Rica experiência de um médico
O médico DR. WALMIR D´ANTONIO (otorrino em Matão-SP) escreveu, em 2020, um texto (agora tornado público) sobre a experiência com o isolamento provocando pela pandemia. Embora já a tenhamos superado - de certa forma no aspecto da saúde - a experiência deixou lições profundas que podem novamente serem relidas e refletidas, como indica o conteúdo do texto abaixo, de grande profundidade e sensibilidade sobre a convivência humana. Não deixe de ler na íntegra.
No final colocamos o link de um recorte da palestra proferida em Matão (informações completas estão na descrião do próprio video), com a História de Seu José (nome fictício do personagem para um caso real da experiência do médico).
Leia o texto, veja a história e compartilhe para quem você considerar seja útil.
Segue o texto de 2020:
(anunciado na palestra e divulgado posteriormente)
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SARSCOV-2*:
APRENDENDO INCLUSÃO E RESPEITO
À DIVERSIDADE COM UM VÍRUS
Desde março de 2020 o Brasil está
em uma batalha. Fato.
E não me refiro à uma suposta
batalha “de todos contra o COVID-19”, até porque não cabe a mim entender ou
julgar se estivemos “todos em uma batalha” em algum momento.
Não me refiro à batalha sobre
isolamento horizontal ou vertical; uso ou não de cloroquina ou
hidroxicloroquina ou Azitromicina ou Reverctina. Não me refiro à batalha acerca
dos dilemas “abre o comércio / fecha o comércio”, “usa máscara / não usa
máscara”, muito embora reconheça que cada um de todos esses aspectos valerão per si uma análise desapaixonada e a
mais imparcial possível... No futuro. Ainda não estamos em condições de nos
“desapaixonarmos” o suficiente para assumirmos os nossos erros de análises e
posicionamentos, o que, naturalmente quando expostos à algo novo e
desconhecido, ocorreu a todos, indistintamente. Fato, também.
Me refiro à Batalha interna
travada no íntimo de cada um no ano de 2020 quanto à dificuldade em manter a
“novidade do tal do “Distanciamento Social”. Será que sou só eu que não aguento
mais não estar perto de meus familiares que não moram comigo? Não vejo meus
irmãos, cunhados e sobrinhos há mais de 6 meses!
E os meus amigos próximos,
verdadeiras extensões da minha família, escolhidos à dedo por mim? Saudades
imensas de cada Happy Hour, cada encontro, cada riso, cada abraço! Chego a
sentir angústia e dor ao ver fotos dos encontros e passeios que parecem ter acontecido
em outra vida (2018 ou 2019, por exemplo) e ficaram guardados em outro
mundo....
Ainda bem que os encontros
virtuais estão aí, nos aproximando e substituindo as festas e encontros.
Bendita tecnologia!! Mas sou só eu que acho que esses encontros aumentam a
angústia, pois nem de perto substituem as oportunidades perdidas de estarmos juntos?
Será que só eu não sinto a energia de um abraço ou o aconchego de um beijo
quando os recebo na forma de emoji?
Como diz um desses grandes
amigos: “Se temos limões, façamos uma limonada!”. Então, que tal espremermos os
limões e aproveitarmos preciosos ensinamentos que a COVID-19 nos aponta e que
podem modificar nossa forma de ver o mundo, enxergar nossos irmãos e otimizar
nossas condutas para conosco e para com nosso próximo?
Assim, os convido-os para juntos,
olharmos 1 ou 2 importantes aspectos envolvidos nessas reflexões:
O Distanciamento Social nos fez
lembrar que somos, antes de tudo, “Animais Sociais”. Mesmo a nossa evolução
enquanto espécie ocorreu com a premissa de que vivêssemos em grupo. Não sabemos
e não suportamos viver sós. Por mais que reclamemos da família, dos amigos ou
colegas de trabalho, bastaram 6 meses afastados deles para que saudades e juras
de amor fossem feitas em todas as comunidades.
Então lhes pergunto: E aqueles
que nós, enquanto sociedade, optamos por deixar de lado e reclamamos por todo e
cada esforço em integrá-los à sociedade? Como médico otorrinolaringologista,
vivo com o exemplo do indivíduo com dificuldade auditiva. O mais comum deles:
aquele idoso que tanto trabalhou e se dedicou no prover e criar sua família e
que, aos 80 anos de idade, se vê alijado da plena capacidade de conviver com os
seus por ter perdido parte de sua capacidade auditiva. Sabe de quem estou
falando? Fácil: é aquele que, nas reuniões sociais ou familiares, não raramente
está a um canto, sozinho. Ninguém conversa com ele e ele, por falta de opção,
se retrai.
