Falta de bom senso
Primeiro indício da falta de bom senso – Orson Peter Carrara
O bom senso é grande virtude e indica a importância de uma
análise ponderada e prudente diante de situações difíceis ou desafiadoras para
uma tomada consciente da melhor decisão.
Solicita a exclusão das paixões ou precipitações variadas
para que o equilíbrio permaneça a conduzir as ações em andamento, de quaisquer
naturezas.
No item 17 (o último deles) da Introdução de O
Livro dos Espíritos, Allan Kardec afirma categórico: “(...) o primeiro
indício da falta de bom senso está em crer alguém infalível o seu juízo
(...)”. Embora no texto em questão o
Codificador refira-se à resistência às ideias espíritas se referirem ou uma
oposição sistemática ou ao conhecimento incompleto dos fatos e conteúdos, onde
a observação atenta e o estudo continuado levam ao uso do bom senso, o
pensamento ali expresso vale para quaisquer outras situações.
Julgar-se alguém infalível já é, por si só, indicativo claro
da falta de bom senso, portanto, distância bem grande da humildade, virtude que
igualmente devemos desenvolver e buscar.
O julgar-se infalível ou superior às demais pessoas é fruto
do orgulho, da vaidade, o que não combina com os propósitos de aprimoramento
moral que devemos buscar. E não se restringe, claro, ao assunto do item
referido, estendendo-se a todas as situações da vida de relação.
O Mérito é deles, não são minha criação – diz
Kardec.
E como o item em referência é o último da valiosa
Introdução da obra, o Codificador coloca-se na condição de organizador do
livro e não autor das ideias, conclamando os leitores ao óbvio no objetivo
daquelas informações:
“(...) o de guiar os homens que desejem esclarecer-se,
mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso
individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim (...)”.
Sugiro ao leitor ler novamente o último parágrafo do citado
item 17 da referida Introdução, para ficar com a grandeza textual,
didática e abrangente, com que Allan Kardec conclui o texto.
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