus é o Supremo Inspirador desses nobres vultos que dignificam nossa condição humana. Não é por acaso, portanto, que tantos se movimentam em favor dos desvalidos, enfermos e solitários. É a força do amor que os move... Exemplos não faltam em toda parte. Que o digam as iniciativas em todo Brasil e no planeta. E o Natal de Jesus inspira tudo isso.