Cozinheira e panela
Problema é a cozinheira – Orson Peter Carrara
Sim, comida salgada demais ou sem sal, ou ainda um tempero
delicioso. Não é problema do fogão ou da panela e sim da cozinheira, que pode
estar atenta ou desatenta.
O leitor já entendeu. Outras comparações: o problema não é o
violino, mas o violonista sem preparo. Ou ainda, o condutor embriagado ao
volante. Mas também o dinheiro mal empregado, o tempo desperdiçado, o fato
distorcido e mesmo os abusos de toda espécie.
Quer dizer... os fatos existem, a mentira é por nossa conta.
Os recursos também, a corrupção é por nossa conta e por aí vai em outros
exemplos que podem ser trazidos. Dentro e fora da família, na vida social ou
profissional, em todos os segmentos onde nos deixamos iludir ou nos permitimos
estacionar em caminhos que desrespeitam a dignidade e a ordem.
A questão também cabe na questão religiosa. As religiões são
boas, nós os que nos dizemos cristãos, nem tanto. Deixamos a desejar, como
adeptos, como lideranças e mesmo como meros participantes.
Na mediunidade, o mesmo ocorre. A mediunidade é neutra e seu
uso depende da direção que lhe dá o médium, nem sempre honesto ou correto, nem
sempre compreendendo a responsabilidade da tarefa que abraçou... O fator moral
é decisivo na ação mediúnica.
E o mais interessante é que mesmo entre os espíritos que se
comunicam, a situação se aplica. São imortais, existem, são reais. Usam a
mediunidade de variada forma, mas demonstram o que são. Ainda que disfarcem, um
dia são reconhecidos.
Por tudo isso ocorrem as deturpações, as fraudes, os abusos.
O que também ocorre entre nós, os que ainda estamos ocupando a vida material.
Então, o problema é da cozinheira, ou seja, a questão toda
reside no ser, não nos recursos que usa. Os recursos – todos eles, materiais ou
não – são neutros. O condutor é que os torna úteis ou lesivos. Isso ocorre com
tudo que temos à disposição, inclusive na mediunidade.
Note-se que uma substância – a depender das combinações e
doses utilizadas – pode se transformar num veneno, numa bomba ou num remédio.
Vai depender de quem manipula aquela substância e com que finalidade.
Nem todos os bastidores são saudáveis. Muitos manipulam
crimes e devastam vidas. Outros, discretamente, constroem recursos que salvam e
dignificam a vida, felizmente.
Então, voltamos à questão. O problema não é o veículo, é seu
condutor, responsável ou não. Também não é o casamento, são os cônjuges, seus
protagonistas.
A questão não é a política, são os políticos, quando
seduzidos por ambições. Não é o dinheiro, mas aqueles que por ele se deixam
dominar, por ganância que não souberam vencer.
Também não é a mediunidade, são os médiuns sem escrúpulos.
Não é o livro ou a música, são seus autores.
O problema está em nós, esperando solução, esperando decisão
e iniciativa.
Há muito a vencer ainda, não é mesmo?
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