Única condição

Única condição – Orson Peter Carrara

 

No capítulo 15 – Fora da Caridade não há salvação, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec traz, entre as duas transcrições do Novo Testamento, com a conhecida Parábola do Bom Samaritano. Referida narrativa é repleta de ensinos, motivando inúmeras pesquisas e abordagens, dada sua profundidade e simplicidade do relato. Todos já tivemos inúmeras ocasiões de ouvir diferentes ângulos de apreciação do belíssimo texto.

E, quando inicia sua própria apreciação de ambos os textos transcritos, o Codificador brilha com sua clareza e lucidez, afirmando já no item 3: “Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, quer dizer, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho.”.

E acrescenta, continuando: “Em todos os seus ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna”, trazendo na sequencia algumas das bem aventuranças e também didaticamente os apelos ao bem, que sugiro conferir. É muito motivador.

E há uma afirmação, ainda no item 3, que chama atenção, referindo-se à alegoria que Jesus normalmente utilizava em seus ensinos, de que “(...) há uma ideia dominante: a felicidade que espera o justo (...)”. Que afirmação extraordinária, óbvia por si só, mas abrangente demais no quesito de justiça plena, pois que como pondera Kardec, “(...) Jesus não fez, pois da caridade, somente uma das condições de salvação, mas a única condição (...)”.

A própria palavra salvação é no sentido de preservar, de evitar, de prevenir dos grandes precipícios morais e suas tragédias mais ou menos graves, quando nos distraímos na prevalência do orgulho e do egoísmo, que só geram infelicidade. Ela não está ligada a dogmas religiosos, rituais ou credos específicos, mas sim à prática do bem e ao cumprimento da lei divina do amor ao próximo, tanto que a frase título do capítulo – atribuída a Kardec, que a entendia como uma expressão do amor universal e da importância da prática da caridade para a evolução espiritual – é o lema essencial da obra que contém o citado capítulo.

Recomendamos com muita ênfase os demais subtítulos do capítulo.

No último deles, o de número 10, dentro do Instruções dos Espíritos, da mensagem assinada por Paulo de Taro, selecionamos três afirmações para amplas reflexões:

a)     Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade; (...) ela vos evitará de fazer o mal, mas vos levará a fazer o bem;

b)     Não basta uma virtude negativa, é preciso uma virtude ativa;

c)      Todos aqueles que praticam a caridade são os discípulos de Jesus.

Apesar das poucas páginas, o capítulo é muito precioso.

Concluo com o pensamento radiante, lógico e profundamente coerente e justo que está no final do item 9:

“Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la.”  

A única condição, pois, de verdadeira felicidade, é a prática do bem, expressão da caridade.


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