Agem de maneira imperceptível
Freios à
ambição e outros exercícios – Orson Peter Carrara
Atendendo às rogativas, agem de maneira imperceptível para
orientar-nos. Acompanhe comigo:
1 – Das enfermidades decorrentes dos excessos;
2 – Com freios à ambição, não tememos a ruína;
3 – Sem os passos maior que a perna, não receamos a
queda;
4 – Com humildade não temos as decepções do orgulho;
5 – Com caridade, não somos maldizentes nem invejosos e
evitamos disputas e dissenções;
6 – Sem praticar lesões ou trazer prejuízos para os
outros, não sofreríamos as vinganças;
Em síntese a esses itens, que se poderiam somar outros, se
os observássemos atentamente, seríamos inteiramente felizes. De forma geral,
somos nós mesmos os autores de nossas aflições, às quais nos pouparíamos se
agíssemos com sabedoria e prudência, já que em duas partes se dividem os males
da vida: uma constituída do que não podemos evitar e outra das tribulações em
que nós mesmos somos a causa, pelos excessos, negligência ou distração.
Tais considerações
estão, em outras palavras (aqui adaptamos), no item 12 do capitulo XXVII – Pedi
e Obtereis, no subtítulo (que engloba os itens 9 a 15) Ação da Prece –
Transmissão do Pensamento.
Como o próprio Codificador afirma: “(...) ora, aqui,
facilmente se concebe a ação da prece, visto ter por efeito atrair a salutar
inspiração dos Espíritos bons, granjear deles força para resistir aos maus
pensamentos, cuja realização nos pode ser funesta. (...)”. E aí vem a pérola
constante do item e descoberta nas entrelinhas, que destaco ao leitor (veja que
preciosidade):
“(...) Nesse caso, o que eles fazem não é afastar de nós
o mal, porém, sim, desviar-nos do mau pensamento que nos pode causar
dano; eles em nada obstam ao cumprimento dos decretos de Deus, nem
suspendem o curso das Leis da Natureza; apenas evitam que as infrinjamos,
dirigindo o nosso livre-arbítrio. Agem, contudo, à nossa revelia, de maneira
imperceptível, para não nos subjugar a vontade. (...)”
Os grifos são meus, mas notem o detalhe: de maneira
imperceptível, para não nos subjugar a vontade, ao contrário dos maus
influenciadores espirituais, que tentam subjugar.
A pérola acima, todavia, se enriquece ainda mais com Kardec,
quase concluindo:
“(...) O homem se acha então na posição de um que solicita
bons conselhos e os põe em prática, mas conservando a liberdade de segui-los ou
não. Quer Deus que seja assim, para que aquele tenha a responsabilidade dos
seus atos e o mérito da escolha entre o bem e o mal.(...)”
Eis o detalhe fundamental, que traz o aprendizado: o
poder da escolha, que envolve responsabilidade, gera méritos ou
desdobramentos infelizes.
Sempre receberemos respostas às nossas súplicas mentais, às
nossas preces, se o fizermos com fervor, sinceridade e desprovidos de
sentimentos contrários à caridade. Como se sabe, há uma relação contínua e
intensa entre os dois planos da vida e bem destacado no capítulo em referência.
É onde se aplica a expressão: Pedi e obtereis.
Assim como Jesus a destacou, todos os Espíritos recomendam a
prece, por isso o item aqui em destaque conclui-se com essa preciosidade:
“(...) Renunciar alguém à prece é negar a bondade de Deus; é recusar, para si,
a sua assistência e, para com os outros, abrir mão do bem que lhes pode fazer.”
Magnífico, não? Vamos descobrindo nos mergulhos que vamos
fazendo nos parágrafos.
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