Julgamentos precipitados
Tribunais ambulantes – Orson Peter Carrara
É o que somos com nossos julgamentos precipitados, levianos
muitas vezes. As aparências e sem conhecimento completo dos fatos e
circunstâncias levam-nos a essas atitudes indesejáveis, comprometendo-nos
moralmente. Não conhecemos as razões profundas, as causas reais, os fatores
envolvidos, as dores das raízes, e nos deixamos levar por antecipações no
julgar, como se tribunais fôssemos, daí o adjetivo ambulantes, no caso. Andamos
e vivemos julgando, e pior: não desejamos ser julgados...
O “não julgueis” (Mateus, cap. VII, v. 1, 2), também
constante o capítulo 10 – Bem aventurados aqueles que são misericordiosos,
em O Evangelho Segundo o Espiritismo, após transcrições de Mateus e
João, apresenta em apenas três parágrafos a lúcida apreciação do Codificador.
Comenta Kardec no exclusivo item 13 do citado capítulo:
a)
“(...) Esta máxima nos faz da indulgência um
dever, porque não há ninguém que dela não tenha necessidade (...)”,
referindo-se ao “(...) atire a primeira pedra.”, na conhecida passagem de
Jesus. E acrescenta com sabedoria: “(...) Antes de censurar uma falta de
alguém, vejamos se a mesma reprovação não pode recair sobre nós”.
b)
“Reprimir o mal ou desacreditar a pessoa cujos
atos se criticam.”. São os dois motivos da censura lançada a alguém. O primeiro
deles pode até ser um dever, mas o segundo cai na maledicência e na maldade,
normalmente calculada.
c)
Referindo-se a Jesus que, claro, não podia
proibir de censurar o mal, “(...) quis dizer que a autoridade da censura está
em razão da autoridade moral daquele que a pronuncia (...)”.
O referido item 13 é muito precioso, mas fica ainda mais
enriquecido com os itens 16 a 21 das Instruções dos Espíritos, especialmente no
subtítulo A Indulgência.
José, Espírito protetor; João, bispo de Bordéus; Dufétre,
bispo de Nevers e São Luiz assinam as considerações ali presentes, com
aprofundamento da questão e coerentes orientações.
Com ênfase queremos recomendar aos leitores estudo desses
itens. Dada a profundidade dos ensinos ali constantes, melhor buscar os textos
na íntegra do que ficar destacando trechos. Entre eles o que mais chama atenção
e que foi respondido por São Luiz no item 21:
“Há casos em que seja útil revelar o mal de outrem?”
O fato, porém, é que no estágio que estamos nenhuma ou
pouquíssima autoridade temos para julgarmos atos alheios. Ainda não conseguimos
em nós mesmos o que censuramos nos outros... perdemos, pois, a utilidade e
moralidade da crítica.
Concluo com a essência comum dos textos: sejamos antes
severos conosco mesmo... temos muito para melhorar em nós mesmos.
Ao invés de nos tornarmos invigilantes e precipitados
julgadores da vida alheia, ou como se fossemos autênticos tribunais
ambulantes.
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