Recompensa às grandes dedicações, às existências de sacrifício e renúncia
Mal
lhe suportam o brilho – Orson Peter Carrara
Peguei o livro, parado na estante há décadas e com anotações
que somam mais de 30 anos, abri aleatoriamente e deparo-me com destaque feito
com caneta azul. O texto é lindo, levou-me às lágrimas. Não é por acaso que
está selecionado, entre outros ali assinalados na maioria das páginas.
Divido com os amigos esse “achado”: “(...) Deus, em sua pura
essência, dizem os Espíritos, é qual oceano de chamas. Deus não tem forma, mas
pode revestir uma para aparecer às almas elevadas. É a recompensa concedida às
grandes dedicações, às existências de sacrifício e de renúncia. Há nisso uma espécie
de materialização, bem diferente de tudo o que podemos imaginar. Mesmo sob esse
aspecto sensível, a majestade de Deus é de tal ordem, que os Espíritos mais
puros mal lhe podem suportar o brilho. Têm eles o privilégio de contemplar, sem
véu, a Divindade, e declaram que a linguagem humana é paupérrima para permitir
uma descrição, pálida que seja, do divino Foco. (...)”.
Um parágrafo simples, curto, repleto de reflexões. Peço ao
leitor ler novamente. Aprofunde-se no parágrafo, pois há muito a ser tirado
dele.
Notem:
a)
É a recompensa concedida às grandes
dedicações, às existências de sacrifício e de renúncia;
b)
Os Espíritos mais puros mal lhe podem
suportar o brilho;
c)
A linguagem humana é paupérrima para
permitir uma descrição...
Fazia tempo que não folheava a obra, estava esquecida.
Quantos tesouros lá estão. É o livro Cristianismo e Espiritismo, do
grande Léon Denis, contemporâneo de Kardec, um dos autores clássicos da
literatura espírita. A edição em português, no Brasil, pela FEB, é de 1919. O
trecho que motivou essa breve apreciação está no capítulo X – A Nova
Revelação. A Doutrina dos Espíritos.
O tema em questão está brilhantemente desenvolvido por
Kardec em O Livro dos Espíritos, nas questões 1 a 16. A grandeza e
bondade do Criador é sempre motivo de nossas especulações intelectuais e
motivação variada nas diferentes crenças. Abstenho-me, todavia, de mais
comentários. O trecho transcrito, por si só, já é grandioso, permitindo e
estimulando mais prospecções de estudo e reflexão.
Da obra em si, traremos outras joias dos parágrafos e
entrelinhas.
De qualquer forma fica, porém, o convite ao estudo da
magnífica produção e Léon Denis.
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