Incoerências doutrinárias
Deturpações
internas na prática espírita – Orson Peter Carrara
O movimento espírita sente os efeitos do desconhecimento dos
princípios da Doutrina Espírita, de seus próprios adeptos, por falta de estudo
das Obras Básicas do Codificador Allan Kardec. A Doutrina Espírita nada sofre
porque ela é íntegra; o movimento, porém, composto por nós, adeptos imperfeitos
e falíveis, sofre os prejuízos de nossa imaturidade nas interpretações
equivocadas, nas ações incoerentes que julgamos como doutrinárias, nas
inserções e deturpações sempre fruto de nossa ignorância doutrinária (de não conhecer
mesmo).
O comportamento dos adeptos, quando incoerentes, gera
prejuízos ao movimento espírita, com visualizações que não correspondem à
seriedade e grandeza do Espiritismo. Muitas situações podem ser citadas ou
incluídas nessas deturpações internas do movimento, diga-se, composto por
criaturas humanas, falíveis, como o somos.
O Espiritismo, como doutrina, nada sofre. Não é afetada
pelos adeptos incoerentes, sua integridade é inatacável. Mas ações incoerentes
atrasam a correta assimilação do que seja o Espiritismo e sua finalidade, com
benefícios gerais que se retardam e são adiados até serem assimilados com
correção.
O próprio Kardec alerta na Revista Espírita (novembro
de 1864), no magnífico artigo (transcrição de alocução dirigia aos espíritas de
Bruxelas em Antuérpia, em 1864) O Espiritismo é uma Ciência Positiva, quando
afirma (olha a gravidade):
“(...) É um fato comprovado que o Espiritismo é mais
entravado pelos que o compreendem mal do que pelos que absolutamente não o
compreendem, e mesmo por seus inimigos declarados. E é de notar que aqueles que
o compreendem mal geralmente têm a pretensão de compreendê-lo melhor que os
outros, e não é raro ver noviços pretenderem, ao cabo de alguns meses, dar
lições àqueles que adquiriram experiência em estudos sérios. Tal pretensão, que
revela o orgulho, é uma prova evidente da ignorância dos verdadeiros princípios
da doutrina. (...)
Note-se que as expressões: inimigos declarados e os
que não o compreendem em nada afeta a prática espírita; ao contrário do que
parece, estimula o estudo e a própria vivência espírita.
Mas os que o compreendem mal já oferece outro ângulo
de análise, aí sim com grande prejuízo na assimilação dos que lhes observam a
prática. Isso porque a não compreensão exata acaba criando uma prática à
própria moda, adaptada ao modo de entender e que não corresponde ao correto
critério doutrinário, levando a interpretações e distorções de todo tipo, o que
prejudica a correta compreensão doutrinária.
Por isso muitas vezes o Espiritismo, em sua prática geral,
fica entravado, na expressão usada por Kardec, com invencionices e deturpações
de todo gênero, fruto, como frisou o Codificador, da pretensão de alguns em se
dizerem ou se colocarem como Mestres ou sábios do Espiritismo, ou
descendo nas expressões, como infalíveis consultores em lideranças
movidas mais pelo orgulho que pelo conhecimento. No que confirma Allan Kardec: ,
“é uma prova evidente da ignorância dos verdadeiros princípios da doutrina”,
como acima citado, com a respectiva fonte.
Lamentável, mas nada a criar desalento, porque afinal este
mundo abriga espíritos enfermos de todo
gênero, movidos que ainda somos por mazelas inúmeras, inclusive das pretensões
que se denunciam nas atitudes daquilo que ainda somos ou que ainda guardamos em
nós.
Ocorrência normal, diga-se, considerando nosso estágio moral
de desenvolvimento.
Estímulo ainda maior
para que estejamos atentos aos critérios doutrinários, não nos deixando
arrastar por modismos, por vaidades ou pretensões descabidas, que não
correspondem aos objetivos de uma doutrina racional e cuja finalidade é nos
fazer melhores.
A propósito, o texto integral, de onde extraímos o pequeno
trecho, é uma preciosidade doutrinária que merece ser lido, refletido,
espalhado, divulgado, estudado.
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