Introdução indispensável


– Orson Peter Carrara

Hábito muito condenável em qualquer leitor é desprezar a introdução ou prefácio de um livro, indo direto aos capítulos. A apresentação de uma obra é indispensável para o bom entendimento do conteúdo da própria obra, face aos esclarecimentos prévios que abrem caminho para o contexto ideal a benefício do leitor. O mesmo ocorre com o índice, onde atenta observação igualmente muito favorece o conhecimento de qualquer publicação.

Em se tratando de Doutrina Espírita, esse critério é fundamental, indispensável, insubstituível, justamente para se evitar as distorções tão comuns que se praticam em nome do Espiritismo, de índole séria, responsável, embasada em rigores científicos e filosóficos e ainda com o aroma da moral cristã.

Não se pode conhecer Doutrina Espírita sem estudá-la, sem aprofundar seus conceitos – exatamente para o perfeito entendimento de seu inestimável conteúdo –, sem conjecturar-se com suas inesgotáveis fontes de conhecimento. E muitos aventuram-se em sua prática sem o devido conhecimento, baseando-se em comportamentos duvidosos ou frágeis de supostos espíritas ou supostos médiuns, e pior, de pretensos despreparados dirigentes, que se adornam com uma titularidade de conhecimento que não possuem, prestando grande desserviço à genuína prática espírita. 

Sem adentrarmos a questão moral – tão bem expressa em O Evangelho Segundo o Espiritismo –, fixemo-nos parcialmente na questão filosófica e científica do Espiritismo, em duas de suas colunas fundamentais: O Livros dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

As duas introduções, nas referidas obras, constituem tesouro inestimável de conhecimento e orientação, com coordenadas vitais para o bom entendimento e a correta prática espírita. Mas o que se observa ou se percebe é quase um total desconhecimento das duas obras e, claro, das citadas introduções, onde em preciosos parágrafos, o Codificador indica a importância de se conhecer a origem, a causa, os desdobramentos, as consequências e os desdobramentos variados do conhecimento originário das Leis Divinas (não inventados ou imaginados pelo autor das citadas obras) que regem a vida humana e suas infinitas particularidades, na grandeza do próprio universo ao diminuto grão de areia no deserto, nesses gigantescos extremos onde se encontra a racionalidade da capacidade de pensar, refletir, sentir, já alcançada pelo ser pensante que habita corpos transitórios.

Quero sugerir ao leitor ler ou reler as duas introduções para perceber as pérolas ali colocadas com tanto cuidado e critérios humanitários, sociais, científicos e igualmente morais, nos fenômenos produzidos pelos chamados espíritos e sua intensa interação com os seres ainda habitantes de corpos perecíveis.

Do valioso conteúdo, permito-me transcrever breves faíscas ao leitor:
     
  a)      “(...) Sede, além do mais, laboriosos e perseverantes nos vossos estudos, sem o que os Espíritos superiores vos abandonarão, como faz um professor com os discípulos negligentes. “ – item IX da Introdução de O Livro dos Espíritos; 
      b)      “(...) Esperamos que dará outro resultado, o de guiar os homens que desejam esclarecer-se, mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim (...)” – Item XVII da Introdução de O Livro dos Espíritos. 
        c)      “(...) A prática do Espiritismo está cercada de muitas dificuldades, e não está sempre isenta de inconvenientes que só um estudo sério e completo pode prevenir. (...)” – Introdução de O Livro dos Médiuns 
   d)      “(...) experiências feitas levianamente e sem conhecimento de causa, (...) têm o inconveniente de darem, do mundo dos Espíritos, uma ideia muito falsa e se prestarem à zombaria (...). A ignorância e a leviandade de certos médiuns causaram mais dano do que se crê à opinião de muitas pessoas (...)” – Introdução de O Livro dos Médiuns.

Esperamos que tais advertências nos levem de volta à leitura atenta das duas Introduções, para não nos incluirmos no rol crescente de praticantes desprevenidos, descompromissados e alheios desrespeitosos aos nobres objetivos do Espiritismo, em seu conteúdo racional e sempre convidativo ao bem geral, sem qualquer tipo de exploração da credulidade ou uso indevido de seus conteúdos, sempre voltado à incomparável moral cristã.

E, para concluir, sem dúvida, a iniciantes e já conhecedores, que tal buscar a fenomenal obra O Que é o Espiritismo, com todo seu conteúdo extraordinário, igualmente esquecida e indicada como leitura preliminar? Com tais referências fundamentais não nos perderemos.



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