Ovelhas e bestas

 



Seria razoável enviar ovelhas frágeis a bestas violentas? 

Orson Peter Carrara

 

A sugestiva pergunta não é minha. Ela é impactante, mas convenhamos que ela encerra grande verdade para nosso tempo, necessitado de intensa renovação em todos os segmentos.

Claro que é uma figura de linguagem, adaptada para significar a pequenez humana quando nos tornamos verdadeiras feras, na violência que não é apenas física e muitas vezes se apresenta em manipulações vergonhosas nos bastidores variados dos relacionamentos e atividades, onde o cálculo perverso tira proveito, explora, engana, frauda, manipula. A pergunta é direta, porque realmente, “bestas violentas” trucidariam as “ovelhas frágeis”.

A pergunta é de Emmanuel e está no capítulo 144 – Em meio de lobos, do livro Vinha de Luz. Note-se que mesmo no título do capítulo, a palavra lobos, também com sentido figurativo, indica facilmente ao leitor a referência aos lobos da má intenção, dos exploradores e malfeitores – temporariamente equivocados, ressalte-se – de todo tipo, já que a expressão inspiradora da abordagem foi extraída de Lucas (10.3): “Ide! eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.” 

A lição, como sempre, reveste-se de muita sabedoria e clareza. O parágrafo seguinte bem define a essência da abordagem:

 

“(...) Aliás, para serviço de tal envergadura, desdobrado em verdadeiras batalhas espirituais, ele necessitava de cooperadores fiéis, bondosos, prudentes, mas valorosos. Enviava os discípulos ao centro de conflito áspero, não no gesto de quem remete carneiros ao matadouro, e sim à gleba de serviço, onde pudessem semear novos e sublimados dons espirituais, entre os lobos famintos, através da exemplificação no bem incessante. (...)”.

 

Note-se que se trata de desafio a exigir serenidade diante de agressividades (de todo tipo) a serem sofridas e enfrentadas. Do texto completo, a que remeto o leitor, todavia, recortei três pequenos valiosos trechos que impactam e embasam o raciocínio aqui trazido:

 

1 - É preciso realmente ir aos lobos. Seria perigoso esperá-los;

2 - É imprescindível caminhar na direção dos lobos, não na condição de fera contra fera, mas na posição de cordeiros-embaixadores;

3 – (...) para serviço de tal envergadura, desdobrado em verdadeiras batalhas espirituais, ele necessitava de cooperadores fiéis, bondosos, prudentes, mas valorosos. 

 

Esse espírito de fidelidade, bondade, prudência e valor da energia no abraçar das tarefas talvez seja nosso maior desafio de aprendizes, ainda vacilantes no dever...  A advertência do Benfeitor aí está, como sempre lúcida, para nossa reflexão de aprofundar o entendimento.

Por outro lado, esse "é preciso realmente ir aos lobos" encerra verdadeiro programa de trabalho. Diante dos quadros de abusos da atualidade, há muito a ser feito também em favor dos lobos que ainda circulam pela desarmonia e caos que provocam. 


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