Aproveitam-se de nossa fragilidade e agem


 

Tentam lançar entre nós a discórdia – Orson Peter Carrara

 

 E conseguem muitas vezes, face à nossa invigilância. Aproveitam-se de nossas fragilidades e conseguem acesso ao nosso meio, destruindo muitos anseios, causando desânimo em muitas iniciativas, afastando ou separando grupos inteiros. É a realidade ainda presente no cotidiano humano, em todos os segmentos, inclusive familiares e mesmo religiosos.

Todavia, a orientação existe, está escrita, disponível. A gente não presta atenção, não se dá conta ou esquece e muitas vezes há também o desconhecimento de tais orientações, não exclusiva para reuniões doutrinárias ou mediúnicas espíritas. Ela é válida para qualquer momento onde haja duas ou mais pessoas reunidas para qualquer objetivo que seja nobre. Sim, porque se não for nobre, por si só já atraiu companhias espirituais nada recomendáveis, em qualquer segmento da vida, pois os espíritos – bons e maus, instruídos ou não – estão por toda parte, e se misturam à vida humana, aproveitando-se dos distraídos e ajudando os que desejam o bem. Isso porque o fato de estar desencarnado não é sinônimo de bondade ou sabedoria. Entre eles também há os mal intencionados e perversos, desocupados em vários níveis de inconsciência. Como também os instruídos, bons e sábios e muito conscientes da responsabilidade de viver.

Mas a clareza de Kardec é sempre presente. O texto está lá, disponível.

Capítulo XXVIII — Coletânea de preces espíritas, em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Como se sabe, nesse capítulo há modelos de preces, não para serem decorados, mas como referências de reflexão. No subtítulo Reuniões Espíritas (itens 4 a 7), incluído no item geral I – Preces Gerais há reflexão valiosíssima, normalmente esquecida. Recordamos que os exemplos são precedidos de um Prefácio (preciosos textos bem compactos que muito ensinam). Portanto, após o importante e citado Prefácio específico para Reuniões Espíritas, encontramos no item 6 – exatamente um modelo de prece para esse caso (em transcrição parcial e grifos meus):

 

6. Prece. (Para o começo da reunião.) — Ao Senhor Deus onipotente suplicamos que envie, para nos assistirem, Espíritos bons; que afaste os que nos possam induzir em erro e nos conceda a luz necessária para distinguirmos da impostura a verdade. Afasta, igualmente, Senhor, os Espíritos malfazejos, encarnados e desencarnados, que tentem lançar entre nós a discórdia e desviar-nos da caridade e do amor ao próximo.

Se procurarem alguns deles introduzir-se aqui, faze não achem acesso no coração de nenhum de nós. Bons Espíritos que vos dignais de vir instruir-nos, tornai-nos dóceis aos vossos conselhos; preservai-nos de toda ideia de egoísmo, orgulho, inveja e ciúme; inspirai-nos indulgência e benevolência para com os nossos semelhantes, presentes e ausentes, amigos ou inimigos; fazei, em suma, que, pelos sentimentos de que nos achemos animados, reconheçamos a vossa influência salutar. (...)

 

Notemos que instrução preciosa, normalmente esquecida ou desvalorizada. E está escrita desde 1864, disponível. A reflexão continua no item 7 com Prece para o fim da reunião.

E depois reclamamos das influências negativas que se acercam de nós. Mas somos nós mesmos que permitimos que se aproximem..., causando todo tipo de perturbação individual e coletiva.

Não é hora de reler esses textos, pensar neles, comentá-los, refletir com eles? Há muita sabedoria embutida e esquecida.

Discórdias e desentendimentos se multiplicam e podemos afastá-los de nossa convivência com a adoção de novos comportamentos onde os sentimentos benévolos predominam. Encarnados e desencarnados, dominados ainda pelo egoísmo, tentam (e, pior, às vezes, nós também tentamos) estabelecer divisões e discórdias que poderiam ser superadas pelas virtudes todas citadas no texto em destaque.

É mais uma pérola de O Evangelho Segundo o Espiritismo.


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