Artista ignorado


 – Orson Peter Carrara

O texto não é meu. Está disponível no site www.momento.com.br e foi postado nesta data: 09 de outubro de 2019. Mas é de grande beleza e todos temos necessidade que esteja em nossa sensibilidade nesses tempos de tantas dificuldades. Vejam que inspiração textual. Transcrevo na íntegra:

É natural e garantido por lei o direito do autor sobre sua criação.
Por isso, os livros, os painéis, os discursos, toda obra de arte traz a assinatura do seu autor.
Quando se contemplam os quadros dos grandes mestres da pintura, buscamos, de imediato a assinatura, a fim de termos certeza da autoria.
Aqueles que nos debruçamos no estudo da Arte, passamos a identificar os traços característicos de cada um deles.
Assim também na Literatura. Depois de lermos várias obras do mesmo autor, podemos identificar o estilo.
Não é estranho que todos os dias contemplemos uma grandiosa obra de arte e não reconheçamos o Artista?
Extasiamo-nos com as cores vibrantes de um pôr do sol. Encantamo-nos com o brilho da lua que, por vezes, parece um imenso lago de prata.
Olhamos para as araucárias esbeltas, com seus braços copados erguidos para o alto, imponentes e ficamos a imaginar quanto mais haverão de crescer.
Numa vista aérea, descobrimos a mata cortada por veias e artérias de águas em recortes pitorescos. Uma pintura digna de um hábil Artista.
Detemo-nos no jardim e a rosa nos oferece a maciez do veludo, exalando perfume, enquanto a margarida apresenta seu branco imaculado.
As borboletas, trazendo nas asas as pinturas dos impressionistas, dos cubistas, dos românticos, dançam leves no ar.
O planeta todo em que moramos é uma obra impressionante. Cheio de altos e baixos, planícies e montanhas. Zonas de mata verde e desertos ardentes.
Cachoeiras cantantes e filetes que mal escorrem entre as rochas. Fontes de água fresca e lagos tão grandes que mais parecem um oceano.
Águas doces. Águas salgadas.
E frutas doces, ácidas, hiper-hídricas se apresentam em profusão como fontes inesgotáveis de água, carboidratos, gorduras, sais minerais, vitaminas e outros micronutrientes, distribuídos em um equilíbrio perfeito.
Não é surpreendente que o Autor de tudo isso se mantenha ignorado? Ao menos por aqueles que não temos olhos de ver, sensibilidade suficiente para O perceber.
Esse Artista Insuperável, que se esmera em produção diária constante, fornece ainda o ar para que respiremos e todas as demais condições para vivermos sobre esta Terra.
Alguns teimamos em negar que Ele exista, porque não encontramos a Sua assinatura em lugar algum.
Outros, os que já despertamos e aguçamos a sensibilidade, descobrimos a Sua assinatura em cada nervura de folha, em cada gota d’água, em cada grão de areia.
Tudo único, inigualável.
E esses temos a certeza plena de que Ele comanda todas as leis que regem o nosso globo e o Universo em que nos movemos.
Ele está atento aos movimentos de rotação e translação da Terra e observa, com Seu olhar, nossa constante viagem pelo Universo, acompanhando o sistema solar.
Uma viagem em velocidade vertiginosa mas que, por estarmos amparados por Essas hábeis mãos, nem percebemos o deslocamento.
Nem nos damos conta de que viajamos tanto...
Porque afinal, a casa desse Artista é tão imensa que por mais exploremos o espaço sideral, não esgotaremos a sua totalidade.
Importante seria que O descobríssemos e tributássemos reverência à sua fenomenal obra.

