Notável apreciação da prof. Lúcia Helena Galvão
Dias
perfeitos – Orson Peter Carrara
A expressão que uso para intitular a abordagem é o nome de
um filme japonês. Para ganharmos tempo, reproduzo abaixo a sinopse (extraída o
site Adorocinema):
Sinopse: Dias
Perfeitos acompanha a história de Hirayama (Koji Yakusho), um homem de meia
idade reflexivo que vive sua vida de forma modesta como zelador e limpando
banheiros em Tóquio. Sua vida é revelada ao espectador através da música que
ouve, dos livros que lê e das fotos que tira das árvores, uma vez que são suas
três paixões. À medida que a vida de Hirayama avança, encontros inesperados
começam a surgir revelando um passado sombrio e não tão metódico do zelador. O
longa explora temas como a solidão, fuga e busca de sentido na vida moderna.
De coprodução entre Japão e Alemanha, a história se passa
inteiramente no Japão, com elenco japonês. Não consegui encontrar no youtube (onde
já está disponível) a versão com legenda, mas as cenas falam por si e realmente
se trata de um bom filme, com vários prêmios já recebidos.
Mas, além de um ótimo filme que apresenta a rotina modesta e
disciplinada de um zelador – como acima citado na sinopse – o melhor ainda fica
por conta do vídeo de comentários sobre a produção citada feitos pela conhecida
filósofa e professora Lúcia Helena Galvão, no vídeo COMENTÁRIOS DO FILME
"DIAS PERFEITOS" - COMO VIVER UM DIA FELIZ - Lúcia Helena Galvão,
Nova Acrópole, constante do canal Nova Acrópole Brasil. O leitor pode
pesquisar o vídeo pelo título em destaque. E, sugiro, não deixe de ver.
Com sua costumeira
lucidez e sempre clareza de raciocínio – tão comum em seus variados vídeos –, inclusive
sempre trazendo exemplos do cotidiano, Lúcia detalha aspectos do filme que
ampliam a compreensão sobre o conteúdo. E comentando sobre um dia perfeito
ou de como viver um dia perfeito, ela exalta a relatividade dessa
perfeição no momento e tempo que vivemos. E destaca sobre o esforço diário do
protagonista do filme em ser uma pessoa consciente e cumpridora de seus deveres
com boa vontade e disposição. Disposição, ressalte-se, com o desejo real de ser
melhor, de colaborar com o ambiente à sua volta, de conspirar a favor da
humanidade, em todas as circunstâncias.
As reflexões de Lúcia são abundantes, profundas e com
exemplos simples, valendo-se da citação de trechos do drama e comédia vividos
pelo personagem principal. Ela usou uma hora para comentar o filme num vídeo
que considero brilhante. Especialmente, repito, pelos exemplos do cotidiano que
acrescentou, inclusive do próprio comportamento.
O que mais me empolgou é constatar o caráter educativo da
fala de Lúcia, sugerindo mudanças de comportamento a partir dos exemplos
colhidos na produção do cinema. Apesar de usar o protagonista e seu cotidiano,
a filósofa vai além. Propõe com muita clareza e objetividade novos padrões de conduta,
com pleno uso de nossa capacidade afetiva, cultural e moral. Afinal, na
qualidade de humanos – apesar de nossas limitações, carências, aprendizados latentes
e virtudes ainda a serem adquiridas –, todos trazemos as sementes do amor de
nossa origem, cujo desenvolvimento gradativo nos levará à condição real de
espíritos felizes (nunca na ociosidade), na plena vivência de nossas
possibilidades criativas moralizadas. Investir, pois, na melhora de nós mesmos,
em todas as direções, é o grande objetivo de viver.
E aí, a conexão com a Doutrina Espírita – essa incomparável
doutrina educativa – é perfeita. Didática, instrutiva, prioritariamente voltada
para nossa melhora moral, seus fundamentos se estruturam no Evangelho e com
sabedoria iluminam os caminhos daqueles que não ficam restritos a fenômenos e
sim buscam sua essência que, repito, é educativa.
Essa essência que mostra fundamentos, caminhos e raciocínios
lógicos, igualmente estimula o conhecimento e propõe mudanças para que
encontremos a felicidade real, que deve ser estruturada em plena fraternidade,
onde estão incluídos o respeito, a solidariedade, a empatia, em substituição
aos velhos padrões egoístas, vaidosos e orgulhosos.
Perfeição não temos no planeta, que abriga espíritos em
aprendizado – nossa real condição –, mas podemos todos viver a perfeição
relativa, aquela que suprime palavrões e outros níveis de agressividade, aquela
que dispensa vaidade, que demite egoísmo e orgulho, mas que adota padrões de
alegria e gratidão para os relacionamentos.
Daí o convite de Jesus: Sede Perfeitos! Que convite
direto, objetivo, desafiador! Kardec valeu-se dessa máxima para construir todo
um capítulo para inserir em O Evangelho Segundo o Espiritismo (o valioso
capítulo 17), expressivas reflexões sobre a questão.
Concluo, pois, com gratidão aos produtores do filme, mas
também à professora Lúcia Galvão, que nos apresenta considerações tão
importantes. Parabéns, professora. Gratidão imensa pelo alto valor educativo de
sua fala, perfeitamente coerente com os ensinos do Espiritismo. Independente de
sua crença, que não sabemos qual é, sua abordagem é belíssima, essencialmente
educativa, levando-nos aos dias perfeitos possíveis na caminhada de
nossos dias.
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