28/06/2011

Necessário agir sobre a alma


por Orson Peter Carrara

                É sobre a alma, é pelo sentimento, que é necessário agir, para educar, sensibilizar, motivar. Isso ocorre com a educação das crianças, no relacionamento afetivo entre amigos ou entre cônjuges e mesmo no atendimento a espíritos desencarnados em dificuldades.
                Claro, o uso da psicologia nos relacionamentos, onde se inclui a caridade do gesto, da palavra e do comportamento, é essencial para o êxito e paz na convivência. Valorizar o semelhante, respeitar as diferenças – inclusive de crenças – e agir com bondade são caminhos para construção da felicidade na convivência familiar e social.
                Tais reflexões surgem quando encontramos em O Céu e o Inferno – 4ª. obra da Codificação Espírita, exatamente no final do capítulo IV – Espíritos Sofredores, na Segunda Parte, a orientação do Espírito São Luiz, um dos mentores da obra de Kardec. Permito-me transcrever o trecho em destaque:
“(...) no encarnado, como no desencarnado, é sobre a alma, é pelo sentimento que é necessário agir. Toda ação material pode suspender momentaneamente os sofrimentos do homem vicioso, mas não pode destruir o princípio mórbido que está na alma; todo ato que não tende ao melhoramento da alma não pode desviá-la do mal.”
                Notem a preciosidade do texto, esquecido ou desconhecido no final do citado capítulo. Sua abrangência envolve várias questões, entre outras que seu estudo vislumbrará:
               a) Na questão AÇÃO MATERIAL podemos enquadrar as providências com frieza, as manipulações e pressões, a violência em geral, que claro, pode suspender algumas iniciativas viciosas, mas não resolvem o problema, apenas adiam...
       b)  Na questão DESVIO DO MAL, vêm à memória fatos e fatos da história cujos desdobramentos foram desastrosos, justamente foram tentativas que não atenderam ao melhoramento moral.
         c)  A orientação de São Luiz atende a educação dos filhos, o atendimento de espíritos em dificuldade nas reuniões mediúnicas e os caminhos muitos vezes tensos dos relacionamentos.

O mais interessante, ainda, é que mesmo as leis humanas, nem sempre justas, e que muitas vezes usam a violência – como no caso da pena de morte, entre outros exemplos que podem ser elencados –, ou marginalizam e ferem a dignidade humana – como nos casos de nossas penitenciárias brasileiras –, enquadram-se na necessidade apontada pelo nobre Espírito.
        Não há outro meio, nem outro caminho, senão o amor apresentado pelo Evangelho.
       Não temos o direito de condenar ou julgar, pois falta-nos competência e autoridade para tanto, pois que igualmente necessitados de indulgência.
        O mesmo raciocínio aplica-se às reuniões mediúnicas, onde também a imposição ou a acusação são absolutamente incoerentes com a boa prática do amor.
     Expanda-se tudo isso às ocorrências recentes com Bin Laden e os Estados Unidos... Estamos mesmo, na Humanidade, muito necessitados de aprender a amar.
        E que falta faz o conhecimento espírita.