Boas e más influências

 



Quais influências dominam? – Orson Peter Carrara

 

Um trecho de Santo Agostinho na Conclusão de O Livro dos Espíritos permite compreender a negativa influência que ainda nos temos permitido num planeta que convulsiona no caos social da violência e dos extremos variados que se verificam diariamente.

O parágrafo inicial não é pessimista, apenas reflete uma realidade que vai passar. Está no nosso destino o aprimoramento moral, o progresso que é inevitável. O cenário assim está por força de nossa rebeldia coletiva, da teimosia que ainda nos permitimos.

E quando se usa o termo influência, ele não fica restrito às influências espirituais que também agem, mas inclui, claro, as influências mútuas entre nós mesmos, os encarnados, pelas ideias, notícias e comportamentos inadequados que tanto agravam os quadros sociais.

Embora haja muitas ações e iniciativas magníficas, visando o bem estar e a felicidade humana, com providências e planejamentos que dignificam a vida, há muito a vencer em nós mesmos para que o planeta viva tempos melhores, que todos ansiamos.

Estejamos encarnados ou desencarnados – isso é secundário – nós, os espíritos nos influenciamos mutuamente, cuja qualidade da influência depende do padrão moral de cada um, recebendo ou exercendo.

Então, vejamos. Como somos e que tipo de influência exercemos? Ao mesmo tempo por quem ou por quais motivações somos influenciados? Aí vem o trecho em referência.

 

“(...) Quereis saber sob a influência de que Espíritos estão as diversas seitas que entre si fizeram partilha do mundo? Julgai-as pelas suas obras e pelos seus princípios. Jamais os Espíritos bons foram os instigadores do mal; jamais aconselharam ou legitimaram o assassínio e a violência; jamais estimularam os ódios dos partidos, nem a sede das riquezas e das honras, nem a avidez dos bens da Terra. (...)”

 

O trecho é parcial e está no último parágrafo do item IX da Conclusão, no livro em referência.

Leve-se em conta a abrangência da palavra “seita”, não restrita à questão religiosa ou mediúnica. E aí apliquemos esse raciocínio às mediocridades morais da atualidade, com disputas de todo gênero, nas manipulações e intrigas variadas – praticadas, sugeridas ou aceitas – e poderemos distinguir o que vai dentro de nós (solicitando mudanças persistentes e ativas) e o tipo de influência que vamos aceitando agravando o estado interior. Distinguindo podemos escolher que caminho queremos seguir. Se há instigadores para o mal de qualquer gênero e estímulos para ódio e violência, se há ambições e ganância por honras e riquezas ou poder, isso não pode vir de um bom espírito. Os bons são aqueles que se esforçam para serem melhores e tudo fazem, ao seu alcance, para auxiliar seus semelhantes, sem segundas intenções e desprovidos de quaisquer pretensões, normalmente vãs, temporárias, materiais e não éticas que caracterizam aqueles que se autopromovem ou de tudo querem tirar proveito, o que caracteriza o egoísmo, não compatível com o Evangelho de Jesus.

Voltando ao título, ainda há domínio do mal, fruto do materialismo, mas isso vai passar.  


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