Poderosa alavanca


 – Orson Peter Carrara

O dinâmico processo de viver, aprender, progredir e especialmente aprimorar-se no intelecto e na moralidade, estabeleceu valiosas experiências nos relacionamentos com terceiros e, claro, consigo mesmo, na individualidade. Afinal, o amadurecimento psicológico-emocional é fator preponderante para o equilíbrio diante dos gigantescos desafios de viver em harmonia. Especialmente se pensarmos na velha questão do auto encontro, pois que muitos de nós nos esmeramos em diversas atividades para além da própria intimidade, auxiliando muita gente, distribuindo conhecimento, e nos esquecemos de auxiliar a nós mesmos.
A maior tarefa é da auto educação, do auto aprimoramento. Somos pródigos no aconselhamento para terceiros e nos debatemos em aflições quando as adversidades nos atingem diretamente, esquecendo-nos de que o que falamos deveríamos usar primeiro em favor próprio, equilibrando as próprias emoções.
Dentre os fatores do dinamismo da vida está a transformação trazida pelo fenômeno biológico da morte. É um fenômeno natural, integrante desse processo todo, uma vez que somos mortais apenas no corpo, pois que imortais como seres inteligentes. As conquistas e dificuldades continuam, pois. ela, a morte, não anula, nem simplifica as dificuldades, uma vez que levamos o equilíbrio ou a desarmonia interior, conosco. Uma vida moral e emocionalmente equilibrada desde já resultará num futuro também equilibrado, como espírito livre da matéria. Uma mente, por sua vez, emocional e moralmente desequilibrada, levará para a vida espiritual um indivíduo desequilibrado, requerendo as mesmas providências que nos são exigidas continuamente durante a vida corpórea.
Tais reflexões são resultantes da leitura do capítulo 15 – Os inimigos desencarnados, constante do livro Tramas do Destino, edição FEB, na psicografia de Divaldo Franco e de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Afirma o autor no citado capítulo:
“(…) Não sendo a morte outra coisa senão um instrumento da vida estuante em toda parte, a desencarnação não anula, nem simplifica as dificuldades. Cada um se desenovela dos liames físicos consoante a força vitalizadora de que se utilizava na sua sustentação. Transferem-se de uma para a outra posição da realidade espiritual os sentimentos cultivados, as aspirações irrealizadas, as fixações, os resíduos morais. (…) Cada um desencarna conforme se encontra reencarnado. Os conflitos não equacionados, como os ódios e os amores, prosseguem com maior volúpia. (…)”.
Por isso é importante o esforço desde já no equacionamento dos conflitos que ainda trazemos, nos distúrbios emocionais e psicológicos, arejando a mente com os recursos valiosos da alegria de viver, da confiança em Deus, da resignação ativa e do trabalho no bem. E isso pode começar com uma virtude sempre esquecida: a gratidão. Sim, a gratidão, que é valioso ponto de apoio ou alavanca incomparável para início dessa trajetória de progresso. Aprendermos a agradecer. Há muitas razões para isso, basta parar para pensar um pouco…
Por isso, a valiosa informação no mesmo capítulo: “(…) O conhecimento da vida espiritual representa valiosa aquisição para a responsabilidade e a ascensão do indivíduo (…)”.
A ascensão e a responsabilidade individuais são conquistas da alma, determinadas pela Sabedoria Divina, por meio da Lei do Progresso.
Viver é, pois, prosseguir aprendendo. Muitos, diante dos desafios, desejam fugir da vida e dos desafios. Alguns se entregam ao equívoco do suicídio ou à perda do encantamento pelas maravilhas da vida e suas riquezas. Não adianta. A lei da vida é dinâmica e nos determina o progresso contínuo. Por isso, acionemos a poderosa alavanca da vontade, levantemo-nos de nossas fraquezas e sigamos adiante. A morte não muda o que somos, e como diz o autor espiritual na obra em referência, não anula nem simplifica as dificuldades. Essas deverão ser superadas com o contínuo aprendizado decorrente dos enfrentamentos inevitáveis da evolução.
Com a clareza do pensamento espírita, nossa gratidão à fabulosa e incomparável obra da Codificação Espírita, de Allan Kardec. Uma justa homenagem ao 3 de outubro de 1804.

Continuidade natural


 – Orson Peter Carrara

Novamente trago ao leitor a indicação de um bom filme. É o filme O orfanato. Misturando drama e suspense, mas com uma mensagem embutida muito emocionante. A sinopse do filme indica: Laura (Belén Rueda) passou os anos mais felizes de sua vida em um orfanato, onde recebeu os cuidados de uma equipe e de outros companheiros órfãos, a quem considerava como se fossem seus irmãos e irmãs verdadeiros. Agora, 30 anos depois, ela retornou ao local com seu marido Carlos (Fernando Cayo) e seu filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. Ela deseja restaurar e reabrir o orfanato, que está abandonado há vários anos. O local logo desperta a imaginação de Simón, que passa a criar contos fantásticos. Entretanto à medida que os contos ficam mais estranhos Laura começa a desconfiar que há algo à espreita na casa.