Mas esse não é o único: há o cego
que não encontra um cardápio adequado para ele no restaurante; há o cadeirante
que não consegue acessar um local público porque alguém, com economia que
entende justificável, não dispôs uma rampa adequada ou uma porta mais larga na
entrada do edifício; há o indivíduo com algum grau de déficit intelectual ou
cognitivo, que não encontra auxílio em sua escola quando criança para que possa
aprender e interagir com seus colegas; há o indivíduo com altas habilidades,
que raramente é identificado como “portador de alguma necessidade especial” já
que cumpre, e com aparentemente facilidade, os requisitos básicos postos pela
sociedade, notadamente nos estudos. Poucos veem que à ele é negado o direito de
sentir-se adequadamente estimulado ou mesmo desafiado em seus afazeres.
Não estariam eles e tantos
outros, na verdade, em “Distanciamento Social” constante há anos? São nossos
irmãos! E nós reclamando de 6 meses de distanciamento social parcial??!!
Como nos portamos quando
discutimos as políticas públicas de Inclusão Social? Quantos de nós, no fundo,
não julga ser essa uma política assistencialista (falando no aspecto negativo
do termo) e reclama que “é paga com nossos impostos”?
Esse mísero vírus de menos de 5
micrometros de diâmetro nos obrigou a experimentar, por um curto tempo, o que
alguns vem experimentando por toda uma vida!
Mas nós temos esperança na
reabertura e que, assim que esta ocorrer, voltaremos, correndo e rapidinho, ao
pleno convívio social de outrora.
Eles não têm tanta esperança
assim. Alguns, na verdade, nunca chegaram a experimentar esse tal de “Convívio
Social” e pior: Nós tolhemos suas esperanças cotidianamente!
Que a Pandemia nos permita
refletir e escolher encarar de outra forma as políticas de Inclusão Social no
futuro. Um grande amigo certa vez disse: “Ninguém
é tão bom quanto todos nós juntos”.
Exato! Enquanto apenas um
de nós estiver órfão da possibilidade do convívio social pleno por ter
alguma necessidade especial e enquanto apenas um de nós julgar
que as políticas de inclusão de TODOS esses irmãos são gastos
públicos assistencialistas vis, não existirá um “todos nós juntos”.
Um outro aspecto e, creio, esse
será mais rápido.
Tivemos a oportunidade de nos
relacionar por intermédio das mídias sociais. Os aniversários e happy-hour continuaram existindo via
Skipe, Zoom ou outras modalidades, mas nada substitui o abraço, o toque e a
proximidade física de quem queremos bem.
Ora,
tudo o que espero é que, quando tivermos a oportunidade de estar novamente
próximos, que aproveitemo-la melhor. Que ao reencontrar nossos amigos e
familiares, estejamos mais preocupados em curtir sua presença física do que em
checar nossos celulares e mídias sociais.
Menos
fotos e selfies. E mais abraços.
Menos
postagens. Mais carinho com quem está ao nosso lado e de quem sentimos tanta
falta nesse momento.
Um mísero vírus pôde nos ensinar
tudo isso. Não foi Nietsche ou Platão. Foi um vírus.
Infelizmente,
observamos que muitas vezes, e infelizmente, “quem assina uma mensagem acaba por emprestar mais credibilidade que a
mensagem em si”.
Assim, receio que essa acabe
possa passar em branco.
Afinal,
acredito que poucos escolherão assimilar uma mensagem assinada...
*SARSCoV -2
Walmir
Eduardo Paixão de Assis D’Antonio
Setembro de 2020
(em reunião virtual entre amigos, em decorrência do “período de
lockdown”)
NOTA:
Como esse texto exprime tão somente a
opinião pessoal do autor, acaba por não conter Referências Bibliográficas.
Assim, deve ser lido como se propõe: mera opinião do autor.
Dr.
Walmir esteve no CENTRO ESPIRITA NOSSO LAR, em Matão-SP, no domingo 05 de
julho, em palestra pública.
Na
ocasião contou comovente história, a História do Sr. José, em narrativa emocionante
e de muita reflexão, que você pode ouvir no link abaixo:
Não estranhe. Há uma pequena falha de alguns segundos no início da música incluida no video.
só
clicar para ver.
Se
você desejar ver a palestra na íntegra, o link está disponível na descrição do
próprio vídeo acima, exclusivamente pelo facebook.
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