Uma das causas do desequilíbrio social
Corrida
desabalada por mais possuir – Orson Peter Carrara
O significado da palavra desabalada, entre outros, é:
o que parece não ter freios ou limites, ou o que se mostra excessivo e
mesmo o que é desmedido, como uma paixão gigantesca, desenfreada, indicando
falta de moderação e reflexão. Daí adjetivar a palavra corrida.
E referida corrida não fica restrita apenas ao mais
possuir, pode ser ampliada ou enquadrada também para ser mais
reconhecido, ser mais famoso, por mais aparecer, por ser mais destacado
socialmente, mais seguido ou curtido, como se diria na linguagem das redes
sociais, atualmente.
É um vício, muito absorvido, da sociedade atual, que
desenvolve a ambição e o amor às riquezas. É preciso cuidado para igualmente
não nos enquadrarmos. Afinal o mais possuir, e nisso concentrando toda
força e esforços, redundará de alguma forma para que falte aos demais. E isso,
mais cedo ou mais tarde, gerará conflito, podendo caminhar para uma disputa e
até para uma guerra. Basta ir analisando gradativamente os efeitos em escala
daqueles que tudo querem para si diante daqueles que nada tem, muitas vezes nem
o mínimo para a dignidade humana. Daí os conflitos variados que se estabelecem
na sociedade e mesmo entre as nações.
Valho-me, nessas considerações, nas excelentes reflexões
apresentadas pela professora e filósofa Lúcia Helena Galvão, muito conhecida
pela lucidez de suas ponderações em inúmeros vídeos disponíveis no canal Nova
Acrópole Brasil, ao analisar o belo filme Dias Perfeitos, disponível no
youtube.
O filme acompanha a história de Hirayama (Koji Yakusho),
um homem de meia idade reflexivo que vive sua vida de forma modesta como
zelador e limpando banheiros em Tóquio. Sua vida é revelada ao espectador
através da música que ouve, dos livros que lê e das fotos que tira das árvores,
uma vez que são suas três paixões. À medida que a vida de Hirayama avança,
encontros inesperados começam a surgir revelando um passado sombrio e não tão
metódico do zelador. O longa explora temas como a solidão, fuga e busca de sentido
na vida moderna. (sinopse transcrita do portal Adorocinema).
O raciocínio da professora é muito claro e abrangente e
conecta-se diretamente à velha questão do egoísmo e do orgulho e seus
derivados, que os espíritos classificaram – respondendo a Kardec na questão 785
de O Livro dos Espíritos, como o maior obstáculo ao progresso. O
tema é bem extenso e está bastante desenvolvido também em O Evangelho
Segundo o Espiritismo, em vários capítulos, além do próprio O Livro dos
Espíritos, onde outras questões igualmente abordam o tema. Há referências
magníficas para aprofundar o assunto.
Por isso é sábia a resposta dos espíritos na questão 922 do
mesmo O Livro dos Espíritos. Reproduzimos a pergunta e a resposta, na
íntegra. Nunca será demais refletir sobre ela.
922. A felicidade terrestre é relativa à posição de cada
um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá,
contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens?
Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.
Estamos no “X” da questão (grifos acima são meus). E
voltamos ao início da abordagem. O vício do sempre querer mais, além do
necessário, é uma das causas das extremas desigualdades que vivemos. O egoísmo
quer mais e ignora o que se passa à sua volta. A posse do necessário traz paz à
consciência e dilui os conflitos.
São conteúdos sempre à disposição para serem refletidos,
comentados, divulgados. E Lúcia foi direto no assunto, com clareza,
objetividade e exemplos do cotidiano. Não deixe de ver.
O vídeo específico desses comentários pode ser acessado pelo
link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=UbZJqwYrGcY
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