Com uma hora e quarenta minutos, a produção exalta a imortalidade da alma e a permanência do amor entre os seres. Apesar dos exageros próprios, é interessante pensar na mensagem final do filme, que em alguns pontos assemelha-se a outra produção no mesmo gênero: Os Outros. 

E o bom mesmo é pensar no filme aplicando o raciocínio da imortalidade, dos relacionamentos, da determinação e da fé. É mesmo uma busca intensa o que faz a mãe em relação ao filho. Mas isso vou deixar ao leitor descobrir.  

O filme está inclusive disponível na Internet. Não deixe de ver. 

 O leitor vai se deparar com o sempre empolgante tema da vida depois da morte. A produção desperta a reflexão sobre as sempre presentes questões: para onde vamos, quem vai nos receber, onde estaremos, com quem? Como a boa lógica e o raciocínio indicam a continuidade natural da vida após o decesso do corpo, é bom ver um filme assim, pois faz pensar. Estimula, inclusive, a busca por leitura específica. 
 A cena mais emocionante do filme está, como de se esperar, no final, demonstrando a naturalidade do que realmente somos: criaturas imortais, o que permite que os afetos, os amores, nunca se percam, nem sejam destruídos os laços que ligam as criaturas humanas. E a naturalidade disso é demonstrada com muita competência. Claro que, na produção de um filme, como citei acima, os exageros estão inclusos, mas o que fica mesmo em destaque são os sentimentos que despertam. 

Veja o filme, leitor. Vai lhe fazer bem.


Postura altamente humanitária


 – Orson Peter Carrara

Toda cidade tem seu vulto histórico de destaque ou vários, a depender de sua história e origens no tempo. É comum que todos recordemos fatos da infância ou ainda que não tenhamos tido contato direto, até por questão cronológica, mas tenhamos conhecimento das ações e legado deixado por esses homens e mulheres que marcaram época, projetando suas ações no futuro.

Vim de uma cidade muito pequena, Mineiros do Tietê, no interior paulista, onde personalidades como Dr. Salvador Mercadante e Dr. Pedro de Oliveira Brandão, o primeiro médico e o segundo farmacêutico, marcaram nossas memórias. Assim como os alfaiates e músicos Augusto Zugliani e Pedro Carrara, entre tantos que poderiam ser citados, que igualmente fizeram história e deixaram registros em nossa própria história pessoal e de muitas pessoas e famílias.

Em Matão – também no interior paulista, como em qualquer outra cidade, o fato se repete. São homens e mulheres que se imortalizaram por suas ações e iniciativas sempre humanitárias e conscientes na direção do bem geral.

É o caso de Cairbar Schutel, em Matão. Farmacêutico e homem de bem, foi o primeiro prefeito da cidade. Natural do Rio de Janeiro, aqui fixou-se e transformou a vida do então pequeno vilarejo. Projetou-se além das fronteiras da cidade, do estado e do país, com sua ousada ação em favor do bem geral, por meio da cultura espírita, mas também na cidade onde recebeu o cognome de “O pai dos pobres de Matão” e o de “Apóstolo de Matão”.

Homem de fibra moral inquebrantável, protetor dos animais, das pessoas frágeis e carentes da alma e do corpo, dele recebiam o amparo para todas as dores. Aviava receitas médicas gratuitamente em sua farmácia, recolhida mendigos, servia refeições aos pobres, deslocava-se a cavalo pelas madrugadas para partos difíceis numa época sem quaisquer dos recursos que hoje dispomos. Católico fervoroso, trazia o padre da vizinha Araraquara para os ofícios católicos, envolveu-se com a fundação do Albergue Noturno, com a criação do Hospital e mesmo com a política sempre para beneficiar os pobres e necessitados, mas também em favor do bem coletivo, numa noção exata de cidadania.

Depois tornou-se espírita, abandonou a política, e dedicou sua vida aos livros, à cultura espírita, ao bem que já havia em seu coração, agora ampliado pelo novo conhecimento. Enfrentou preconceitos e lutas, mas a convicção foi mais forte e sua índole bondosa prevaleceu sobre tudo. Seu legado atravessou as décadas e inspira gerações, com grande repercussão nacional e internacional.

Neste fim de semana, ocorre na cidade o EAC – Encontro Anual Cairbar Schutel – em sua 9ª edição (o evento iniciou-se em 2011 consolidando-se ao longo dos anos). Atraindo centenas de participantes e quase uma centena de cidades de vários estados. O evento é sempre realizado em setembro, nas proximidades do dia de seu nascimento, dia 22 de setembro, em 1868. E agora, sábado e domingo, 21 e 22 de setembro, o evento retorna para alegria de seus organizadores e participantes, em gratidão à alta postura humanitária do grande benfeitor.

É que o exemplo fala mais que as palavras. Uma postura é mais que mil palavras... Obrigado Schutel. 


Duas consequências inevitáveis


 – Orson Peter Carrara

Devemos tudo à Vida abundante que desfrutamos. Deus, o Criador, dotou-nos de vida e possibilitou-nos intenso e contínuo aprendizado. Para que pudéssemos evoluir, aprender, e, portanto, adquirir méritos do esforço colocado a serviço da conquista da felicidade, cercou-nos de inúmeros recursos. Entre eles estão as maravilhas produzidas pela natureza. Desde o espetáculo do nascer do sol – que soa como amável e silencioso convite ao trabalho -, às frutas ou perfume das flores, à condição de seres sociais que se relacionam para o mútuo crescimento e mesmo a uma infinidade de tesouros que nem percebemos. Sempre estão a nossa volta e o espaço desta página seria insuficiente para relacionar.
      
Colocou-nos num planeta rico de possibilidades e perspectivas. Dotou o planeta de água, fauna e flora abundantes; deu-nos os animais, pássaros e outros seres como companheiros de viagem e ainda escalou experimentados irmãos mais velhos que visitam o planeta periodicamente para ensinar o caminho do acerto e da felicidade. Entre eles, o maior de todos, Jesus de Nazaré, mensageiro do Evangelho, porta-voz direto do Pai Criador e que vivenciou em si mesmo o que ensinou.
      
Diante das possibilidades abertas, a humanidade vai caminhando, errando, acertando, aprendendo. Descobrimos nossas próprias leis, estamos pesquisando o que ainda nos intriga e lutamos contra dificuldades e obstáculos que são próprios e naturais de nosso atual estágio evolutivo. Sim, porque somos criaturas em caminhada, imperfeitas, inacabadas. O tempo nos levará à perfeição relativa, quando estaremos promovidos à condição de cooperadores da grandiosa obra de Deus.
      
Essas reflexões todas convidam-nos a pensar com mais seriedade sobre a vida no planeta. Não estamos aqui a passeio. Também não estamos no planeta pela primeira nem última vez. Somos todos irmãos, devemo-nos solidariedade recíproca e cumprimos um justo programa de auto aperfeiçoamento, cuja finalidade é o progresso individual e coletivo. E neste coletivo incluímos toda a sociedade do planeta, em todos os sentidos e níveis que se queira analisar.
      
No geral, devemos entender que, como filhos de um Pai Bondoso e Justo, que ama profundamente suas criaturas, fica o dever do auto aprimoramento intelecto-moral, único instrumento real de equilíbrio e felicidade. E consideremos que tudo isto enquadra-se até num dever de gratidão a tudo que recebemos diariamente de Deus, o Pai de todos nós.
      
E pensemos que o auto aprimoramento intelecto-moral nos levará pelo menos a duas consequências inquestionáveis: dominaremos o egoísmo feroz que ainda nos domina (o que determinará o fim da onda de sofrimentos que abate o planeta) e partiremos, porque mais conscientes, aos deveres da solidariedade que, por consequência, trarão o equilíbrio que esperamos

Pátria incomparável


 Orson Peter Carrara

O notável Olavo Bilac (1865 – 1918) – jornalista, escritor e poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras e muito conhecido por sua atenção à literatura infantil e especialmente por sua participação cívica – é o autor da belíssima letra do Hino à Bandeira. 
A música é de Francisco Braga (1868 – 1945), que foi compositor, regente e professor.
Detenho-me, porém, na letra do hino.
Apresentado pela primeira vez em 1906, a letra do hino representa um apelo vivo ao civismo, sentimento um tanto esquecido e tão necessário a todos nós. Parece-nos que só nos lembramos dos hinos, entre eles o incomparável Hino Nacional, em jogos de futebol.
Estive palestrando na AFA – Academia da Força Aérea, em Pirassununga-SP, e, ao deparar-me com o desfile dos cadetes, ouvindo os hinos cívicos do país, detive-me na letra de autoria de Bilac. Peço ao leitor pensar comigo em alguns trechos:
Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Já parou o leitor para pensar na importância e alcance dessas afirmações? Pendão da esperança, símbolo da paz, lembrança da grandeza da Pátria. Como podemos esquecer a querida Pátria que nos acolhe? O conjunto harmonioso de cores e figuras geográficas reunidas na bandeira inspira-nos realmente esperança, lembra a grandeza da Pátria…
Mais adiante encontramos essa pérola de consciência cívica:
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!

Diante do momento difícil que o país atravessa, como está nosso dever perante a Pátria ou só ficamos no canto do Hino Nacional em jogos de futebol?
Essa compreensão do dever pátrio para fazermos um país feliz e poderoso (claro que não restrito a riquezas materiais), convoca-nos a uma consciência cívica mais intensa do que aquela que estamos vivendo.
Convido o leitor a pensarmos juntos nessa responsabilidade individual e coletiva perante os abusos todos que temos presenciado com a corrupção e desmandos de toda ordem, que resultam em violências e tudo mais que estamos vendo, indicando falta de amor ao país, com total ausência de patriotismo e civismo. Não sejamos desses que desrespeitam a nacionalidade.
Assistindo o desfile militar, pensando nas grandezas do país, fui às lágrimas ao pensar no sentimento de gratidão que deve brotar em todos nós diante da riqueza do país onde estamos, infelizmente ainda não no caminho que lhe cabe. Ouvir o Hino Nacional, que comove a todos durante jogos de futebol, deve estar em nossos corações como autêntica prece diária de gratidão e estímulo ao trabalho em favor da Pátria. Notem os leitores que as letras de nossos hinos revelam verdadeiros programas de ação que podem nos inspirar e conduzir diante de tão complexos desafios da atualidade.


Vontade sempre acatada



Há vários provérbios (frase ou ditado curto de origem popular, que resume um conceito moral, uma norma social) que indicam que a vontade é potencial mecanismo para aquisição de nossos desejos. É pela vontade que movimentamos forças, superamos obstáculos, vencemos desafios. Sem ela nada podemos. Ela é força da alma, capaz de nos tirar do desânimo, de empreender projetos e movimentar ações que resultem no alcance da meta ou objetivo traçado.

Um detalhe, porém, a diferencia em focos distintos. A vontade, por si só, é neutra do ponto de vista moral – cuja decisão é de alçada da alma, conforme suas bagagens –, pois nem sempre é ética, correta ou honesta. Existem vontades perversas, desonestas, manipuladoras, cruéis. Vontades que criam sofrimentos nos outros, prejudicam terceiros ou que causam muitos transtornos. E, claro, vontades lícitas, honestas, empreendedoras, generosas, como acima afirmado.

Quanto mais conscientes nos tornamos, portanto, mais responsáveis na direção dessa potência interior. Por isso, embora a liberdade como atributo individual, ao mesmo tempo a responsabilidade pelos atos, decisões, reações e direcionamentos da vida moral.

Afinal, como afirma Emmanuel no capítulo 130 – Na luz da Verdade, do livro Palavras de Vida Eterna, “(...) A vontade do Espírito é acatada pela Providência, em todas as manifestações, incluindo aquelas em que o homem se extravia na criminalidade, esposando obscuros compromissos. (...)”. Observe-se a profundidade da afirmação:
  • a)      Vontade é acatada em todas as manifestações;
  • b)      Esse acatamento inclui os extravios para a criminalidade;
  • c)      Vincula-se a obscuros compromissos.

Em síntese de outras palavras: somos livres, podemos optar por esse ou aquele caminho e agir conforme nos determina a vontade (nem sempre ponderada, correta, sábia e bondosa ou disciplinada), mas estaremos sempre vinculados a compromissos gerados pelos caminhos escolhidos, inclusive os da criminalidade, gerando aflições e necessidade de reparações em futuro breve ou remoto.

Por isso, prudência nas escolhas e caminhos de ação, parece-nos a melhor medida. Pelo menos em respeito às sábias Leis que regem a vida.  Diante dos quadros atuais do mundo, a compreensão sobre a gravidade do assunto, requer muita atenção...

Não nos iludamos, somos integrantes desse processo de viver e todos conectados uns com os outros, gerando compromissos que inevitavelmente sempre refletirão para nossa aflição ou para a felicidade que todos desejamos.